Meu Sertão rural

Gilberto Costa- Poeta e servidor do INSS

 

]Mês de julho, para quem nasceu no Oitão de Sant’Ana, o primeiro compromisso do dia é com a Banda Filarmônica ‘Recreio Caicoense’, a nossa Furiosa. Hoje, não foi diferente. Após escutar o hino da padroeira, valsas e dobrados no despertar da alvorada, embrenho-me pela caatinga para presentear meus olhos com sua bela paisagem e permitir que meus ouvidos alberguem os sons dos pássaros, para que eles não se dispersem ao vento. Sentir o cheiro das flores antes que a intempérie murche suas pétalas.

Minha preferência são os caminhos da infância. Demoro-me no Açude da finada Nevinha para tentar um acordo com as garças. Faz tempo que rogo uma foto e nada. Elas sempre voam quando tento me aproximar. Contento-me com os poucos coqueiros restantes fincados por trás de sua parede do reservatório.

Dirijo-me ao Poço de Sant’Ana. Lá a certeza de uma prosa com a serpente me anima. Encontro-a na sua loca e percebo um ar de preocupação no semblante de minha amiga. Evito comentários. Sinto que ela quer ficar sozinha. Despeço-me e sigo em frente, pensativo. Por um bom tempo a imagem dela fica retida em mim.

Chego ao Serrote da Cruz e oro aos pés de São Sebastião. Do alto olho a cidade. Há certo alvoroço, típico da quinta-feira antes do início da tradicional feirinha. Sigo para a Muriçoca. Não há pressa em meu deambular. Quero sentir meu sertão rural em toda sua extensão terrena e cultural.

No sertão rural as vozes humanas são limpas. Não foram ainda contaminadas pela agressividade estressante do meio urbano. No sertão rural os ouvidos não são agredidos por buzinas de automóveis. No sertão rural escutam-se as próprias pisadas no chão e as batidas do coração. No sertão rural não há semáforos nem lombadas em suas trilhas. No sertão rural é permitido abstrair-se sem a intolerância constante de olhares preconceituosos.

Retorno revigorado. Uma caminhada no meio do mato permite ao caminhante energizar sua alma. Divagar. Juntar versos de valores campesinos e erigir poemas para as gerações vindouras.

 

Compartilhar em:

Entre na discussão!

Fique tranquilo, seu email está seguro.