LIBERDADE, PARA QUE VOS QUERO?

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

O existencialismo é um conjunto de doutrinas filosóficas cujo tema central é a análise do homem em sua relação com o mundo. É também um fenômeno cultural, que teve seu apogeu na França do pós-guerra até meados da década de 1960, e que envolvia estilo de vida, moda, artes e ativismo político. Como movimento popular, o existencialismo influenciou a música, teatro e o cinema.

Este movimento filosófico, que se inspira principalmente nas ideias de Heidegger e de Kierkegaard, tem em J-P. Sartre um de seus maiores representantes. O existencialismo defende algumas ideias tais como a negação acerca da existência de uma essência universal em cada homem, assim como nega que esta essência seja atributo de Deus;

Jean-Paul Sartre

Como a existência precede a essência, para os defensores desta doutrina não existe um Deus que nos defina como homens. Desse modo, o homem nasce e somente depois é que constrói sua essência a partir de suas ações no mundo. O homem, portanto, é o único responsável por aquilo que ele é.

Para os existencialistas o homem é um ser marcado pela consciência da morte e da finitude. O homem também é o único animal que sabe que vai morrer e busca sua identidade absoluta, mas fracassa e passa a ver sua existência como absurda, solitária e sem sentido.

Na concepção do existencialismo o homem acredita que Deus o criou, mas na verdade foi o homem quem criou Deus. Tal criação, porém, se revela inútil porque o homem jamais chegará a ser como Deus; jamais atingirá o absoluto e, assim, ao homem só resta a liberdade – fonte de toda angústia humana, porque o homem é condenado a ser livre, mas a liberdade o leva ao desespero.

O homem alienado recusa essa liberdade porque não quer assumir os riscos e os desafios que tal decisão implica. Teme confrontar o vazio de sua própria existência. Desse modo, secretamente, os homens tornam-se seres vagos, sem energia, amorfos e tristes.

Dentre os pontos positivos do existencialismo destaca-se o fato de que tal doutrina tira de Deus a responsabilidade de cuidar do homem e permite que o homem seja um ser livre. O movimento existencialista foi marcante para a Filosofia, literatura, música, teatro e cinema.

O movimento também tem seus pontos negativos, tais como a falta de interesse visível em Deus, na Bíblia, na religião ou nos valores espirituais. Nega o estudo da Bíblia, a oração e as atividades religiosas perdem a importância.  O dinheiro, o álcool, as drogas, o sexo, enfim as futilidades da vida humana tomam o lugar de Deus na vida das pessoas.

O pensamento existencialista pode ser visto em algumas músicas de Roberto Carlos, como As curvas da estrada de Santos, Traumas e Todos estão surdos, entre outras. Também está presente em poesias de Cecília Meireles (Retrato), Augusto dos Anjos (Psicologia de um Vencido) e Martha Medeiros (Morre devagar). A obra de Salvador Dali e Vincent Van Gogh também existencialistas.

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