Homem: um animal em extinção

NADJA LIRA – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

O Brasil possui uma das faunas mais ricas do mundo, mas dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprova que mais de três mil espécies de animais pertencentes à fauna brasileira, se encontra em vias de extinção. A lista assegura que a extinção atinge a todos os biomas, ou seja, os animais ameaçados estão nos rios, oceanos e na Amazônia. 

Dentre as espécies sob a ameaça de sumirem do mapa, destacam-se animais como o Lobo-Guará, Macaco-prego-dourado, Tartaruga-cabeçuda, Curimatã, Ararinha-azul, Jacaré-de-papo-amarelo e o Boto-cor-de-rosa, entre outros animais.

Estudiosos do assunto também relacionam alguns animais em vias de extinção pelo mundo afora. Desse modo, eles apontam que bichos como a Coala, Baleia Azul, Panda, Pinguim-Africano e o Urso Polar, entre outros, que também estão prestes a desaparecer da terra.

Extinção de animais é um assunto que sempre causa impacto nas pessoas, mas este parece um fato natural na história da humanidade. Afinal, animais são extintos ao longo da história, como ocorreu com os Mamutes, os Tigres-dente-de-sabre, os Unicórnios-da-Sibéria e tantos outros animais.

Causa estranheza saber da possibilidade de desaparecimento destes animais. Porém, o que me preocupa de fato, é a extinção que se verifica diariamente entre os animais racionais. Homens e mulheres estão morrendo feito moscas e ao que parece, o número assustador de pessoas mortas todos os dias, não causa impacto algum nas pessoas e em particular, nas autoridades de Segurança Pública.

Ver notícias divulgando a quantidade de pessoas mortas seja por acidentes de trânsito, suicídios, briga de comadres, ou por qual motivo for, tornou-se um fato tão corriqueiro, que surpreendentemente já não impacta a mais ninguém.

Quando as notícias divulgam a morte de duas ou três pessoas em um acidente, a primeira impressão é a de que “morreu pouca gente”. Só se contabiliza morte se houver mais de 10 vidas perdidas, como se uma vida tivesse pouco valor.

Conforme publicações da imprensa potiguar, no ano de 2020 o Rio Grande do Norte registrou quase 1.500 mortes por assassinato. Entre 2014 e 2015, o RN registrou mais de 3.600 mortes violentas. O surpreendente é que, diferentemente dos animais da fauna brasileira, as pessoas parecem não perceber que o Homem também é um animal em extinção.

Percebe-se que todos os olhares se voltam para a possibilidade da extinção do Lobo-Guará, por exemplo, mas pouco ou nada tem sido feito para preservar a vida humana.

As pessoas se preocupam com a vida do Panda, especialmente com a falta de vida sexual do bicho, uma das principais causas para a extinção de sua espécie. Então, para que o Panda não desapareça, cria-se todo tipo de artifício para que ele possa se reproduzir em cativeiro e, assim, impedir seu extermínio completo. Beleza! É mais do que justo este cuidado com um bichinho tão fofinho como o Panda.

Mas, por que será que não se dispensa estes mesmos cuidados para com o ser humano? A vida de um animal irracional tem mais valor do que a vida de um ser humano?

Diariamente os jornais noticiam mortes de pessoas jovens envolvidas em acidentes de trânsito, devido ao envolvimento em brigas de gangues ou em tiroteio com a polícia. Jovens com uma vida inteira a ser vivida, morrem cedo. Muito nem completam 18 anos e já partem a eternidade.

A quantidade de mulheres assassinadas no RN, deixa o Estado como a 15ª que mais mata mulheres em todo o país, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Alguma coisa precisa ser feita com urgência, a fim de valorizar o ser humano, cujo risco de extinção, pelo que se vê, é superior aos outros animais. Penso que está passando da hora de se valorizar mais a vida de uma pessoa. Do contrário, logo, logo não haverá mais ninguém na face da terra para cuidar do Panda, do Lobo-Guará e dos outros animais.

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