FUTEBOL

José Olavo Ribeiro, autor do livro de contos “Portas Vermelhas”

Chutes na barriga durante a gestação são os primeiros movimentos sentidos pela mãe. Parece que nascemos para jogar futebol.

A bola já é companheira nos primeiros anos de vida. Correndo, chutando, pisando, caindo e levantando, lá estamos atraídos por essa invenção lúdica e divina. Imagino que a maçã da serpente no paraíso tenha dado uma grande ideia a Adão.

            Lá vem a adolescência e as brincadeiras se transformam em disputas, competições, atraindo público e envolvendo parentes, amigos e muita gente em discussões acaloradas. Desde cedo aprendemos a admirar um time de futebol, influenciados pelo pai, irmãos, alguém da família e nunca mais deixamos essa paixão de lado. É sem dúvidas uma das maiores fidelidades do ser humano: a sua devoção ao clube escolhido.

            Acredito que desde os primórdios a humanidade se inebria com a circunferência a girar sobre a areia, a terra batida ou a grama. Me pego a sorrir, no entanto, ao imaginar a “bola” na idade da pedra.     

            Lembro que na década de 70 comecei a torcer pelo Vasco, do Rio de Janeiro, época que formou grandes equipes, com jogadores como Alcir e Zanata, famosos meio-campistas, depois Roberto Dinamite, dentre outros. O futebol carioca era o mais sintonizado nas rádios locais, por isso influenciou gerações. O privilégio de assistir futebol na TV ainda não existia.

            Na cidade de Mipibu, as equipes do Olho D’água e Arsenal prendiam a atenção da população. A maioria dos jovens frequentava os treinos nos respectivos campos, acompanhava as disputas aos domingos com times das cidades vizinhas e até da capital, e tudo representava um modo de vida, proporcionando lazer, convivência social e aprendizado.

Arsenal S.C. de São José de Mipibu, nas comemorações do aniversário, em 1978
Equipe do Olho d’Água – Campeão Municipal de 1978
Equipe do Arsenal S.C. em 1978

            À noite, os bancos das praças ouviam brincadeiras e gozações entre as pessoas que se aglomeravam para discutir o resultado dos jogos, o desempenho de seus ídolos.

            Hoje a televisão traz para nossas casas o melhor desse esporte em todo o mundo, os grandes artistas da bola e as cifras milionárias envolvidas.

            O palco muda, dos pequenos campinhos de terra, ainda existentes, para as grandes praças futebolísticas, mas a magia continua presente em cada momento desse esporte apaixonante.  

            Já dizia o filósofo anônimo: “Estou na área, se me derrubar é pênalti”.         

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