FIGURAS MIPIBUENSES: Zé Moré – Famoso forrozeiro mipibuense

José Virgulino da Silva, apesar do sobrenome “Virgulino”, não tem qualquer parentesco com o legendário cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva – o Lampeão.  O nosso José Virgulino é popularmente conhecido  na região, como “Zé Moré”, 68 anos. Natural de São José de Mipibu, nascido e criado no povoado de Laranjeiras dos Cosmes. Filho do servente de pedreiro “seu” Antonio Virgulino da Silva e da dona de casa Josefa Cassimiro das Chagas (já falecidos).

Ainda criança, com oito anos de idade, foi morar na praia de Barra de Cunhaú, quando seu pai foi contratado pelo rido sanileiro de Canguaretama, Geraldo Vilarim, para construir uma casa de praia para a família veranear. Sempre ajudava o pai nas obras e por isso só pode estudar até a 4ª série do antigo primário. Lembra com saudade dos primeiros  anos escolares, das brincadeiras na hora do recreio, na Escola Estadual 16 de Julho, em Barra de  Cunhaú.

Zé Moré, tinha um sonho de  infância: se tornar sanfoneiro como os que via tocando na feira de Canguaretama e nas festas de São João.  A sanfona  o deixava fascinado. Para perseguir seu objetivo ficava o tempo todo “admirando” como os sanfoneiro utilizavam os botões e teclados ao mesmo tempo, com as duas mãos e como eles tocavam. “Pedi a meu pai que comprasse pra mim uma sanfona, para  aprender a tocar.  Meu pai comprou uma sanfona, depois que acertou no jogo do bicho. Ele jogou a milhar de cavalo – 1444″ (dar uma gostosa gargalhada ao relembrar). A sanfona custou R$ 16 mil cruzeiros e fomos comprar uma, de segunda mão (usada), em Natal, a um profissional que consertava sanfona.

O talento de Zé Moré  impressionava a todos porque nem mesmo a sanfona que pesava mais de seis quilos, o impediu de aprender a usar o instrumento.  Simultâneamente ele ajuda nas despesas de casa, vendendo banana, batata e outras frutas, de casa em casa e nas feiras livres.

Sua primeira apresentação –  ele lembra – como se um filme passasse em sua lembrança, ocorreu no Engenho Murim, no município de Canguaretama, por ocasião das festas de São João, no mês de junho, tradição que é comum na região Nordeste. “Fomamos um grupo, com uma sanfona, triângulo e pandeiro. Ainda tinha o “melê (espécie de tambor).  A apresentação foi um sucesso!

“A partir daí, comecei a receber convites para tocar nas fazendas, casamentos, batizados, churrascos e nas campanhas políticas. Em 1968, vim  fazer “showmícios” (shows em comícios) , a convite do saudoso  amigo e político, o ex-prefeito Janilson Ferreira em sua campanha política, em São José de Mipibu. Também toquei na campanha de Solon Ubarana, em Monte Alegre. Naquela época de eleição ainda era permitido”.

“Quando Janilson Ferreira ganhou a eleição, continuei tocando em eventos, no Centro Social de Laranjeiras dos Cosmes e na fazenda Lagoa do Fumo, sempre que aparecia um convidado  para passar o dia na fazenda”.

FORRÓ DA LUA

Sua ida ao tradicional Forró da Lua, onde mensalmente, em época de lua cheia  se dança o forró pé de serra com boa infra-estrutura, espaço tematizado para 1,5 mil pessoas com cenário ‘casas de taipa/bar’, igrejinha postiça, praça. O lugar fica no caminho da famosa Lagoa do Bonfim, a 30 km da capital. Shows de instrumentistas de renome nacional, como Dominguinhos, Elba Ramalho, Waldonys, Arnaldo Farias e outros sanfoneiros que rodam o Nordeste. O lugar já foi notícia no famoso jornal mundial New York Time

“Através do fazendeiros Carlos Gondim, fui apresentado ao empresário  Marcos Lopes, do Forró da Lua, que depois se tornou meu amigo. Toquei por dez anos, ao lado de nomes famosos como Dominguinhos, Elba Ramalho, Flávio José, Joquinha Gonzaga, Chiquinha Gonzaga, Arlino dos Oito Baixos, Zenário, entre outros”, lembra com saudades dos bons tempos do Forró da Lua. Zé Moré chegou a gravar quatro CDs e um DVD, com Dominguinhos e um outro com Joquinha Gonzaga e Luizinho Calixto, todos na casa de forró.

Forró da Lua

Tenho oito filhos e oito netos. Todos moram em Laranjeiras dos Cosmes, exceto Wénio Virgulino, com quem eu moro, em São José de Mipibu. Atualmente sou aposentado pela Previdência Social mas, sempre recebo convites para apresentações para forró, serestas… Meu contato é: (84) 9997-2107.

Meu sonho é poder formar meu filho Wénio, que irá fazer o ENEM, em Engenharia Mecânica. “Se Deus quiser, quero ver meu filho formado em “Doutor”, antes de morrer”.

Zé Moré é visto diariamente, no posto de combustível JB, na margem da BR-101. Sempre que um veículo pára para abastecer, lá vai ele, oferecer o CD, que custa R$ 10,00, com música de autêntico forró pé de serra. É assim a vida desse artista mipibuense

Para Zé Moré, “a Prefeitura Municipal de São José de Mipibu deveria dar maior apoio aos artistas da terra, ao invés de contratar pessoas de fora, em determinados eventos”, declara.

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