FIGURAS MIPIBUENSES Professor Tamires Ítalo Trigueiro Peixoto

Tamires Ítalo Trigueiro Peixoto foi um importante professor mipibuense. Nasceu em São José de Mipibu no dia 16 de novembro de 1942. Filho do ex-vereador João Alves Peixoto e da professora Clóris Trigueiro Peixoto, descendentes de portugueses e italiano. Tamires é descendente direto de uma das primeiras famílias a chegar a São José. Pelo lado paterno, é neto de Antônio Ezequiel Peixoto e Joana Alves Maciel Peixoto, de quem herdou uma parte da antiga “Fazenda Morgado”. Do lado materno, seus avós se chamavam Ábdon Álvares Trigueiro e Higina Campos Trigueiro. Ele, evangélico, foi capitão de polícia, em Macaíba, além de músico e compositor.São de autoria de Ábdon Álvares, segundo a professora Maria Leide Tavares Peixoto, esposa de Tamires Ítalo, as músicas “Olhos”, “Caminhos do Sertão” e as gospels “Segura a mão de Deus” e “Glória Aleluia”.

Túmulo dos pais e avós de Tamires Peixoto – Foto: Arquivo: Luis Carlos Freire

Na infância era um menino muito extrovertido e realizado, pois tinha o amor e carinho de todos os que cercavam seus pais Clhóris Peixoto e João Alves, que foi vereador no município e sua mãe, professora da cidade.

Tamires estudou o primário no Grupo Escolar Barão de Mipibu. Sua primeira professora foi Carminha Gomes. Após passar pelo curso primário, foi para o Ginásio Comercial de São José de Mipibu, que hoje é a Escola Estadual Professor Francisco Barbosa. Em seguida, frequentou escolas de renome da capital, entre elas, o Sagrada Família, Instituto Padre Miguelinho e o Atheneu Norte-riograndense.

Aos 18 anos de idade prestou serviço as Forças Armadas (Aeronáutica), no período de 1960-1961, sendo a dispensado. Posteriormente, ingressou no Ministério da Saúde, sendo Guarda Sanitário.

Concluindo que não tinha vocação para os cargos que ocupava, iniciou sua carreira como professor de História, formado em 1967, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, mas lecionou, também, as disciplinas de Geografia, OSPB e Moral e Cívica.

Veio a conhecer a jovem Maria Leide Tavares, que ao pouco tempo de conhecido vieram a se casar, com dois anos de namoro, com que tiveram a filha Clóris Tavares Peixoto, herdando o nome de sua avó paterna.

Clóris Tavares Peixoto, com 2 anos de idade – Arquivo pessoal de Clóris

Por 42 anos se dedicou à educação da sua cidade e de Nísia Floresta. “Todos os professores de São José, filhos da terra, sem exceção, foram alunos dele e de sua mãe, Clóris Trigueiro Peixoto”.

Quando estava em pleno exercício da profissão de educador, Tamires ocupou o cargo de diretor das escolas Estaduais Barão de Mipibu e Professor Francisco Barbosa, em ocasiões distintas. Essa última, respondeu por oito anos, de 1994 a 2002. Foi também professor do Instituto Pio XII.

O Jornal O Alerta publicou em sua edição nº 195, de 1992 a matéria abaixo:

Prossegue Campanha para limpar Escola Estadual Profº Francisco Barbosa

Escola Estadual Profº Francisco Barbosa – Foto Ilustração

“Sem qualquer apoio da Secretaria Estadual de Educação e Cultura, o professor Tamires Ítalo Trigueiro continua desenvolvendo a campanha junto a comunidade mipibuense para pintar a Escola Estadual Profº Francisco Barbosa.

Segundo Tamires, “os trabalhos foram iniciados no dia 20 de julho de 1992 e não tenho prazo para concluí-lo, pois depende do material (tinta e lixa) que será conseguido junto à comunidade”. Ele mostra mostra a dificuldade em conseguir o material, e exemplifica: “só pra se ter ideia, uma lata de tinta custa hoje Cr$ 44.800,00 e a diária do pintor Cr$ 10 mil. Realizamos uma campanha junto aos alunos do turno noturno e conseguimos arrecadar a irrisória quantia de Cr$ 11.500,00”.

Mas Tamires não desiste. E vai em frente. Atualmente, sete sala-de-aulas foram pintadas, faltando apenas cinco. O material gasto até o momento foram 24 galões de tinta e 100 folhas de lixa.

Entusiasmado, o professor Tamires que já desenvolveu, há dois anos atrás, desafio semelhante, quando era diretor da centenária Escola Estadual ‘Barão de Mipibu’. O professor elogiou o apoio da diretora Lúcia Martins que é “a maior incentivadora do nosso trabalho e, que vem desenvolvendo um importante trabalho de conscientização, no sentido de que os alunos preservem a limpeza das salas”.

Escola Estadual Barão de Mipibu, após a campanha de pintura pelo professor Tamires

Por último, o professor diz, quase em tom de desabafo: “se tivesse o apoio dos colegas professores, o trabalho talvez já tivesse concluído”.

Tamires Ítalo também era pesquisador e historiador. Prestou relevantes serviços como historiador mipibuense contribuindo de forma significativa para o conhecimento histórico de sua cidade. Ele pesquisou material suficiente para lançar um livro sobre São José de Mipibu. Com um título que já havia escolhido “Meu São José de Ontem, Meu São José de Hoje”, mas, não conseguiu concretizar o seu lançamento.

“Os filhos de São José de Mipibu desconhecem como era o Cruzeiro de antigamente; e a relação de todos os padres e prefeitos da cidade. Não existe livro com essas informações”, afirmou o professor numa entrevista ao jornal Potiguar Notícias, pouco antes de seu falecimento.

Num trecho, o jornal publica:

“O patrimônio histórico de São José de Mipibu sempre teve um protetor: era o professor e historiador Tamires Ítalo Trigueiro Peixoto. Aos 63 anos de idade, o educador não hesita em comprar uma briga contra quem desprezar a riqueza histórica e cultural do município. O educador nunca hesitou em comprar briga contra quem desprezava a riqueza histórica e cultural do município” (Ah! Como ele faz falta, agora em São José de Mipibu).

Professor Tamires gozando sua aposentadoria
na granja Morgado – Arquivo: Fran Moura

Quando o assunto era sobre a história de sua terra, o professor se considerava um verdadeiro “fanático”. Essa identidade com a história não se limitava somente à sua vocação pela disciplina que por tantos anos lecionou. Tamires é descendente direto de uma das primeiras famílias a chegar a São José.

TAMIRES – O DESPORTISTA

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Tamires atuava como lateral direito no Arsenal S.C

Tamires Peixoto também foi um desportista de destaque no futebol mipibuense. Quando jovem, chegou a atuar na equipe do América F.C, de Natal. Em São José de Mipibu, atuou no tradicional time do Arsenal S.C, onde foi lateral direito. Segundo Nilton Fagundes, “Tamires era um exímio cabeçador da equipe alvinegra mipibuense”.

Por seu desempenho, Tamires foi convidado a integrar a Seleção de São José de Mipibu, em 1967, quando a seleção disputou o Campeonato de Futebol Interiorano – Matutão, torneio em nível estadual, tendo a equipe do Potyguar Futebol Clube, de Currais Novos, conquistado o campeonato.

Fotos do arquivo de Fran Moura

Residiu por vários anos na sua granja “Morgado”, na estrada de acesso ao município de Nísia Floresta. O Morgado teve um papel de relevância na história dos municípios de São José de Mipibu e Nísia Floresta. Foi naquela propriedade, mais precisamente no antigo casarão da “Fazenda Morgado”, que ficou hospedado o homem designado pela Província para emancipar São José de Mipibu, em 1762. Seu nome: Miguel Carlos Caldeira de Pina Castelo Branco de Souza Morgado. Em homenagem ao ilustre visitante, a propriedade foi rebatizada com seu nome pelos antepassados de Tamires.

Dedicou-se a educação dos municípios de Nísia Floresta na Escola Municipal Yayá Paiva e em São José de Mipibu, em várias instituições de ensino. Em 1990 foi nomeado diretor da Escola Estadual Barão de Mipibu, em 1995 sendo nomeado diretor da Escola Estadual Prof. Francisco Barbosa, onde dedicou a maior parte da sua vida como gestor da referida escola.

Tamires em sua granja Morgado – Foto: Fran Moura

O veterano da educação se dedicou bastante à educação. “Quando não tinha vigia, ele ia de 5h30 da manhã para a escola. E quando não tinha porteiro, assumia o posto com 900 alunos para dar conta”, informou, Maria Leide Tavares.

Professora aposentada, Maria Leide Tavares, viúva do professor Tamires
-Foto: Facebook

Tanto Tamires como sua esposa Leide, deram suas contribuições à educação de São José de Mipibu. “A gente podia ter se aposentado com 25 anos, mas não quisemos, porque gostávamos de trabalhar”, prosseguiu Leide, que além de professora exerceu os cargos de supervisão, direção e vice-direção, esse último, ao lado do marido diretor. Maria Leide dedicou 31 anos de sua vida à educação. O legado da profissão foi deixado para a única filha do casal, Chlóris Tavares Peixoto, que também é professora.

Professora Maria Leide Tavares e sua filha Clóris Peixoto Foto: Facebook

Segundo o pesquisador Luís Carlos Freire, “Tamires seguia a doutrina espírita. Pensava mais nos outros do que nele. Foi um educador respeitado”

O médico Arízio Fernandes, Clóris Peixoto e o professor Tamires
Arquivo: Clóris Peixoto

Numa postagem em sua rede social, a filha de Tamires, Cloris Peixoto, publicou a seguinte mensagem:

“Meu herói, meu amigo, meu pai, meu tudo…. você sempre foi um grande homem que mora em meu coração. Com você aprendi e cresci como pessoa e como profissional. Você e mainha sempre foram um exemplo para mim. Saudades painho… te amo tanto… Um professor que deixou muitas saudades para muitos alunos na minha querida terra São José de Mipibu. O professor Tamires merece sim uma homenagem em Mipibu. Quem concorda?

Granja Morgado ( rodovia que dá acesso a Nísia Floresta),
onde Tamires curtiu seus últimos dias
– Foto: Facebook

O professor Tamires enfrentava problemas de saúde. Após ter perdido a perna direita em consequência de um acidente em 2005, descobriu que era diabético. Nesse mesmo ano, amputou o seu membro inferior direito. Com as consequências do quadro apresentado, teve um infarto fulminante do miocárdio, no dia 4 de março de 2009, às 19h30, em sua residência, chegando a ser socorrido ao Hospital Regional Monsenhor Antônio Barros. O velório ocorreu na Escola Estadual Barão de Mipibu e o sepultamento ocorreu, no dia 5, após a celebração da missa de corpo presente, na Igreja Matriz. A prefeita Norma Ferreira decretou luto oficial no município em virtude do falecimento de Tamire.

Mensagem do mipibuenses Didi Avelino, por ocasião do falecimento do professor Tamires:

Caro Dedé,

É com muita tristeza que tomo conhecimento, através do seu Blog, da morte do nosso querido e saudoso amigo Tamires. Sem dúvida, São José de Mipibu fica mais pobre cultural e intectualmente. De lá do Morgado, em seu recolhimento, ele era um “farol” a iluminar a sua cidade, sua grande paixão. Ah, São José, quantos dos teus filhos restarão com a mesma estatura moral e ética de Tamires? Que de lá, de sua nova morada, ele possa interceder junto ao Criador, pelo destino de sua terra e do seu povo. Espero que algum bravo mipibuense concretize o sonho de Tamires e viabilize a publicação do seu livro sobre São José. É uma homenagem merecida a quem dedicou sua vida à cidade e à educação. Um abraço.

Edilson Avelino – Rio de Janeiro/RJ

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4 Comentários

  • Didi Avelino disse:

    Uma honra ter sido contemporâneo de Tamires Peixoto e colhido primorosos conhecimentos da sua vasta vivência humana.
    À memória desse ilustre mipibuense nossa reverência e eterna lembrança.

  • JOSE OLAVO RIBEIRO disse:

    Foi meu professor nos idos de 1970. Posteriormente, tive o prazer de ser seu colega no Barão de Mipibu e na escola estadual Prof Francisco Barbosa. Um ser humano admirável.

  • Maria Denize de Souza disse:

    Tamires, um grande amigo.foi meu professor e posteriormente meu diretor na escola estadual professor Francisco Barbosa. Uma pessoa de um coração acolhedor e simples.
    Grande homem com o qual aprendi muito.
    Que sua alma descanse em paz 🙏🏻

  • Ferreira disse:

    Meu professor é amigo. Saudades.

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