FIGURAS MIPIBUENSES Leonel Luiz dos Santos

Leonel Luiz dos Santos, nasceu, no dia 06 de abril de 1929, pelas mãos de uma parteira, na fazenda Outeiro, localizada no município de Canguaretama/RN. Filho do feitor da usina de cana-de-açúcar, João Luiz dos Santos e da agricultora Josefa França dos Santos, que residiram por muitos anos, na cidade de Araruna/PB.

Sobre a data de seu nascimento, há um fato interessante: Leonel tem duas datas de nascimento.

“A minha certidão de nascimento teve a data alterada para 30 de abril de 1928 (um ano anterior da oficial). O motivo dessa mudança de data, era para eu poder votar, na eleição de 1946, no proprietário da Fazenda Outeiro, José Targino que foi candidato a vice-governador da Paraíba, na chapa com Osvaldo Trigueiro, ambos da UDN. que conseguiu refazer a certidão, para eu ter 18 anos e assim, poder votar na chapa dele”, sorri, após revelar o ‘segredo’.

Morou, até os 6 anos, f na fazenda Outeiro. Depois, os pais foram residir na fazenda Baixio, no atual município de Araruna/PB. Foi lá que residiu até os 30 anos de idade. Os pais o levavam para o campo, onde aprendeu a plantar milho, feijão e agave (fibra que industrializava cordas).

Lembra que, ainda criança, entre uma de suas brincadeiras que mais gostava, nas horas de folga, era “jogar bola, feita de pano, no terreiro de casa”, diz.

Estudou na Escola Municipal Menino Jesus, no então distrito de Riachão, “onde fiz até o 4º ano primário. Nesta época, já estava com 17 anos, coloquei uma bodega na comunidade, onde vendia bebidas, feijão, carne de jabá, farinha, fumo de rolo… vendia fiado, anotando tudo numa cadernetinha, para receber no final do mês”, comenta.

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Depois Leonel começou a comprar cereais nas proximidades e transportava nas cangalhas de burros para vender nas feira de Nova Cruz/RN, a 45 quilômetros de distância. Muitas vezes, saia de casa às 4h da madrugada e chegava a feira, às 7h. Posteriormente, seu pai, João Luiz conseguiu com uns amigos, CR$ 1 (um mil cruzeiro região), iniciando o comércio com aguardente da região, comprada na Serra da Raiz (região entre a divisa da Paraíba com Nova Cruz), que era revendida nas mercearias e botequins dos municípios próximos.

Pelo seu porte ‘atlético’, atraia os olhares das garotas, por onde passava. “Não sei o que eu atraia nas mulheres. Andava limpo e com roupas de linho branco e muito cheiroso, com perfumes caro, da época, talvez tenha sido isso”, sorri encabulado.

Veio residir em Natal, no dia 21 de janeiro de 1959. Se uniu em matrimônio, com Maria do Carmo Ferreira dos Santos, com quem teve nove filhos, dos quais quatro, continuam vivos: Luiz Pereira, Maria de Lourdes, Maria das Neves e Maria do Socorro. Anos depois, veio a ficar viúvo, quando a esposa teve um AVC, vindo a falecer. Ficaram casados por 17 anos.

Em Natal, Leonel montou um comércio, com um mercadinho de bairro, na Av. Presidente Bandeira (entre as avenidas 9 e 10). Mas com visão empreendedora e futurística, iniciou a construção do Edifício Santos, no bairro do Alecrim, onde vendia estivas e cereais.

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Mesmo não sabendo guiar um automóvel, era teimoso, levando-o a provocar um grave acidente, quando dirigia o veículo, na avenida Deodoro da Fonseca, na chamada ‘Ladeira da rádio Poti’, que o deixou hospitalizado por 16 dias no hospital.

O Brasil vivia momento de turbulência política. Jânio Quadros foi presidente brasileiro pelo curto período de seis meses e renunciou ao cargo em agosto de 1961, o que iniciou uma crise política no país. Em 25 de agosto, Jânio comunicou seus ministros de que estava abandonando o cargo de presidente do Brasil. Essa ação de Jânio gerou amplo debate entre os historiadores.

Leonel tomou conhecimento dessa informação na cidade de Guarabira/PB, quando viajava para João Pessoa/PB. Diante desse fato, paralisou a construção do Edifício Santos, tendo em vista a situação instável que o país passou a viver, nos meses seguintes.

AGROPECUARISTA

Agropecuarista bem-sucedido, Leonel foi, e ainda é, proprietário de fazendas em diversas cidades do Estado e em São José de Mipibu.

Era o ano de 1964. Certo dia, recebi a visita do coronel José Lúcio, prefeito de Brejinho, que me vendeu a fazenda Soledade, no município de São Pedro do Potengi/RN. Comprei por Cr$ 16 contos e 500. Com isso, deixei o comércio e passei a me dedicar a atividade agrícola, visitando à família, em Natal, nos finais de semana. Dois anos depois vendi essa fazenda e comprei a fazenda Pedra Branca, no mesmo município“, relembra.

E continua: “Em 1974 adquiri duas fazenda, uma em Monte Alegre e a ‘Alvorada’, na comunidade de Laranjeiras dos Cosmes, em São José de Mipibu. Essa última, comprei ao, então médico, Lavoisier Maia, que era padrinho de uma de minhas filhas e, posteriormente, foi nomeado para governador do estado (biônico), no período de 1979 a 1983”.

Na fazenda Alvorada, que vai do rio Trairí até a ‘estrada do padre’, Leonel passou a criar gado leiteiro.

Em 18 de junho de 1966, contraiu o segundo matrimônio, com Gislaine Lima Santos, com quem viveu 47 anos e tem três filhos: Leonel Filho, Gisleide Santos e Gigliane Santos.

Algumas pessoas não entendem que um ‘desconhecido’ na política mipibuenses, viesse a conquistar uma das principais prefeitura da região Agreste potiguar. Leonel historiou como se deu seu ingresso na política de São José de Mipibu:

-“Quem serão os candidatos a prefeito de São José de Mipibu e qual sua minha opinião, Leonel?

Perguntou o governador da época, Lavoisier Maia (PDS), numa das visitas que Leonel fez a ele.

-” O nome ideal, seria o empresário Arlindo Dantas, respondeu Leonel. E acrescentou: “Não adiantava Hélio ser novamente candidato, pois há vinte anos que a família Ferreira ia se sucedendo”.

Por ocasião do Centro de Saúde ‘João Berckmans Dantas’ (ao lado da rodoviária municipal), Lavoisier Maia esteve presente e, após o evento foi recepcionado por Arlindo Dantas, em sua fazenda Olho D’água, que também recebeu, o prefeito Janilson Ferreira e Leonel Santos.

Sabendo dos comentários de Leonel, que não foram bem aceitas Hélio Ferreira, declarou: “Não adianta gente sem voto e sem expressão política ficasse falando dele, e querendo ser candidato e ficar me queimando. Não retiro minha candidatura, nem para um caminhão carregado de brita”.

Leonel disputou a eleição prefeito em São José de Mipibu, no ano de 1982, pelo PMDB, partido da oposição municipal. As eleições ocorreram sob as regras do voto vinculado, conhecido por sublegenda, onde cada partido poderia apresentar um outro candidato e o eleito era o que conquistasse a maior soma dos dois. No caso de São José de Mipibu, Leonel teve como companheiro na sublegenda, o presidente municipal do PMDB, Luiz Amaral, servidor público, da antiga Sucam, órgão do Ministério da Saúde.

Contratou uma empresa para realizar pesquisa, para consumo interno. A primeira ficou em último lugar; a segunda, o ex-prefeito Hélio Ferreira, venceria as eleições, naquela data e na terceira, começou a mudar, onde o nome de Leonel já aparecia como primeiro colocado. “O bom na campanha política, não é comício e sim, pequenas reuniões com o povo, nas comunidades”, disse Leonel.

A disputa das eleições de 1982, foi contra o candidato governista, ex-prefeito Hélio Ferreira, que tinha como candidato da sublegenda, o vereador Manoel Gomes de Lima, ambos do PDS, partido do prefeito da época, Janilson Ferreira.

Disputando eleição para prefeito no município de São José de Mipibu, o então candidato Leonel Luís dos Santos, um ilustre desconhecido da maioria dos mipibuenses, (95% dos mipibuense, não me conheciam) Sua principal bandeira seria a mudança dos nomes, na política local, conhecida por ‘ping-pong’ -, onde Hélio Ferreira e o primo Janilson Ferreira, se alternavam no poder, durante 20 anos.

Segundo um seu familia: “A história de Leonel é de um homem que tem jeito de mato, mas que tem uma voz macia que aplaca as dores e que espalha cores vivas pelo ar”.

Leonel convidou o cunhado Eudes e sua esposa Vera, que residiam em João Pessoa, para trabalhar em minha campanha. Para isso, eles tiveram que se mudar para São José de Mipibu. “Saímos em busca de nomes para compor a chapa de vereadores, mas encontramos dificuldade”, declarou.

Esse causo foi contado por um mipibuense: “o saudoso monsenhor Antonio Barros, teve uma desavença com o ex-prefeito Hélio Ferreira, por conta da desapropriação de um terreno, pertencente à paróquia, onde está construída a Rodoviária Municipal. Ficaram sem se cumprimentar, por certo tempo. Na campanha de 1982 se mostrava claramente simpatizante a candidatura de Leonel. Durante a s celebrações das missas, no momento do sacramento da Comunhão, ao entregar a hóstia ao fiel, monsenhor Antonio, nominava a chapa: “5, 55, 55?” ( 5 era o nome do candidato a governador, Aluízio Alves, 55, o nome do senador, Roberto Furtado e o de prefeito, Leonel Santos) A pessoa respondia: “Amém!”. Mas isso nunca ficou comprovado.”

Nessas eleições, Leonel apoiou Aluizio Alves, para governador, Roberto Furtado (Senado da República), João Frederico Abott Galvão (Deputado Federal) e Luiz Antonio Vidal (Deputado Estadual).

Convenção do PMDB, com a presença do ex-governador Aluizio Alves

Ao ser indagado porque recebeu o apelido de ‘Fuscão Preto’, deu uma gargalhada e historiou: “Foi uma campanha acirrada, principalmente por parte de Hélio Ferreira e seu filho Neto. Como eu tenho a cor escura e, na época, essa música fazia muito sucesso, me chamava por ‘Fuscão Preto, que nos comícios caiu no gosto do povo. Aproveitei e comprei um fusca preto e saia nas ruas e comunidades”.

ELEIÇÃO DE 1982

Leonel venceu as eleições com 542 votos diante dos adversários. A apuração dos votos, das eleições de 15 de novembro de 1982, aconteceu na sede da Associação Esportiva Mipibuense (que foi demolida e em seu espaço foi construída a Loja Maçônica São José nº 14).

Em frente a antiga Associação onde se divulgava, por meio de alto-falantes, o resultado de cada seção onde eram apurados os votos, os partidários a aplaudiam os candidatos simpatizantes ou vaiavam os adversários.

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Antiga Associação Esportiva Mipibuense, onde se divulgava, por meio de alto-falantes,
o resultado de cada seção, durante a apuração dos votos

A posse do prefeito Leonel Santos e do vice-prefeito, Lindomar G. de Freitas, ocorreu na tarde do dia 31 de janeiro de 1983.

O jornal O Alerta, na edição de nº 68, de fevereiro de 1983, assim narrou a posse:

“O evento estava marcado para às 17h, no Centro Social São José, sendo transferido para a Câmara Municipal. A solenidade atraiu um numeroso público, que assistiu da praça Desembargador Celso Sales, já que o ato estava sendo transmitido através de um serviço de som móvel, colocado à disposição do Legislativo Municipal.

Posse do prefeito Leonel Santos, tendo como presidente da Câmara Municipal, o vereador Antonio Amâncio (dir.) in memoriam

Os trabalhos legislativos, sob a presidência do vereador Antonio Amâncio (conduzido à presidência, naquela data) foram iniciados com o juramento do prefeito e vice-prefeito. Em seguida usou da palavra, o Senhor Leonel, que’ conclamou a todos para lutar pelo desenvolvimento de São José de Mipibu’. E dirigindo-se aos vereadores, pediu que ‘não lhe fizesse oposição radical por, se assim agissem, estariam fazendo oposição à cidade’. Finalizando, solicitou que fosse lida a Declaração de Bens e autorizou aos vereadores a fazerem uma sindicância para saber se a mesma era verdadeira’.

Ato de transmissão de cargo, pelo saudoso prefeito Janilson Ferreira. Vendo-se, ainda, João Frederico, Lindomar e Leonel Santos (dir.)

Atendendo convite, do prefeito recém empossado, o público presente nas proximidades, dirigiu-se ao Centro Social São José, onde foi improvisado um local, de onde falaram: o candidato a deputado federal, não eleito, João Frederico Abott Galvão (representando o ex-governador Aluízio Alves, também não eleito), o presidente Regional do PMDB, deputado federal, Henrique Eduardo Alves e Leonel Santos.

Logo em seguida, partiu em passeata pelas ruas da cidade, dirigindo-se a Prefeitura Municipal, onde o prefeito Janilson Ferreira esperava para a transmissão de cargo, que não se realizou como estava previsto, em virtude de tumulto, provocado por populares.”

Passeata pelas ruas da cidade, após a vitória de Leonel

Gestão ( 1983-1988)

Leonel Santos, com 53 anos, foi eleito prefeito de São José de Mipibu, de 1983–1988, pelo PMDB, tendo como seu vice-prefeito Lindomar de Freitas (in memoriam).

A gestão do prefeito Leonel foi marcada por um desenvolvimento, no aspecto, urbanístico da cidade (o que divulgaremos as obras, mais a adiante), mas, muito difícil politicamente. Sua administração coincidiu, na época, com a, também, vitória de José Agripino (PDS), que governou o estado, de 1983 a 1986, que era aliado de seus adversários em São José de Mipibu.

Outro fato, era o constante atrito com os vereadores da oposição, onde ainda pairava resquício da ferrenha disputa eleitoral, das recentes eleições municipais de novembro. “Sempre tive minoria na Câmara Municipal e um presidente como adversário”, lembra.

Mesmo assim Leonel teve uma gestão de desenvolvimento da cidade, com diversas obras, entre elas:

Construção de casas, com desapropriação de um terreno para distribuição de lotes de terras e ajuda para construção de casas, no bairro de Tancredo Neves;

Abertura e urbanismo da rua Jaime Sales;

Construção do Centro Comercial, conhecido por ‘calçadão’;

Departamento Municipal de Educação hoje, Secretaria Municipal de Educação;

Construção do Departamento de Educação Municipal (DEM)

Implantação da Biblioteca Municipal “Câmara Cascudo”, nas dependências do DEM;

Reforma e ampliação da Prefeitura Municipal;

Construção de 230 casas populares em todo o município;

Reforma e ampliação da Prefeitura Municipal
Desapropriação de um terreno para construção de um Centro Comercial (‘Calçadão) e ampliação da rua Jaime Sales

Distribuição de lotes de terrenos para construção de casas e doação de material de construção para executar as obras, onde hoje é o bairro de Tancredo Neves;

Em convênio com a Fundação SESP, construção de banheiros e wc, pré-moldados, para residências nas comunidades rurais;

Centro Social do Pau Brasil

Construção de Centro Sociais, nas comunidades do Arenã, Laranjeiras do Abdias, Pau Brasil,  Manimbu;

Construção de 39 salas de aulas, em todo o município, entre elas, 8 salas de aulas da Escola Municipal Profº Severino Bezerra;

Trator para corte de terras e implementos de limpeza pública
Leonel gostava de inspecionar in loco, as obras., como o pontilhão sobre o Rio Araraí, em Caeiras

Conclusão do CERU, em Laranjeiras do Abdias e outras escolas nas comunidades de Arenã, Laranjeiras dos Cosmes e Quebra Fuzil;

 Distribuição de 300 hectares de terras aos trabalhadores rurais na Mata da Malhada, onde foi entregue um lote de 1 hectare, a cada agricultor que hoje, vivem e trabalham para sustento de suas famílias;

Construção de escolas e salas de aulas em diversas comunidades

Creche Casulo, em convênio com a antiga LBA, em todas as escolas municipais;

Conclusão do Módulo Esportivo, que estava com as obras paralisadas;

Módulo Esportivo, onde atualmente é o Estádio do Arsenal

Ampliação do cemitério municipal (sede do município);

Praça da Saudade, em frente ao cemitério da sede do município;

Com o apoio da Prefeitura o Governo do Estado construiu 100 casas do Projeto Crescer,  no Pau Brasil e 30 na rua Canaã;

Apoio à Banda de Música Municipal com aquisição de equipamentos e fardamento;

Foi durante sua gestão que que foram implantados Postos da Telern, em Laranjeiras do Abdias, Arenã, Laranjeiras do Cosmes e Pau Brasil;

Implantação de Postos de Correio Comunitários, em diversas comunidades rurais;

Galpão numa escola para o Projeto Casulo
Alargamento da Rua Jaime Sales, onde hoje é a Alameda Buriti

Na gestão de Leonel, foi inaugurada a Agência do Banco do Brasil (23/09/1983);

Também, durante o seu governo do Estado, realizou a pavimentação da RN 317,  entre Ribeiro e Laranjeiras do Abdias;

Através do Programa Vilarejo, (do Governo do Estado em convênio com o Município) levou energia para várias localidades rurais, entre elas, o Pau Brasil;

Pontilhão sobre o rio Araraí, ligando Curral Novo a Caeiras;

“Não poderíamos deixar de relembrar um acontecimento tão importante para várias famílias que residem em São José de Mipibu, fugidas dos tremores de terra, da cidade de João Câmara/RN. O sismo que ocorreu em 1986 abalou todo o país e mexeu diretamente com muitas famílias daquela cidade, antiga Baixa Verde. O primeiro tremor – sentido inclusive em Natal – aconteceu no dia 21.08. 1986, e alcançou 4.3 na Escala Richter. O terremoto principal ocorreu no dia 30.11.1986, com magnitude de 5.1.

O prefeito Leonel enviou para caminhões da municipalidade e particular, trazendo pessoas desabrigadas pelo terremoto.

O jornal O Alerta, em sua edição 125, de dezembro de 1986, relata o fato:

“Cerca de 60 família de João Câmara, desabrigadas pelo terremoto que abateu aquela cidade, no início deste, estão vivendo em São José de Mipibu a uma distância de mais de 100 km, estando abrigadas, provisoriamente, em escolas no povoado de Pau Brasil e Bairro Novo, além de casas de parentes.

Muitos deles alojados, precariamente, não querem mais voltar a João Câmara, mesmo sabendo que os abalos estão diminuindo. O Governo do Estado só irá prestar assistência aos que retornarem a sua terra.

O suplente de vereador Pedro Bezerra do Vale, mais conhecido por ‘Pedro do DER’, disse que ‘não irá mais voltar’. O sr. Pedro fez questão de elogiar a assistência prestada pelo prefeito Leonel Santos a todas as pessoas vindas de João Câmara. ‘Ele deu total cobertura a gente’, frisou.

Em sua recente viagem a Brasília, o principal objetivo de Leonel, era conseguir recursos para socorrer essas famílias desabrigada em residência condignas para eles, pois ninguém que retornara João Câmara, fazendo opção

Seu grupo político foi derrotado, nas eleições 1988, quando indicou o médico Arízio Fernandes como candidato, contra o ex-prefeito Janilson Ferreira.

“Nunca fui processado em nenhum processo que, na época, meus adversários moveram contra mim, um deles, por conta da desapropriação de um imóvel, para o alargamento da rua Jaime Sales, onde hoje é o Centro Comercial, conhecido por Calçadão, mas que nada encontram de irregular”, alega.

Confessa que gastou muito de recursos próprios, para agilizar as obras que estavam sendo construídas, e por conta da burocracia, “não tinha paciência para ficar aguardando. Esperava receber o dinheiro, posteriormente, mas a legislação não permitia. Quando entrei na prefeitura, tinha 1.700 cabeças de gado. Ao deixar, tinha, apenas, 131”.

O ex-prefeito diz que depois que deixou a prefeitura, sempre foi procurado por políticos, apara sair candidato. “Nunca aceitei pois política é uma ilusão, principalmente para quem está de fora”, comenta.

Leonel acompanha os fatos e acontecimento da atualidade, pela televisão. Sobre a atual situação política brasileira arrisca um palpite: “Se o atual presidente da República, Jair Bolsonaro não ganhar as próximas eleições, ele não vai entregar o poder. Pode anotar!”

E mandou um recado para o seu colega, ex-prefeito Arlindo Dantas: “Se prepare para voltar a administrar São José de Mipibu”, disse profetizando.

Atualmente Leonel vive em sua fazenda Alvorada, em Laranjeiras dos Cosmes, onde passa a maior parte do tempo. Há cinco anos sofreu um acidente doméstico, onde fraturou duas vértebras e, passou a se locomover em cadeira de rodas. Sob seus cuidados, tem duas cuidadoras, duas fisioterapeutas e um motorista, que gerencia a fazenda. Os filhos aparecem constantemente para vê-lo, onde hoje é avô de 14 netos e bisavô de nove crianças

Em sua fazenda, diz que “sinto falta de amigos que não vem visitar-me, para trocar dois dedos de prosa“.

Título de Cidadão Mipibuense

Em sessão, marcada pela emoção e pelo reconhecimento, a Câmara Municipal de São José de Mipibu realizou na manhã desta quarta-feira, 06 de abril, Sessão Solene para entrega de Título de Cidadão Mipibuense e Medalha “Barão de Mipibu” , homenageando o ex-prefeito Leonel Luís dos Santos, reconhecendo os serviços relevantes prestados ao município, entre 1983-1988, e que, nesta data, estava comemorando 93 anos de idade.

O título de Cidadão Mipibuense, de autoria da vereadora Verônica Senra (MDB), que em sua fala, descreveu a vida e as realizações do ex-prefeito que transformou São José de Mipibu. Também usaram da palavra, a presidente da Casa Legislativa, Carla Simone, o prefeito municipal José Figueiredo Varela, que, na ocasião, outorgou a Medalha ‘Barão de Mipibu’, pelos relevantes serviços prestados a São José de Mipibu, quando prefeito do município

Na ocasião, foram convidados para prestarem depoimentos sobre o homenageado, alguns amigos e ex-auxiliares, durante sua gestão: o ex-servidor municipal, Luís de França; o secretário Municipal de Agricultura, José Eduardo Sales; o médico e ex-vice-prefeito José Arízio Fernandes e o advogado e professor Héráclito Noé, que foi diretor da Escola Municipal de São José de Mipibu, na época.

Em nome da família, agradeceu as homenagens, o agropecuarista Leonel Santos Filho.

Para surpresa dos presentes, a filha, do homenageado Gigliane Santos, ingressou no recinto da Câmara Municipal com um bolo, sendo acompanhada do maestro mipibuense Almeida, que tocava o ‘Parabéns prá você’ e, em seguida, fez uma homenagem, tocando no sax, a canção ‘Amigos para sempre’, levando algumas pessoas presentes, às lágrimas.

Ao final, quando já estava sendo servido um coffee break, mais uma surpresa: o homenageado, mesmo com sua debilidades físicas, solicitou o microfone, e agradeceu a presença de todos e a homenagem que lhe foi prestada.

Mensagem da Família a Leonel

A neta Samantha Maranhão, escreveu essa mensagem em nome da Família Santos:
“Recebi o desafio de transformar em palavras toda a trajetória de Leonel Luís dos Santos, meu amado avô. O desafio está em colocar nas palavras a grandiosidade da sua trajetória sem esquecer a
grandiosidade do homem que escreveu a sua própria história. Poderia ser uma história simples de um homem que nasceu em Canguaretama em 06 de abril de 1929, pai de 8 filhos, avó de 14 netos e bisavô de 9 crianças.

Parece simples, mas ao reunir a linha cronológica da vida deste homem, percebi que é um livro de muitas páginas, escrito à mão por um punho de um homem forte, visionário e trabalhador.

Como autor da sua própria história, Leonel mostra que a vida é feita de batalhas árduas, mas passíveis de serem vencidas com uma boa dose de ousadia e muita coragem. A palavra coragem remete à ação que vem do coração. Agir com o coração. E ele agia: acordava sempre nas madrugadas para trabalhar; trocava os finais de semana de lazer para trabalhar; mas, tenho certeza, sempre com o coração atento a como fazer o melhor para si, para a família e, muito além, para a própria comunidade.

Nascido de uma terra onde nascem flores – na fazenda Outeiro, no município de Penha, hoje Canguaretama. O lugar que já recebeu o nome de Vila Flor e traz o marco dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu – terra marcada pela força, resiliência e fé – um tripé digno de sua origem e seu legado.

Com uma história digna de uma homenagem, Leonel nasceu para ser empreendedor, inspirador, batalhador e sonhador. Sempre sonhou com um futuro brilhante para si, seus filhos, netos e bisnetos. Sempre quis o melhor para todos, inclusive, para a sua comunidade. Àquele homem que nasceu na roça, se tornou comerciante e agropecuarista. A decisão de construir uma trajetória política é um dos
capítulos principais da sua história. Não satisfeito em transformar sua própria vida, também queria transformar a vida das pessoas. Foi prefeito da cidade de São José de Mipibu por seis anos, de 1983 a 1988, onde deixou um legado para a cidade e comunidade mipibuense.

De tantos capítulos escritos e lidos, finalizo a leitura do livro e me pergunto: qual mensagem principal este autor deixa? Qual a moral da história? Caro leitor, como neta e amante desta leitura, posso afirmar que a mensagem principal é: ‘Sonhe como se não houvesse um amanhã, quem acredita sempre alcança!’


Paula Fernandes e Almir Sater compuseram a música “Jeito de Mato”, que é a epígrafe do seu livro, sua história

Na estrada de pedra que passa na fazenda
É teu destino, é tua senda, onde nascem tuas canções
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória e acende os corações

Sim, dos teus pés na terra nascem flores
A tua voz macia aplaca as dores. E espalha cores vivas pelo ar!


Gratidão por ter nos ensinado tantas coisas por meio da sua voz macia! O senhor já aplacou muitas dores e continua espalhando cores vivas pelo ar. Sua vida é viva! Cheia de cores, espalhando inspiração e emoção. Um grande beijo meu, dos seus filhos, netos, bisnetos e eterna amiga-parceira, Gislaine.

Em beijo especial de Amanda Priscila (com certeza ela estava comigo escrevendo este texto), do seu filho Teobaldo e a Maria do Carmo, que aqui se faz presente em memória”.

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