FIGURAS MIPIBUENSES Carlos Alberto Marques

Por José Alves – Jornalista e editor do jornal e blog O ALERTA

O médico Carlos Alberto Marques, descendente das famílias Trigueiro e Marques, nasceu no distrito de Monte Alegre (hoje, município), no dia 20 de agosto de 1950. Filho do casal Luiz Marques Evangelista e Albertina Trigueiro Marques, que tiveram, além de Carlos, outros filhos: Francisco, Zildemar, Alteniz, Zildete, Zélia, Luiz, Edilberto, Zildeni e Sérgio. 

Dr. Carlos com os pais e irmãos

Foram seus padrinhos, sua tia, dona Lucilda Trigueiro e o marido, fazendeiro Jorge Ferreira, pais do saudoso prefeito Janilson Ferreira.

Doutor Carlos, como é conhecido, foi batizado na centenária igreja Matriz de Sant’Ana e São Joaquim, em São José de Mipibu, pelo padre Antônio Barros.

Com 2 anos de idade

Morou em Goianinha, até os dois anos de idade. Viveu sua infância São Tomé e Barcelona, nos anos de 1956 a 1960, na fazenda dos avós, onde corria pelos campos, tomava banho nos açudes, caçava passarinhos com baladeiras, coisa de menino de sua época. Sempre foi uma criança calma e obediente aos avós. Gostava muito de estudar. Sua primeira professora, foi dona Gessi Guedes, em sua própria casa, em São Tomé, como aluno particular.

Quando criança, vendia cocadas e confeitos; ovos de galinha e galinhas na rua; transportava água em galões nas casas, trazendo do açude, em barris em cangalhas de jumento. Também, foi engraxate de sapatos; vendedor de muambas: radinhos de pilhas, relógios, cigarros importados e roupas, dentre outros produtos, nas feiras livres de São Tomé e Barcelona. 

Primeira Eucaristia, em Natal, com o irmãos Francisco.
Na época, tinha 10 anos de idade

Com 10 anos, foi residir em Natal onde viveu sua adolescência. “Em 1965, com apenas, 15 anos, trabalhei como balconista, vendedor de peças de automóveis na empresa Santos & Cia, concessionária da Williys e Ford. Relembra emocionado de seu passado. E acrescenta: “Como diz a música: Era feliz e não sabia”.

Estudou o curso ginasial no Salesiano São José, depois que ganhou uma bolsa de estudo, segundo classificado, entre os concorrentes e concluiu o curso Científico, na Escola Estadual Padre Miguelino, também na capital.

“Na adolescência, embora um tanto quanto tímido, namorei algumas garotas, porém, como universitário tornei-me mais desembaraçado e tive inúmeras namoradas, em Natal e quando vinha a São José de Mipibu”, diz sorrindo, Dr. Carlos.

Serviu ao Exército, no Quartel General ID/7 (hoje Pinacoteca ), no período de 1969/1970.

Desde cedo Dr. Carlos já sonhava que quando fosse adulto, desejava ser médico. E, sua vida se resumia ao trabalho e ao estudo, observando quanto era difícil ser aprovado no vestibular de Medicina, da UFRN, teve que deixar o emprego de balconista para fazer o cursinho pré-vestibular, no Curso Hipócrates. Para isso, sua mãe teve que engomar roupas para fora, custeando o cursinho, durante todo o ano de 1971.

Em 1972, fez vestibular para o curso de Medicina, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, sendo aprovado e concluído no ano de 1977.

Com sua mãe, Albertina Trigueiro Marques no Baile de Formatura do curso de Medicina – 1977

Como estudante de Medicina fez residência médica no Hospital da Polícia Militar por quatro anos. Ainda, como acadêmico de Medicina acompanhou o Dr André Nunes, médico que atendia a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância – na APAMI em São José de Mipibu, onde iniciou os primeiros contatos com os pacientes.

“Aos 31 anos, já médico na cidade de Jucurutu, me casei com a seridoense, Maria Alice Fonseca,com quem convivi por 14 anos e com quem tenho três filhos do meu primeiro casamento: Ticiano, Tácito Talles. Posteriormente, veio a somar o filho Rhanier. 

Dr. Carlos e os filhos, Ticiano, Talles, Rhanier e Tácilo

Atualmente, é casado com a empresária pernambucana Cynthia Guimarães, que no dia 20 de agosto comemorou os seus aniversários e, na mesma data, 16 anos de casamento.

Cynthia atua no ramo de hotelaria. É formada em Gastronomia e Economia. Tem grandes aptidões para o empreendedorismo, sobretudo, no seu campo de trabalho. 

Dr. Carlos com a esposa, Cynthia Guimarães

VIDA PROFISSIONAL

Seu primeiro emprego como Médico Generalista e formação em Cirurgia Geral, ocorreu em 1978, quando recebeu convite para trabalhar no município de Jucurutu/RN, como diretor do Hospital Carlindo Dantas e do Centro de Saúde, daquela cidade, permanecendo até o ano de 1983

Em 1984, teve sua indicação para assumir a direção da I Regional de Saúde do Estado, com sede em São José de Mipibu e que era responsável por 27 municípios da região Agreste e Litoral Sul do Estado. Ocupou o cargo por um ano (até 1985).

Foi diretor do Hospital Maternidade ‘Jessé Freire’, em São José de Mipibu (Apami), no período de 1984 –1991), onde fez partos, cirurgias e atendimento ambulatoriais e hospitalar aos mipibuenses.

Dr. Carlos, também, ocupou o cargo de Secretário de Saúde de São José de Mipibu, no período de 1989 até 1991.

POLÍTICA

Em fevereiro de 1991, o jornal O Alerta, em sua edição nº 179, publicava uma entrevista com Dr. Carlos que confirmava que seria candidato a prefeito, nas eleições 1992, e aguardava o apoio do prefeito Janilson Ferreira.  Na época, ele filiado ao PDT, mas estudava se filiar a outro partido político, entre eles, PL, PFL e PDC. “Minha candidatura já pertence ao povo, pois sou candidato do povo”, disse.

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Matéria publicada no jornal O ALERTA – Fevereiro de 1991 – edição nº 179

Em junho de 1991, o primo do prefeito, aguardava o apoio formal de Janilson Ferreira, que não havia se definido por nenhum nome de seu grupo político. Dr. Carlos aguardava um convite, para iniciar os contatos, visando a formação de alianças com lideranças e outros partidos políticos. Essa demora na definição de seu nome para suceder o então prefeito Janilson Ferreira o fez divulgar uma nota de desistência de sua candidatura.

Em fevereiro de 1992, Dr. Carlos, voltou atrás de sua desistência de ser candidato da situação, após receber apoio do prefeito Janilson, do vice-prefeito Arlindo do Paredão e de lideranças do grupo político, com o apoio do PFL e PL. “Agora sou candidato prá valer”, disse. Seu companheiro de chapa foi o vereador Manoel Gomes de Lima.

Na foto, o então deputado Cacau, Janilson Ferreira , Dr. Carlos, Francisco Brás
e o governador Lavoisier Maia, no São João em São José
em 1995
Dr. Carlos, o governador Lavoisier Maia e o vice-prefeito, Manoel Gomes de Lima,
na inauguração do Espaço de Eventos “Seu” Lulu1995

Concluída as eleições municipais de 1992 e contabilizado os votos, Dr. Carlos havia vencido às eleições, com 1.069 votos de maioria (35% dos votos válidos) para o seu principal opositor, o ex-prefeito Leonel Santos. Carlos venceu com 5.134 votos, Leonel, do PMDB /PDT, que recebeu 4.065 (27,7%), Ricardo (Ferreira, do PTB/PRT, com 2.529 votos (17,2%) e Francisco Adilson, pelo PT que conquistou 533 votos (3,6%).

Mensagem aos mipibuenses, após a vitória nas eleições de 1992
Matéria publicada no jornal O ALERTA

PREFEITO

Visita do ministro da Saúde, Abib Jatene, Garibaldi Filho e a então primeira dama do país, Ruth Cardoso, esposa do presidente Fernando Henrique Cardoso (que não está na foto), ao município de São José de Mipibu
Caic, obra do Governo Federal, foi inaugurado em sua gestão
Centro de Educação Educacional – CRE “Janilza Ferreira”

 A gestão de Carlos Marques como prefeito municipal de São José Mipibu, foi de 1993 a 1996. Em sua gestão foi construído e inauguradas, diversas obras que beneficiaram os mipibuenses, como:  inauguração do Centro de Atenção Integral à Criança – CAIC, construído pelo Governo Federal, o Centro de Educação Educacional – CRE, os Postos de Saúde, no Bairro Novo e Pau Brasil, construção e reforma e ampliação de diversas escolas, sistema de abastecimento d’água no bairro Tancredo Neves.

Preparo de terra para o pequeno agricultor. Na foto, o então
secretário Municipal de Agricultura, Cícero Virgínio e Dr. Carlos
Pavimentação da Av. Senador João Câmara, vendo-se o CAIC

E, também, pavimentação de diversas ruas, entre elas, a avenida Senador João Câmara (com o apoio do DER), corte e preparo de terras para plantio para os agricultores, distribuição de terras da Malhada a pequenos agricultores, construção do Espaço de Eventos  “Seu Lulu” (que na época, gerou muita polêmica), por ser construído em frente a centenária Escola Barão de Mipibu, construção de casas populares para pessoas carentes, entre outros benefícios

Inaugiuração do Espaço de Eventos “Seu Lulu”, Junho de 1995

MEDICINA

Após deixar a vida política, Dr. Carlos se dedicou a medicina.  Trabalhou como médico Anestesista, nos municípios de: Arêz, Brejinho e São José de Mipibu, e como médico Clínico, no Programa Saúde da Família -PSF, atendendo os municípios de São José de Mipibu, Nízia Floresta, Senador Georgiano Avelino e Brejinho.

Foi Diretor Técnico e Diretor Clínico do Hospital Regional Monsenhor Antônio Barros – HRMAB, e Diretor do Hospital Maternidade Jessé Freire-APAMI, em São José de Mipibu.

Dr Carlos Marques implantou a primeira clínica do município – a Gênero Clínica e foi sócio da Policlinica Mipibu. Atualmente atende, também, em “Sua Clínica” todas em São José de Mipibu, onde ainda atende.

Dr. Carlos aposentou-se, mas trabalha no PSF de Senador Georgino Avelino e provavelmente irá integrar os serviços do Centro de Referência João Berckmans Dantas, em São José de Mipibu onde foi recentemente aprovado por concurso seletivo para fazer as pequenas cirurgias. 

No dia 20 de agosto,o casal Carlos e Cynthia, comemoraram seus aniversários de nascimento (o casal aniversaria no mesmo dia) e de matrimônio.  Têm residência em Campina Grande/PB e São José de Mipibu, na Granja Pôr do Sol, na margem da RN 316, que liga a cidade de Monte Alegre.

Ao ser indagado se pretende ainda se candidatar a algum cargo político, respondeu: “Não pretendo disputar mais cargos eletivos. Inclusive, não sou filiado a partido político e nem pretendo fazê-lo. Evidentemente, que tenho posição transparente na escolha do político ou candidato, bem como, respeito as preferências de cada um”.

Carlos Marques fala que teve um “sonho frustrado”. E faz questão relatar:

Gostaria, quando diretor, de ter tornado a antiga APAMI de São José de Mipibu, em uma grande instituição de saúde que fosse referência para toda região Agreste potiguar e ainda mais abrangente, a exemplo Da Liga Norte-Riograndense. Sem cor e sem partido político. Mas vi, como toda população, com o coração partido, a decadência evoluir até sucumbir nos escombros do prédio do Hospital Maternidade Jesse Freire, pertencente à APAMI que tanto serviu, não só o nosso município, mas, aos municípios vizinhos e, ainda, a muitos profissionais da terra que ali trabalharam. Evidentemente, que entre outros motivos, a exposição pelo envolvimento político-partidária daquela instituição, por parte dos dirigentes, teve, motivo maior. Tendo privado de forma drástica e irreversível, toda população Agreste, dos benefícios de saúde a que se destinava”.

Antiga sede da APAMI, mantenedora do Hospital Maternidade ‘Jessé Freire”,
em São José de Mipibu, que foi demolida no ano de 2020

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