Do começo na tampa de isopor ao ouro olímpico: conheça a trajetória do Medalha de Ouro, o potiguar Ítalo Ferreira

A primeira medalha de ouro do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio é do surfe e veio com o potiguar Italo Ferreira, de 27 anos. Confiante desde a primeira bateria, ele não escondia de ninguém seu objetivo e reafirmava em várias entrevistas: “Eu vim pra vencer”. E venceu.

Italo Ferreira teve uma participação impecável nas Olimpíadas de Tóquio e venceu todas a baterias que disputou. A final contra o japonês Kanoa Igarashi nesta terça-feira (27) foi um verdadeiro show de surfe.

Até teve imprevistos, como a prancha quebrada no meio de uma manobra, mas ele fez rápida substituição.

No total, Italo levou 15 pranchas — mas teve a bagagem extraviada e seus equipamentos demoraram a chegar em Tóquio.

Prova para vaga olímpica de bermuda jeans

Em 2019, Italo Ferreira participou dos Jogos Mundiais de Surfe da ISA (Associação Internacional de Surfe), no Japão, na disputa da vaga para a Olimpíada.A participação do brasileiro ficou marcada por situações inusitadas.

Ameaçado de ficar fora após ter o passaporte furtado nos Estados Unidos e ter problema com vistos, na última semana, o surfista só conseguiu chegar à praia com a bateria em andamento. Ele entrou no mar faltando oito minutos para acabar a disputa e saiu vitorioso.

Ítalo quase ficou fora da prova após ter o passaporte furtado nos Estados Unidos, quando teve o carro arrombado em Los Angeles. Após muita burocracia, conseguiu embarcar para competir.

Italo chegou atrasado ao Japão por causa da ameaça de um tufão que fechou o espaço aéreo. Ele nem pegou suas pranchas e seguiu do aeroporto direto para o local do evento.

O potiguar usou uma prancha emprestada por Filipe Toledo, vestiu a lycra e surfou de bermuda jeans.

Quem é Italo Ferreira

Ítalo Ferreira, quando criança – Foto:Esporte Fantástico

Natural de Baía Formosa, litoral sul do Rio Grande do Norte, Italo Ferreira se encantou pelo surfe aos 8 anos de idade, mas só ganhou a primeira prancha aos 10. Antes disso, surfava com pranchas emprestadas dos primos ou usava as tampas das caixas de isopor do pai, que vendia peixe na cidade, como prancha.

Os treinos no quintal de casa lhe renderam a primeira vitória aos 10 anos de idade em um campeonato local e, de lá para cá, foram muitos títulos nacionais e internacionais.

Foi bicampeão mundial Pro Júnior, campeão brasileiro em 2014 e, no mesmo ano, classificou-se para integrar a Liga Mundial de Surfe (WSL), a elite do surfe mundial. Já na primeira temporada, em 2015, Italo terminou como sétimo melhor do mundo e venceu o ‘Rookie Of The Year’ (o novato do ano).

Em 2019 Italo Ferreira foi campeão mundial da World Surf League (WSL), após uma vitória em Pipeline, no Havaí, sobre o bicampeão Gabriel Medina. Ítalo se tornou o terceiro brasileiro a conquistar o título mundial.

O circuito mundial foi suspenso em 2020 por causa da pandemia do coronavírus e por isso Italo Ferreira é o atual campeão mundial de surfe.

Em 2021, ele é o segundo colocado no ranking, atrás apenas de Gabriel Medina.

Paraíso potiguar

Os títulos, prêmios e o reconhecimento profissional não fizeram Italo Ferreira sair de Baía Formosa. É na pequena cidade com pouco mais de 9 mil habitantes que ele vive até hoje.

Após as temporadas de competições é pra lá que ele sempre volta. “Aqui é um lugar especial, é onde tudo começou. Surfar aqui no Pontal é sempre espetacular. O mar é muito bom e as ondas são sensacionais”, disse o surfista em 2015.

No início de 2021 Italo anuncia a criação de um instituto para atender crianças de Baía Formosa. O objetivo da entidade será dar oportunidade para as crianças do município que veem no surfe, inspiradas no ídolo, a possibilidade de ter uma vida melhor através do esporte.

“Com essa oportunidade, vou poder contribuir um pouco mais na evolução dessa nova geração. Poder ter esses garotos dentro do instituto, poder ensinar e mostrar a eles que é possível, que eles podem alcançar o objetivo também”, disse Ferreira.

Por Fernanda Zauli, G1 RN

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