De volta ao passado… (112)

A foto (de autor desconhecido), provavelmente, batida na década de 30, mostra um desfile cívico pelas principais ruas de São José de Mipibu, com membros do Ação Integralista Brasileira (AIB/RN), conhecidos por ‘camisas-verdes’. Movimento que tentava imitar o comportamento do fascismo europeu.

O cortejo, organizado em duas filas, com uma banda de música, passava ao lado da Praça Tavares de Lyra, atualmente, Praça Capitão José Penha, nas proximidades da antiga Usina de Luz, onde é hoje, a Câmara Municipal de São José de Mipibu.

Não descobri, nomes dos líderes desse movimento em São José de Mipibu, provavelmente, pessoas da classe média, círculo católico local e a grande burguesia, como os senhores de engenhos. A ABI foi criada para se opor ao movimento comunista, que era muito forte e, sobretudo, muito assustador. Os líderes da AIB/RN, vindos da capital, realizaram muitas pregações aos jovens das cidades interioranas, por onde passavam.

Na década de 30, o Rio Grande do Norte também passou a sofrer influência da luta pelo poder que se desenrolava em todo o Brasil, numa conjuntura em que a Ação Integralista Brasileira e a Aliança Nacional Libertadora, esta, fundada pelo Partido Comunista, disputavam a hegemonia política.

Existia no RN uma direita católica revolucionária, influente e organizada, que, assim como os comunistas, pregava um golpe de estado.

Segundo o jornalista e pesquisador Gonzaga Cortez, “Um testemunho da época, o falecido escritor e músico Gumercindo Saraiva, escreveu que o Rio Grande do Norte, politicamente, ficou dividido entre Integralismo e Comunismo. Os comunistas cantavam “A Internacional”, insuflados por ‘pseudos idealistas’, enquanto os integralistas “cantavam em vozes estridentes, o Hino Nacional e as canções patrióticas”. As proposta defendidas pela AIB, tinha o lema “Deus, Pátria e Família”.

O escritor Ovídio da Cunha escreveu que “o comunista era olhado como uma espécie de diabo: os padres viam o comunismo como um pecado. Jocosamente, nós dizíamos: “os comunistas têm rabo de cão”. O clero apresentava o comunismo como capaz de todas as misérias, os comunistas seriam capazes dos crimes mais horrorosos.

Já os integralistas passariam a ser os ‘anjos da guarda’, congregando marianos, da defesa da tradição, da família, da propriedade e da integridade da pátria.

AIB-RN: Monsenhor Walfredo Gurgel, Felipe Nery, Miguel Seabra, Otto Guerra, Francisco Veras, Sinval Dias e Waldemar de Almeida (Foto: Tribuna do Norte)
  • Com informações e pesquisas dos livros de Luiz Gonzaga Cortez

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3 Comentários

  • AMAURI+FREIRE disse:

    O FASCISMO foi uma das piores escrescências já produzidas pela humanidade, imagine sua imitação.
    Ridículos!!!

    • Ana Tereza de Araújo Barbalho disse:

      É verdade, Amauri Freire!
      São ridículos com essa bandeira de Deus, Pátria e Família.
      São uns hipócritas desde sempre!
      Não acreditam em Deus, pq vivem exatamente o contrário do que Cristo pregou na sua passagem pela terra.
      Não são exemplos como Família e jamais se pode dizer que são patriotas!
      Excrescências sim!

  • Didi Avelino disse:

    Fascistas, lixo histórico que, em pleno século XXI, volta a exalar seu odor fétido, contaminando e atraindo para se o que há de pior do mundo dito civilizado. Geralmente, proliferam em sociedades fragilizadas por crises sucessivas e “lideranças” autoritárias.
    A história não deixa dúvidas: opor-se a eles e combatê-los, incessantemente, é urgente e necessário, através de instituições democráticas sólidas e do voto livre e soberano.

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