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Contando Nossa história (3) MURO DA VERGONHA

Na época o jornal Alerta acompanhou o planejamento e o protesto que paralisou o tráfego de veículos, na BR-101, com o título MURO DA VERGONHA.

Na época o jornal Alerta acompanhou o planejamento e o protesto que paralisou o tráfego de veículos, na BR-101, com o título MURO DA VERGONHA.

Era uma segunda-feira, dia 20 de setembro de 2010, por volta das 16h, quando moradores, autoridades e políticos de São José de Mipibu decidiram interditar BR 101, por 15 minutos. O protesto era contra - o que ficou conhecido por Muro da Vergonha -, obstáculo que dividia a cidade em duas, diante das obras da duplicação da rodovia BR-101, no trecho urbano de São José de Mipibu, pelo Exército brasileiro.

Negociação com a PRF. Na foto Alcimar Cortez (presidente da CDL), vereador Jamaci Oliveira e o blogueiro Amauri Freire
ÀS 16h foi dado o sinal e os presentes deram as mãos e fecharam a rodovia BR-101
Mipibuenses empunhando faixas de protesto contra o Muro da Vergonha
Políticos e lideranças locais participaram do protesto

Cadeirante Tito recebendo a solidariedade para poder atravessar o Muro da Vergonha

O MOTIVO DO PROTESTO

O vereador Jamaci Oliveira (PMDB) fez esse pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de São José de Mipibu:

"Há cerca de 45 dias fiz um requerimento, votado no plenário, em regime de urgência, no sentido de que o DNIT se pronunciasse oficialmente sobre o que definitivamente iria ser feito no município e os seus respectivos prazos. Fiz o requerimento porque percebi que a obra avançava e as promessas feitas acerca das passarelas e de um retorno, com faixa de pedestres e semáforo, nas imediações da Coco & Cia, não se cumpririam.

O DNIT respondeu ao nosso requerimento, confirmando a construção do retorno adicional nas imediações da Coco & Cia (sem semáforo e faixa de pedestres) e de uma única passarela em frente ao Terminal Rodoviário. Não se pronunciou sobre a lagoa de captação prevista no projeto original e que evitaria alagamentos na via marginal da BR-101, como também, nas casas dos moradores da região. Além disso, estipulou como prazo final para entrega da obra, o mês de dezembro de 2010.

Ora, essa resposta é a consolidação do desrespeito ao nosso povo, senão vejamos:

1)    A Cidade será literalmente dividida, pois cerca de 8 mil pessoas ficarão de um lado da cidade sem os principais equipamentos urbanos, sem falar no comércio, bancos, prédios públicos, terminal rodoviário, hospital, centro de referência, etc... Essas pessoas serão obrigadas a correr riscos todos os dias tendo de atravessar uma BR duplicada, sem semáforos, sem iluminação, sem lombadas e cuja velocidade permitida será de 100 Km para transpor um muro de concreto, já batizado pela mídia local de “Muro da Vergonha”;

2)    O absurdo é tamanho que hoje já assistimos a pessoas idosas e com dificuldades de locomoção desesperadas porque não conseguem transpor os obstáculos erguidos pela insensatez dos que não pensam naqueles que deveriam ser os principais beneficiados pelas obras e hoje, infelizmente são os maiores prejudicados;

3)    Pessoas já foram atropeladas e, algumas, morreram antes mesmo da liberação oficial das vias duplicadas;

4)    Em Goianinha/RN, foram construídos quatro viadutos para passagem dos caminhões da Usina Estivas para transportar cana de açúcar. Em São José de Mipibu NENHUM. Numa clara inversão de valores, vez que o bem maior é a vida humana, que deve ser preservada acima de tudo e, nesse caso, o transporte da cana de açúcar parece ser mais importante, um verdadeiro ABSURDO;

5)    Não bastasse tudo isto, a única passarela prevista, sequer foi licitada. Ou seja, a obra vai ser liberada sem a passarela, sem as vias marginais, provocando o risco que, já será grande com estas obras, ainda maior quando as vias principais duplicadas da BR forem liberadas. Sem a conclusão deste mínimo, que não nos atende de maneira alguma.

Diante deste quadro, apresentei novo requerimento subscrito por todos os demais colegas vereadores pedindo que o Poder Executivo Municipal, buscasse os meios possíveis para embargar a obra, até que haja uma solução para esse impasse. Já tentamos as vias da negociação, já viajamos a Brasília, já apresentamos projetos e projetos alternativos, mas as respostas sempre foram protelatórias e pouco conclusivas.

 No corpo do requerimento pedi ainda que o mesmo fosse enviado a mídia local e do Estado para que seja denunciado mais uma vez esse ABSURDO CONTRA o nosso povo.

Desde 2005 que venho apelando para que haja sensatez e justiça no trato do DNIT com o nosso Município. O tratamento é desigual e a população está sim exposta a riscos seríssimos. Não sei quantas mortes precisarão acontecer para que haja essa sensibilização. Contudo, não descansaremos nem nos calaremos enquanto a situação perdurar. Na Câmara Municipal pedi para disponibilizar cópias da resposta do DNIT e do que será feito no Município para que mais pessoas possam ter acesso às informações e engajar-se na luta por São José de Mipibu.

De minha parte me ponho à disposição para esclarecer dúvidas e historiar todo o processo, desde a primeira audiência pública até a fatídica resposta do DNIT.

Vamos a luta! "

O Muro da Vergonha, que divide a cidade em duas, foi o motivo do protesto

MATÉRIA DO JORNAL O ALERTA

RODOVIA BR-101: Moradores fazem protesto contra "Muro da Vergonha"

Manchete da primeira página do Jornal O Alerta, setembro de 2010

Adversários entre si, os políticos locais se abraçaram no protesto
Mipibuenses fecharam a BR-101, em protesto contra o Muro da Vergonha
Presidente da CDL , Alcimar Cortez, concede entrevista à imprensa da capital, que fez a cobertura do protesto

Centenas de pessoas paralisaram o trânsito da BR-101, em São José de Mipibu, na tarde do dia 20 de setembro. Eles protestavam contra a forma da execução das obras, no perímetro urbano do município. Os moradores reivindicam melhoria de acessibilidade entre o lado esquerdo da rodovia ( Bairro Novo, Km 38, Lagoa do Bonfim, Mazapas...) e o centro da cidade, que ficou dividido por um muro de concreto, com um metro de altura, que passou a se chamar "muro da Vergonha".

A paralisação do trânsito durou 15 minutos, formando-se longas filas de veículos nos dois sentidos da rodovia. O protesto contou com a participação de moradores, comerciantes, estudantes e políticos que, esqueceram as divergências políticas e se uniram para protestar contra os abusos cometidos pelo DNIT.

Veículos ficaram retidos, nos dois sentidos, enquanto ocorreu o protesto

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de São José de Mipibu 9 CDL), Alcimar Cortez diz que "não somos contra a obra, que é importante mas, questionamos alguns pontos do projeto, por dificultar a travessia dos moradores, entre dois pontos da cidade".

Cortez adianta que o DNIT informa que o projeto irá contemplar, num trecho urbano de quatro quilômetros, apenas uma passarela e um retorno nas proximidades da empresa Coco & Cia. Reivindicamos uma segunda passarela, conforme foi prometido pelo ex-superintendente do órgãos, Dr. Narcélio e que o retorno inclua, também, um semáforo com travessia para pedestre".

"O que pleiteamos não é coisa do outro mundo. Mas que o DNIT só libere a pista principal ao tráfego, somente depois de feita às melhorias prometidas, ou seja, as duas passarelas e o retorno, "diz.

Para o vereador Jamaci Oliveira PMDB), essa é a segunda vez que a comunidade de São José de Mipibu faz manifestação pedindo melhorias nas condições de acesso de um lado para o outro da cidade. Esta manifestação, segundo o parlamentar, é mais uma tentativa de garantir o direito de ir e vir das pessoas.

O vereador diz que pelo menos 10 mil pessoas moram do lado esquerdo de São José de Mipibu, município com 38 mil habitantes, ficarão prejudicados, sem as passarelas e o retorno e com a construção do "Muro da Vergonha" como está sendo chamado, pois para ter acesso à escola, igreja, mercado, feira livre, hospital ou delegacia, terão que pular o muro ou utilizar um retorno a 3 quilômetros.

Jamaci disse que em Canguaretama e Goianinha, devido a indústria canavieira, houve uma preocupação em se construir túneis e passagens de níveis, enquanto São José de Mipibu foi incluido no projeto, apenas uma passarela.

Moradores documentaram o protesto
Mipibuenses se fizeram presente ao protesto

Já o deputado estadual Arlindo Dantas (PMN), presente ao protesto, explicou que, por ocasião de uma visita a São José de Mipibu, do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, ele garantiu melhorar as condições de acessibilidade da população. Por isso a manifestação, que segundo ele, reuniu pelo menos 200 pessoas na tarde de ontem. "Se uma pessoa sofrer um acidente do outro lado da rodovia, quem prestar socorro tem que andar três quilômetros, até o primeiro retorno, e voltar mais três para chegar ao Hospital Regional", contou.

O cadeirante Pedro do Nascimento lamentou que, como não possui transporte próprio, para chegar ao outro lado da cidade tem que ser levado por uma pessoa até à entrada de acesso de Nísia Floresta, a fim de fazer o contorno para o centro de São José.

Cadeirante concede entrevista a uma rede de televisão que fazia a cobertura do evento

Já a servidora pública federal, Maria de Fátima Freire declarou que as pessoas têm de fazer malabarismo para pularem o muro de concreto construído no meio das duas pistas. "O que veio para ser uma solução, está sendo um problema", continuou ela, que chegou a cair uma vez, na tentativa de pular o "Muro da Vergonha".

O DNIT informou por intermédio de sua assessoria de imprensa, que o projeto de duplicação da BR-101 no trecho urbano de São José de Mipibu contempla mesmo uma passarela metálica e um retorno, próximo ao acesso principal do centro da cidade e sinalização horizontal e vertical. De acordo com o cronograma estabelecido, o prazo para a conclusão da obra é dezembro de 2010.

Quanto à construção das marginais, teve um atraso no cronograma do Exército, mas prometera, começar o mais rápido possível. Porém, o prazo para a conclusão das marginais é dezembro de 2010.

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