Conheça a trajetória do padre Tiago Theisen, o ‘apóstolo da Zona Norte’

O padre Tiago Theisen, falecido dia 9, era um sacerdote com grande atuação em Natal, sobretudo na zona Norte.

Após o velório o corpo foi levado a Capela de Santa Cruz, no Igapó, onde ocorreu o sepultamento na própria capela.


Em nota, a paróquia externou solidariedade a todos que conviveram com o sacerdote durante todos os anos. Em 2021, padre Tiago completou 66 anos desde sua ordenação. “Guardaremos em nossos corações as boas lembranças de seu convívio entre nós. A morte é apenas a passagem para a vida eterna. Jesus nos consola”, disse a paróquia, em nota. A Arquidiocese de Natal também se manifestou. “Foi chamado para a casa do Pai, onde contemplará a face de Deus”, afirmou.


Nascido em Namur, na Bélgica, em outubro de 1930 e se ordenou padre ainda na Europa, em 1955, após estudar Teologia e Filosofia. O Rio Grande do Norte entrou em seu caminho por intermédio do arcebispo Dom Nivaldo Monte, que estava no país de Tiago à procura de novos missionários para atuar em solo potiguar.  “Quando cheguei aqui não tenha nada”, afirmou o padre em entrevista à TRIBUNA DO NORTE em novembro de 2018.


E foi nesse cenário que o sacerdote atuou por mais de 50 anos. Ele fundou as paróquias de Nossa Senhora Perpétuo do Socorro, nas Quintas, e Santa Maria Mãe, no conjunto Santa Catarina (bairro Potengi). Nesta última, era Pároco Emérito desde 2010, ano no qual se aposentou. Ainda sobre a zona Norte, participou ativamente da construção de mais de 20 igrejas. Após as construções, atuava em salas de aula com crianças da pré-escola. 


Em março passado, foi homenageado na marca de 65 anos de ordenação. Na ocasião, com a presença de amigos, fiéis e pessoas públicas, expressou sua gratidão pela terra que o acolheu. “Não esperava ver tanta gente simpática. Queria agradecer a tanta gente… inúmeras pessoas que me ajudaram sem pedir nada de volta”, afirmou Tiago na ocasião. Na cerimonia, recebeu uma medalha do prefeito Álvaro Dias.


Conheça a história de padre Tiago Theisen

O ensinamento do padre belga Tiago Theisen, de 84 anos, deixou bem claro por que ele resolveu ir além do falatório na sua missão evangelizadora na periferia de Natal, iniciada em 1968, para dedicar-se a ações comunitárias de educação. Já a opção por trabalhar com crianças nos primeiros anos de vida foi uma decisão que teve a ver com o que aprendeu sobre genética na Université Catholique de Louvain (UCL), na Bélgica, em 1960, quando tinha, então, 30 anos.


“Descobri que o desenvolvimento máximo do cérebro humano se dá dos 2,5 aos 3 anos de idade. É nessa fase que a criança tem que começar a estudar, pois a partir dos 4 anos seu potencial intelectual já começa a murchar e não se recupera mais. É como plantar feijão no mês de maio. Tem que ser em março, ou então perde-se grande parte da safra”, comparou o padre, que no início dos anos 70 começou a por em prática seu ideal, construindo no bairro de Igapó, zona Norte, a escola Pinóquio, o primeiro dos 34 jardins de infância criados por ele em várias comunidades da periferia de Natal e também fora dos limites da capital potiguar.

Todo o trabalho desenvolvido pelo religioso com as crianças das regiões Norte e Oeste de Natal, além de outras importantes atividades comunitárias, estão registradas no livro “Padre Tiago: Obras sociais que contribuíram para a transformação de uma sociedade”. 


Quem

Nascido no dia 23 de outubro de 1930, em Namur, Bélgica, Tiago Theisen é o filho caçula do casal Joseph Theisen e Anna Jonet, que antes teve quatro crianças: Jean Pierre, Louis, Joseph e Julienne.

Em 1949, Theisen entrou para o Seminário de Floreff, ordenando-se sacerdote no dia 31 de julho de 1955. Graduou-se em Filosofia, Teologia, Biblioteconomia, Ciências Religiosas e Humanas e foi estudante livre na Universidade de Louvain na década de 1960, fazendo estágio em Assuntos para a América Latina.  Em 1968, a convite do arcebispo da Arquidiocese de Natal, Dom Nivaldo Monte, veio para o Brasil, onde desembarcou no dia 8 de março num navio cargueiro holandês trazendo 40 malas, 13 contendo livros e medicamentos. Em sua missão religiosa em terras potiguares, construiu 43 igrejas, ampliou seis e quadruplicou a de Igapó. Fundou duas paróquias: Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, no bairro das Quintas (1969), e Santa Maria Mãe, no conjunto Santa Catarina (1982), além de reiniciar a paróquia de São Miguel de Extremoz (1982). Construiu ainda 34 jardins de infância para crianças de três a cinco anos. Sua obra mais edificante.

Da Tribuna do Norte

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