Como o MEC virou reino de pastor da Assembleia de Deus

Pastor Gilmar Santos, da Assembleia de Deus, é apontado como um dos que
intermediam verbas para prefeitos junto ao Ministério da Educação Foto: Reprodução

Protagonista no lobby para liberar verbas da pasta, Gilmar dos Santos, ligado ao ministro Milton Ribeiro, aposta em mistura de milagres e política; em vídeo, outro líder evangélico diz que dinheiro de ministério só com intermediação de pastor.

Protagonista absoluto nos relatos de lobby dentro do Ministério da Educação, o pastor Gilmar dos Santos se apresenta como uma das principais lideranças da Assembleia de Deus do país. Em suas redes sociais, ele diz que há 40 anos prega o evangelho e divulga suas aulas de teologia. Mas sua biografia tem muitas facetas, a começar por sua personalidade marcante. São muitos os vídeos em que ele aparece em pregações intensas em que costuma imprimir um estilo mais neopentecostal, midiático e vibrante: em vez do tradicional “o Senhor é meu pastor”, prefere se referir a “Senhor dos exércitos” e enveredar por temas atuais como a invasão da Rússia à Ucrânia, buscando na guerra semelhanças com profecias bíblicas. Na internet, o pastor Gilmar, casado com a pastora Raimundinha e morador de Aparecida de Goiânia — que junto com Goiânia concentra um terço da população de Goiás — se vende como uma potência de fé e boas frases de efeito e mistura milagres com ações políticas focadas nos irmãos em Cristo.

Pastores do MEC

A performance de Gilmar é espetacular. Ele canta, bate no peito, convoca os fiéis a sentirem a chama do Espírito Santo. Seu jeito incendiário de pregar faz com que muitos comentários de seus seguidores sejam postados com emoji de uma chama. Assim, ele se diferencia. Baixinho, de óculos e cabelos cheios mas sempre escovados, Gilmar galgou um dos mais altos postos adminsitrativos da denominação no país. Hoje ele responde pela CONIMADB (Convenção Nacional das Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil), cuja sede construída recentemente fica no Centro de Goiânia. Ele também traz no currículo o título de diretor do ITCT, um instituto voltado para a formação de líderes religiosos.

Internet nas escolas

Não é para menos que Gilmar funciona como ímã para “pregadores e vocacionados”, como ele mesmo se refere a iniciantes que querem seguir seus passos. Numa de suas falas, ele grita dizendo que ter fé é como ter desejos intensos: “Primeiro, passageiro do espírito, você tem que desejar. Oh, Deus, a minha alma tem sede de ti, a minha carne te deseja”, repete ele olhando para o alto e balançando a cabeça.

Prefeito diz que Pastor pediu 1 kg de ouro em troca de liberação de recursos no MEC

O pastor Arilton Moura, integrante do gabinete paralelo no Ministério da Educação, pediu pagamentos em dinheiro e até em ouro em troca de conseguir a liberação de recursos para construção de escolas e creches. A informação foi dada ao Estadão pelo prefeito do município maranhense de Luis Domingues, Gilberto Braga (PSDB).

Nesta terça, foi revelado um áudio em que Milton Ribeiro, ministro da Educação, diz priorizar amigos de pastores a pedido de Jair Bolsonaro. No áudio, o ministro diz que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

A conversa ocorreu em abril de 2021 durante um almoço no restaurante Tia Zélia, em Brasília, logo após uma reunião com o ministro Milton Ribeiro, dentro do Ministério da Educação.

A existência do grupo de pastores, que ficou conhecido como “Ministério da Educação paralelo”, foi revelada na semana passada, em uma reportagem do Estadão. A Folha de S. Paulo avançou e publicou áudios. 

O deputado Alencar Santana Braga (PT), líder da Minoria da Câmara dos Deputados, apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime pedindo o afastamento de Milton Ribeiro, além da investigação dele e de Jair Bolsonaro. 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente da República, e integrantes da bancada na Câmara intercederam pela manutenção de Milton Ribeiro à frente do Ministério da Educação.

Com informações de O Antagonista

O pastor Arilton Moura, integrante do gabinete paralelo no Ministério da Educação, pediu pagamentos em dinheiro e até em ouro em troca de conseguir a liberação de recursos para construção de escolas e creches. A informação foi dada ao Estadão pelo prefeito do município maranhense de Luis Domingues, Gilberto Braga (PSDB).

Nesta terça, foi revelado um áudio em que Milton Ribeiro, ministro da Educação, diz priorizar amigos de pastores a pedido de Jair Bolsonaro. No áudio, o ministro diz que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

A conversa ocorreu em abril de 2021 durante um almoço no restaurante Tia Zélia, em Brasília, logo após uma reunião com o ministro Milton Ribeiro, dentro do Ministério da Educação.

A existência do grupo de pastores, que ficou conhecido como “Ministério da Educação paralelo”, foi revelada na semana passada, em uma reportagem do Estadão. A Folha de S. Paulo avançou e publicou áudios. 

O deputado Alencar Santana Braga (PT), líder da Minoria da Câmara dos Deputados, apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime pedindo o afastamento de Milton Ribeiro, além da investigação dele e de Jair Bolsonaro. 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente da República, e integrantes da bancada na Câmara intercederam pela manutenção de Milton Ribeiro à frente do Ministério da Educação.

Com informações de O Antagonista

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2 Comentários

  • Didi Avelino disse:

    Ao que parece essa “farra macabra” com o dinheiro público seguirá até às próximas eleições. Tudo em “nome de Deus”.
    E pensar que milhões de brasileiros avalizaram a ascenção dessa gente ao poder… Pobre Brasil.

  • Mauro Santos disse:

    Por partes. A denominação “Senhor dos Exércitos” consta na Bíblia e é muito comum nos meios evangélicos.
    Com relação aos áudios, devem ter provas e não ilações. Provas concretas com dano leva a exoneração e responder na justiça civil e penalmente. Apenas áudios confirmando a conversa sem consumação do fato, deveria levar a exoneração por motivos políticos.
    Por fim, a menção ao Presidente da República não o coloca em qualquer tipo de esquema se não for comprovada qualquer participação deste.
    Na minha opinião, havendo áudios, o Ministro deveria ser exonerado.

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