Casas e casarões de São José de Mipibu (14)

Igreja Matriz de Sant’Ana e São Joaquim – Foto: Marcelo Francisco

A Igreja Matriz de Sant’Ana e São Joaquim é um dos marcos da religiosidade do Estado.
Localizada no centro de São José de Mipibu, possui imagens de grande valor histórico, além do seu padrão arquitetônico de rara beleza.

A presença da Igreja Católica está no berço da história registrada da futura São José de Mipibu. Na verdade, a primeira organização de uma civilização, no sentido ocidental do termo, deu-se por volta do ano de 1630, com a chegada dos Frades Capuchinhos, ao povoamento dos indígenas Mopebus.

Já em 1689, registra-se a construção da primeira capela, que fora dedicada à Nossa Senhora do Ó. Dessa forma, podemos dizer, com certeza histórica, que a formação de uma comunidade católica em solo mipibuense tem muito mais de 300 anos.

Porém, foi somente no ano de 1762, exatamente no dia 22 de fevereiro, que se deu a criação da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim, através de decreto imperial e por ocasião da elevação da aldeia dos Mopebus à condição de Vila de São José do Rio Grande. O nome da vila foi uma homenagem ao príncipe Dom Francisco José Xavier e a São José, pai adotivo de Jesus.

A construção da Matriz atual teve seu início em 1740, foi erguida provavelmente no local onde existia a primitiva capela do século XVII, ou seja, 22 anos antes de tornar-se Sede Paroquial. Entre 1842 e 1894, o Cônego Gregório Ferreira Lustosa ampliou a atual Matriz, construindo as duas torres, os corredores laterais e os dois altares laterais. As duas torres foram concluídas em 1880.

Outra reforma ocorreu em 1957, quando o Monsenhor Antônio Barros, um dos padres de maior e mais frutuoso paroquiado, numa totalidade de 53 anos de serviço nesta terra (1947-2000), fez a retirada dos forros, do assoalho de madeira do coro e das escadas das duas torres, substituindo-os por concreto, permanecendo desta forma até nossos dias.

A Igreja abriga diversas imagens tombadas, inclusive as dos padroeiros da cidade, Sant’ana e São José. A peça mais importante no templo é o lavabo. Peça portuguesa da segunda metade do século XVII que na sua parte superior tem gravada as armas da Ordem dos Franciscano. Algumas dessas imagens seculares foram furtadas e recuperadas, em 1977. Essas são tombadas pelo IPHAN.

A última grande intervenção no prédio foi realizada na administração do Padre Josenildo Bezerra (paroquiado de 2000-2009), o qual empreendeu uma restauração, fazendo voltar a Matriz às suas características originais (retirando os azulejos na cor azul, da parte frontal).

Os últimos dois paroquiados, do Pe. Matias Soares (2010-2016) e do Pe. José Lenilson de Morais, atual pároco, foram marcados pela conservação deste patrimônio histórico, religioso e cultural. Além disso, ambos impulsionaram o crescimento da Festa dos Padroeiros, celebrada entre 16 e 26 de julho de cada ano, bem como o aumento notável do engajamento dos católicos na vida pastoral e missionária da Igreja.

Foto: Nísia Digital

Nestes 260 anos, a Paróquia realizou quatro Congressos Eucarísticos, sendo o primeiro em 1936, o segundo em 1986, o terceiro em 2006 e o quarto em 2012, sempre no mês de outubro. Os congressos foram promovidos na ordem pelos párocos da época: Pe. Paulo Herôncio, Mons. Antônio Barros, Pe. Josenildo Bezerra e Pe. Matias Soares.

Foto: Marcelo Francisco

A Matriz, maior símbolo religioso e arquitetônico de São José de Mipibu, passou por um detalhado processo de restauração em vista do seu ANO JUBILAR, que irá até 26 de julho de 2022. Nesse será inaugurado um ponto de honra e memória perpétua ao Monsenhor Antônio Barros.

Texto: Pe. José Lenilson de Morais – Pároco; Pe. Robson Paulo de Oliveira Silva – Vigário Paroquial e Pe. Jarbas Batista Silva Araújo – Vigário Paroquial


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