Carnaval do passado em São José de Mipibu

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 Pedro Freire – Colaborador do jornal O Alerta (faleceu em 11/01/2008)

Em épocas passadas, mormente nas décadas de 30 a 60 do século XX, os folguedos em homenagem ao Rei Momo, exibidos ao público de São José de Mipibu, eram considerados uns dos mais animados e bem organizados de toda a região Agreste norte-riogandense, segundo afirmações de alguns de nossos contemporâneos que viveram ou ainda vivem em nosso meio.

Durante todo o tríduo, diversos blocos e charangas desfilavam pelo centro e ruas adjacentes da cidade, dentre os quais: Tribos de índios, blocos dos Bichos, Caçadores, Vassourinha, Negra Baiana e diversas charangas, algumas improvisadas de última hora, além de diversos blocos de “papangu”. Todo o elenco que compunha tais folguedos era formado por conterrâneos residentes nesta cidade, engenhos fazendas e outras localidades do município.

O evento tinha início na tarde/noite do chamado sábado de Carnaval, com desfile do tradicional bloco do “Zé Pereira”, acompanhado por um grande número de foliões e ainda com a chegada daqueles blocos carnavalescos que nas ruas do centro e periferia, realizavam o ensaio geral, preparatório ao desfile a partir do dia imediato.

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Durante os três dias de folia, um grande número de pessoas residentes nas comunidades rurais, bem como o público procedente de todos os povoados e fazendas do município mipibuense, das cidades vizinhas e mesmo da capital potiguar, se concentravam na praça principal e nas calçadas das ruas do centro a fim de assistir e aplaudir o cortejo de foliões por ocasião da passagem dos desfiles em diversas direções, com todos os componentes devidamente fantasiados a caráter e de conformidade com e enredo de cada bloco, charanga, etc.

A maioria dos presentes, com o fim de se divertir, se infiltrava no meio dos desfiles em evolução e como “penetra”, tornava-se parte integrante da agremiação que por ali passava. Grande parte dos adultos e adolescentes devidamente acompanhados comparecia aos festejos usando trajes e fantasias próprias para a ocasião, portando sacos de confete, serpentina e outros apetrechos para serem arremessados no meio do público.

A noite, era reservada aos bailes da sociedade local e convidados especiais, sempre realizado em prédio público cedido por autoridade competente, uma vez que naquele tempo, não havia clube social ou associação destinada a bailes ou outros eventos similares.

Com a construção e inauguração do prédio da Associação Esportiva Mipibuense, os bailes de carnaval passaram a ser realizados em seu salão até a década de 80, quando o referido imóvel foi desativado. Vale acrescentar que a maioria das famílias que compareciam aos bailes carnavalescos, portava a tradicional lança perfume, na época de uso permitido, além de confete e serpentina. Em consequência, o ambiente tornava-se ainda mais perfumado e decorativo.

Os Apaches, sob a direção do saudoso Zé Estevão

Uma das principais atrações que desfilava anualmente pelas ruas e bairros da periferia desta cidade, tornando-se a mais apreciada e aplaudida pelo público presente ao evento carnavalesco. Era o bloco organizado por membros das tradicionais famílias Tomés e Matias, residentes na Rua Santana, cuja maioria dos componentes, inclusive, todo o elenco da charanga, era composta por músicos pertencentes à banda de música local.

Graciano, Pajé da Tribo de Indíos Guarani

Aquela agremiação sempre contou com a colaboração do inesquecível “Lola”, idealizador e construtor dos famosos bonecos gigantes, com as características de figuras lendárias ou históricas alusivas ao enredo daquele bloco.

Recordo de dois deles: O boneco Cariri (nome de uma nação indígena que viveu no sertão nordestino) e Maria Bonita (figura histórica pertencente ao cangaço de Lampião). A penúltima modalidade daqueles tipos de figuras exóticas foi organizada por trabalhadores do Engenho Olho D’ água, cujos foliões acompanhavam o elemento que dançava no interior de uma enorme garrafa com o rótulo daquela apreciada cachaça da terra, estampado em sua parte externa.

Também desfilava, sempre pelas manhãs e percorrendo diversas ruas desta cidade, uma turma de “papangus”, composta por jovens mascarados e até com a cara limpa, representando figuras exóticas, lendárias ou do anedotário popular, ou então usando máscara formando a cabeça de algum animal da fauna brasileira.

 Finalmente, o conterrâneo José Corsino organizou e fundou o bloco “Gabriela”, às suas expensas e sem contar com qualquer ajuda material ou financeira de terceiros. Teve sua primeira apresentação em 1984 e tinha à sua frente a caricatura de uma enorme boneca, simbolizando seu enredo. Era acompanhado por instrumentos de percussão tocados por seus componentes. Segundo o próprio Corsino, o bloco desfilou em São José até 1992, ano em que a boneca foi emprestada para um desfile realizado em Natal, ocasião em que o seu condutor em estado de embriagues, caiu e quebrou aquela preciosidade e por consequência, o bloco foi dissolvido e extinto.

Bloco “A Gabriela”

Não posso deixar de mencionar a atuação de duas agremiações carnavalescas, fundadas no passado e que desfilavam durante o tríduo momesco em nossa cidade. Citarei em princípio, a tradicional escola de samba local, organizada em 1959 com o nome primitivo “Corsários do Amor”, mais tarde, “Corsários do Samba” e depois “Falcão Negro” para, finalmente, receber o nome de “Malandros do Samba”, composta por porta-bandeira, alas de sambistas, passistas e baianas e uma bem organizada bateria, tudo sob o comando do seu diretor, o carnavalesco Valdir Cabral.

Valdir Cabral (in memoriam), diretor da Escola “Malandros do Samba”
Manoel dos Móveis, folião da Escola Malandros do Samba

Em seguida vem o bloco “Kassakus”, fundado há 30 anos, composto por abnegados jovens, amantes do carnaval de rua e que desde a sua fundação foram se revezando por algumas circunstâncias e substituídos por aqueles desejosos de entrar na folia e dar continuidade ao simpático bloco motorizado da comunidade, que todos os anos engrossa as suas fileiras e possuia um seleto elenco, aplaudido efusivamente pela nossa comunidade.

Bloco “Os Kassakus”

Não podemos nos esquecer do bloco puxado pelo simpático carnavalesco Abel Izaías na qualidade de porta-bandeira, muito aplaudido também. Rendo a minha homenagem ao saudoso mipibuense “Perninha”, falecido no ano passado e que foi o último comandante do Bloco dos Bichos, em atividade até o final do século passado.

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O saudoso Abel Izaías

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3 Comentários

  • José Olavo Ribeiro disse:

    Boas lembranças das festas na Associação, assim como, dos blocos e escolas de samba!

  • Angela disse:

    Teve também um bloco chamado magnatas composto por jovens que se divertiam ao som de instrumentos de sopro, em uma carroça puxada por um trator , que durante o dia fazia vários “assaltos” nas residências do centro e nos arredores da cidade e terminava a folia, a noite, na associação.

  • Elino Ribeiro disse:

    Também tinha o bloco dos marinheiros

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