Capela de São Sebastião, da comunidade de Laranjeiras dos Cosmes

Francisco Felipe da SilvaEstudante e morador de Laranjeiras dos Cosmes

A Capela de São Sebastião, na comunidade de Laranjeiras dos Cosmes, em São José de Mipibu, completou 80 anos no início deste mês de setembro, com um triduo festivo.

A história da capela teve início no ano de 1941, com a sua fundação, marcada pela união, perseverança e fé do seu próprio povo.

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O terreno onde hoje é a capela, bem como, toda a extensão da rua da Campina, foi uma doação da Sra. Nana Ferreira que, após ganhar uma causa judicial pela referida terra, resolveu doar as terras para construção da capela, ou melhor, para a “Santa”, como assim é comumente falado pelo povo da comunidade.

 A CONSTRUÇÃO

A capela foi erguida com a força e determinação dos próprios moradores da comunidade, inclusive, o material, como tijolos, telhas e madeiramento que teve sua matéria-prima extraída da mata próxima à comunidade e, depois preparada pelos moradores, que muito ajudaram na realização e edificação do local da futura capela.

A argila (barro) extraída para a produção dos tijolos e telhas foi retirada da lagoinha, que existia na propriedade do Sr. Calazans (atualmente, a propriedade pertence a outra pessoa), que é inconstante. No verão ela seca e some, já no inverno, com as chuvas, reaparece.

As pedras usadas para o alicerce e demais estruturas de concreto, foram extraídas da Baixa da Lagoa da Catuamba, situada na propriedade do Sr. Janilson Ferreira. As mulheres eram responsáveis por trazer da lagoa até o local onde viria a ser a Capela de São Sebastião.

Os tijolos eram produzidos na casa do Sr. Didico, e carregados em carroça puxada por boi, de propriedades do Sr. Chico, Sr. Porfílio, Sr. Luiz de Joana e tantos outros moradores da localidade. O pedreiro responsável pela construção foi o Sr. João Soares, o único pedreiro da comunidade, naquele tempo.

AS CAPELAS

Antigos moradores relatam que antes da Capela de São Sebastião ser construída, a comunidade de Laranjeiras dos Cosmes já havia tido outras duas capelas, e que tinha como padroeira a Imaculada Conceição. Os responsáveis pela segunda capela era a família do Sr. Olinto, que ao se mudar da comunidade deixou a responsabilidade do casal Manoel Firmino e a esposa dona Zulmira que, posteriormente, foram as principais figuras e responsáveis pela nova capela, atualmente dedicada a São Sebastião.

DOIS PADROEIROS

O surgimento de São Sebastião como padroeiro da comunidade é muito questionado, já que relatos e fatos levam à certeza de que Nossa Senhora da Conceição era a verdadeira e primeira padroeira da comunidade.

Nossa Senhora da Conceição

São Sebastião começou a ser considerado  padroeiro de Laranjeiras dos Cosmes através da tradição do povo em festejar  a sua memória litúrgica, no dia 20 de janeiro.

São Sebastião

Há uma história, de uma promessa feita por um membro da família Genuíno que, após a graça alcançada, fez a doação da imagem do valoroso Mártir São Sebastião, esculpida em madeira e em estilo barroco. A partir daí, os moradores e aos fazendeiros da região começaram a festejar a data do “santo” com bonitas festas, que por anos atraiu pessoas de outras cidades como, Brejinho, Lagoa Salgada, Vera Cruz, Boa Saúde…

Hoje, a imagem de São Sebastião, é guardada e zelada, pela Sra. Graça Bezerra, que além de Ministra Extraordinária da Comunhão Eucaristia, também é grande colaboradora e zeladora da capela.

Ex-vereador Sargento Dudu e a professora Graça Bezerra

As tradicionais festas de São Sebastião passaram a ser bem organizadas, tendo como principais eventos populares as serestas, banda, apresentações, parque de diversão, leilão e vaquejada, tudo isso fez com que a festa se popularizasse e atraísse pessoas de fora. Atualmente, as festas dedicadas ao santo padroeiro, são tradicionalmente festejadas entre os dias 14 a 20 de janeiro. 

Eudina Brandão de Souza, responsável pela organização dos eventos da capela

O SINO E O CRUZEIRO

Como toda igreja antiga tem boas histórias populares para contar, a capela de Laranjeiras dos Cosmes, também, tem as suas. Eis uma delas:

Como a história do sino, que era muito conhecido pelo forte som de suas badaladas, que se ouvia até nas cidades e comunidades vizinhas, como, Monte Alegre, Caieiras, Retiro, dentre outras. Este mesmo sino participou de uma competição que foi realizada durante a festa dos padroeiros da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim, em São José de Mipibu.

A competição reuniu os sinos das capelas da paróquia de São José de Mipibu e o mesmo o da capela de Laranjeiras dos Cosmes, foi vencedor desta competição por ter a badalada mais forte. O então, pároco da época, monsenhor Antonio Barros, quis entronizar o sino na torre da Igreja Matriz, na sede do município, porém, o povo de Laranjeiras dos Cosmes não permitiu, e assim, o sino retornou à capela.

Com o passar dos anos, o sino rachou e foi levado para uma restauração e nunca mais voltou para capela e para seu povo que tanto o apreciava e tinha zelo.

Também há uma história (ou estória?), do sino que badalava sozinho durante a madrugada e, por vários dias, atormentou e assombrou o povo da comunidade. No final, descobriram  que tudo não passava de uma travessura de um rapaz conhecido por “Cachorro Magro” que amarrou um fio de nylon no badalo do sino até a sua casa e de lá tocava-o nas madrugadas.

Também há a história do cruzeiro, que apesar de ser localizado na frente da capela, não fazia parte do projeto inicial da construção. Na verdade, o cruzeiro é um memorial erguido em homenagem a uma vítima de assassinato, que a pedido de sua noiva, foi erguido naquele local, onde fora depositado o sangue da vítima.

Cruzeiro da capela de Laranjeiras dos Cosmes

A VISITA DO FREI DAMIÃO

Frei Damião quando de passagem pela região, fez uma visita à comunidade. Esse momento histórico e marcante é relatado pelos moradores mais antigos. A visita durou três dias, realizando as missões que o frade capuchinho fazia pelo interior nordestino, confessando, rezando, pregando, evangelizando, celebrando a Santa Missa e distribuindo os demais sacramentos.

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O frade ficou hospedado na casa do casal Manoel Firmino e dona Zulmira. Um fato marcante relatado por moradores foi a procissão acompanhada por Frei Damião, onde ele, em determinado local da comunidade não prosseguia o trajeto do trajeto que levaria a cidade vizinha de Monte Alegre. Em determinado momento orientou aos fiéis retornar com a procissão e seguir por outro caminho. Contam os mais velhos, que Frei Damião costumava sumir, misteriosamente, à noite e, na manhã seguinte. o encontrava  na capela, prostrado diante do altar, fazendo suas orações.

MARCAS NA HISTÓRIA

No decorrer desses 80 anos, a capela contou com inúmeras pessoas, que contribuíram e zelaram por nosso “pedacinho do céu”, entre elas: dona Nana Ferreira, que doou o terreno onde foi erguida a capela; o Sr Manoel Firmino e dona Zulmira, primeiros colaboradores e zeladores da capela e, posteriormente, sua filha, dona Dadá, que por anos entregou-se ao zelo do lugar; dona Glorinha; dona Olindina (ilustre figura, conhecidíssima e muito respeitada, até mesmo pelas pessoas que não tiveram a oportunidade de conhecê-la), que ao lado do também saudoso monsenhor Antonio Barros, a quem tinha enorme respeito, deixou seu legado por ter sido grande zeladora da capela.

Dona Olindina Ferreira Rocha,
zeladora da capela, por muitos anos

Hoje, só restam memórias, lembranças a eterna gratidão a essas pessoas que foram e sempre serão colaboradores e parte história da Capela de São Sebastião.

2 Pessoas comentaram
Manoel Evangelista

Linda história e também tive um pouco de passagem juntamente com o Monsenhor Antonio Barros, figura que lembro com muito apresso.

João

Que eu saiba, dona graça não é zeladora da capela não. Temos um conselho que cuida da capela ela só é Ministra da eucaristia.

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