BATMAN – O Cavaleiro das Sombras da noite

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

As Revistas em Quadrinhos foram parte integrante da minha infância e adolescência contribuindo para aprimorar o meu gosto pela leitura e pela escrita. Os anos passaram, tornei-me adulta, mas não perdi o hábito de procurar nas bancas e revistarias da cidade, os gibis que fizeram parte da minha infância. Desse modo, ainda leio, sempre que posso, as revistinhas que fizeram parte do meu universo infantil e durante a leitura um pensamento me vem à mente: De como o mundo atual precisa de um super-herói.

Também fui grande leitora das aventuras de Tarzan, Zorro, Aquaman e Fantasma, entre outros heróis que figuravam nas revistas da época. O que eu mais admirava no universo dos quadrinhos, era o fato de que todos estes heróis defendiam valores pouco vistos na atualidade. Eles lutavam pela verdade, pela justiça, pela paz mundial e, sobretudo, lutavam pela liberdade. O curioso é que na maioria das vezes, as pessoas sequer ficavam sabendo que o mundo estava em perigo e dormiam tranquilamente enquanto os super-heróis lutavam para que o universo permanecesse em paz.

Com o passar dos anos, novos heróis foram surgindo e assim descobri a existência do Quarteto Fantástico, Capitão América, Superman, Arqueiro Verde, Demolidor e Batman – o Homem Morcego. Mas, os super-heróis que se destacam na minha preferência, são justamente o Fantasma, Demolidor e Batman, por serem heróis desprovidos de superpoderes valendo-se única e simplesmente de sua inteligência no combate ao crime.

Considero fantástica a história de Batman, um homem que teve sua infância marcada pela perda trágica dos pais, mas conseguiu, à duras penas, superar o trauma vivido para tornar-se um defensor da lei e da ordem em Gotham City. Também considero admirável a forma como ele consegue dominar o seu trauma em relação aos morcegos e acaba por transformá-los em seu símbolo. Como todo super-herói que se presa, Batman esconde sua identidade, para dessa forma ter condições de lutar contra os bandidos que infestam a cidade onde vive.

Lutar contra a violência e a injustiça tem um preço alto a ser cobrado e desse modo, apenas seu fiel mordomo, Alfred, conhece sua verdadeira identidade. Batman, portanto, leva uma vida solitária. Ele, assim como os outros super-heróis, não pode ter uma namorada ou uma esposa como os seres humanos mortais, para não colocar a vida dela em risco. Por esta razão acaba por se tornar um dos solteirões mais cobiçado das histórias em quadrinhos, assim como passa a ter sua masculinidade questionada.

Batman ou Bruce Waine com seu fiel mordomo Alfred (esq.)

Batman ou Bruce Waine é um sujeito rico, bonito e extremamente inteligente. Depois de presenciar o assassinato de seus pais, ele viaja pelo mundo aprendendo todas as técnicas de lutas, bem como aperfeiçoando sua capacidade mental e física. Homem feito, retorna a Gotham City disposto a lutar contra o crime, o que faz em memória dos seus pais. Mestre em Química, torna-se um excelente detetive e acaba por se tornar um gênio no campo da investigação.

Assumindo o comando das empresas da família, a Entreprise Wayne, ele se vale do seu grande poder econômico para financiar pesquisas tecnológicas, que o auxiliam no combate ao crime. Assim, por não conhecerem suas reais atividades no combate ao crime, as pessoas veem em Bruce Wayne, o herdeiro de Thomas e Martha Wayne, apenas um playboy arrogante, fútil e perdulário, sem saber que é graças a ele que a população de Gotham City dorme sossegada.

Batman é um sujeito bom, justo, extremamente ético e jurou combater o crime. Portanto, mesmo tendo a oportunidade, ele jamais vai tirar a vida do seu pior inimigo – o Coringa. O vilão palhaço e louco, que mata por prazer, para desafiar Batman e a Justiça. Porém, suas provocações não são levadas em consideração. Toda a maldade praticada pelo Coringa é punida pelo Homem Morcego que sempre o captura e o leva à prisão, embora sabendo que ele tornará a fugir. Matá-lo seria mais prático e fácil. Mas, isto o Batman jamais fará.

Afinal, matar qualquer ser, vai contra o seu código de ética. Ele não é capaz de fazer justiça com as próprias mãos, porque isto o deixaria no mesmo nível do bandido. Matar o Coringa livraria a população de Gotham City de conviver com o medo e assassinato de tantas pessoas inocentes. Mas, caso esta morte ocorresse pelas mãos do Homem Morcego, ele estaria nivelado ao criminoso no que diz respeito à vilania, crueldade e se tornaria mais um bandido, classe à qual ele jurou combater. (NL 02/10/2021)

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