José Alves

Governo paga primeira parcela do 13º para a esta terça-feira (30)

A governadora Fátima Bezerra anunciou o pagamento, nesta terça-feira (30), da primeira parcela do décimo terceiro salário de 2021. Será pago 30% do valor para todas as categorias da administração direta e indireta, independentemente da faixa salarial, entre ativos, inativos e pensionistas. Os 70% restantes serão pagos até o dia 23 de dezembro para quem recebe até R$ 4,5 mil (valor bruto). Quem recebe acima desse valor receberá o restante do “décimo” no próximo dia 4 de janeiro.

Com isso, o Governo injetará na economia potiguar mais de R$ 300 milhões apenas neste dia 30 de novembro, sendo aproximadamente R$ 120 milhões referentes à primeira parcela do 13º salário e R$ 190 milhões da conclusão da folha de novembro. “É um esforço empreendido nestes três anos de gestão que, além de cumprir com uma obrigação que há quase oito anos era descumprida por gestões anteriores, ainda reaquecemos a economia e mantemos a dignidade do salário em dia ao trabalhador”, frisou o secretário estadual de Planejamento e das Finanças, Aldemir Freire.

A segunda parcela do salário de novembro e as duas parcelas de dezembro estão mantidas nas datas pré-estabelecidas junto a representantes de classe no início do ano, com adiantamento integral dia 15 para quem recebe até R$ 4 mil e toda a categoria da Segurança Pública, e parcelado em 30% no dia 15 e 70% ao fim do mês para quem recebe acima desse valor. Pastas com recursos próprios recebem o salário integral também dentro do mês trabalhado, no último dia útil.

Hermano reúne gestores e sociedade para discutir medidas de revitalização para Lagoa do Bonfim

Fotos: Eduardo Maia

Com a presença de representantes dos principais órgãos relacionados à gestão e política de recursos hídricos do RN, além de prefeitos, vereadores e representantes de áreas de proteção ambiental e de turismo, o deputado Hermano Morais (PSB) realizou na sexta-feira (26) uma audiência pública para discutir as medidas necessárias para revitalização da Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta. A audiência foi de forma híbrida, a partir do auditório Assembleia Legislativa.

“Saio daqui esperançoso de que estamos no caminho certo e irei prosseguir cobrando e fiscalizando como é o papel do Poder Legislativo, no sentido de fortalecer esse trabalho não só em favor da Lagoa do Bonfim, mas de toda a questão hídrica do nosso Estado”, disse Hermano.

O parlamentar afirmou que o assunto requer uma política permanente a fim de preservar a lagoa tanto para os que ali residem, quanto para as atividades que são geradas no seu entorno. “Temos que interagir mais, buscar soluções mais próximas de curto e médio prazo, sem perder de vista projetos como, por exemplo, a dessalinização da água do mar, já utilizado com sucesso em alguns países”, afirmou.

A Lagoa do Bonfim está com um dos níveis de reservatório mais baixos de sua história segundo dados do Instituto de Gestão das Águas do RN (IGARN). A captação das águas é feita pelo Sistema Adutor Monsenhor Expedito há mais de 20 anos, fornecendo água para cerca de 30 municípios do Agreste Potiguar, incluindo mais de 200 comunidades rurais.

O prefeito de Nísia Floresta, Daniel Marinho, afirmou que o município tem um potencial aquífero gigantesco e que é preciso buscar uma solução imediata. “A lagoa nos abastece com água de boa qualidade e além disso é um ponto turístico que traz desenvolvimento e geração de emprego e renda, com condomínios de alto padrão no seu entorno e uma visibilidade turística muito grande”, disse. O prefeito alertou para os desvios de água que existem ao longo da adutora. “Nem toda água captada na lagoa é destinada para o que se deveria e todas as demais lagoas que compõem o sistema lacustre estão secando, baixando lençol freático da região”, alertou. O prefeito citou que será realizado um estudo a médio e longo prazo para diagnóstico da real situação, mas que enquanto isso é necessário uma solução “mais imediata”.

O presidente da Caern, Roberto Sérgio Linhares, afirmou que a empresa está o tempo inteiro atenta à questão da lagoa, mas o problema é “complexo e não envolve apenas uma variável. Ele explicou que a companhia já adota o sistema de rodízio de até 15 dias e juntamente como o IGARN e municípios, intensificando a fiscalização. Ele disse que devido à escassez das chuvas em 2021 a captação da lagoa vai se dar num nível bem inferior ao que se tem hoje. “Estamos nos movimentando e fazendo todo o possível para amenizar a situação, estamos junto na busca da solução mas o problema é complexo”, disse

Os usos não regularizados e o aumento de empreendimentos na região foram apontados como agravantes do problema pelo diretor presidente do IGARN, Francisco Auricélio. O órgão é o responsável pela regularização dos usuários por meio das outorgas de uso da água e licenças de obra hidráulica.

Gestora da Aba de Proteção Ambiental Bonfim (APA), Liana Sena cobrou mais transparência e informação por parte dos órgãos e entidades. “Nossa entidade foi criada justamente com esse objetivo de proteger os mananciais e queremos reforçar que as medidas e caminhos tomados para gerir as águas cheguem a cada vez mais pessoas”, observou.

O diretor de Operação e Manutenção da Caern, engenheiro Thiago Índio Brasileiro, fez uma explanação das ações que a companhia vem fazendo para mitigar o problema: “Essa é uma questão que muito nos preocupa, tanto pela questão do abastecimento, quanto pelas pessoas que ali habitam”, disse. Ele citou o plano de ação com fiscalizações pontuais e a elaboração de um projeto macro para atender as 30 cidades e as cerca de 285 mil pessoas que precisam de água. Ele afirmou que uma das medidas será reduzir em 50% a captação da lagoa, que vem sofrendo constantes danos com as construções irregulares sobre a adutora, danificando o sistema.

Professor da UFRN e especialista em recursos hídricos, João Abner disse que o assunto é preocupante. Ele disse que acompanha as ações da Caern e que a solução do problema não passa apenas por “questões técnicas, mas por política também”. Ele defende a criação urgente de um comitê gestor. “A Caern está agindo muito bem, tem um excelente quadro técnico e já fez muita coisa, mas é preciso ação política”, observou.

Representando a Associação dos Amigos da Lagoa, Haroldo Lopes teceu críticas por falta de manutenção e atenção ao problema ao longo dos últimos 30 anos. “Poderia ter feito mais, como consertar poços e encanação”, disse.

Falando pelo Ministério Público Estadual (MPE/RN), Jane Lima, sugeriu um reordenamento e adequação para que a utilização da água se dê de forma mais sustentável. “Esse problema precisa ser pensado de forma macro, um planejamento pros próximos 25 anos, de como vai estar essa lagoa. É muito importante a volta do uso dos mananciais locais, dos poços, para que essa demanda seja diminuída, porque ela precisa de um prazo pra se readequar à nova ordem da sociedade”, considerou.

A cobrança quanto à cobertura de saneamento básico em Nísia Floresta, que não avaçou, foi feita pelo membro do Comoitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pitimbu, Gustavo Szilagyi. Ele afirmou que se passaram quase 20 anos e nada foi feito. “Nísia Floresta continua com zero cobertura de esgotos, Parnamirim muito pouco e em Natal a promessa é que até 2022 tenhamos cobertura 100%”, disse.

Uma outra grande preocupação do comitê, segundo ele, é a quantidade de poços clandestinos existentes. “Há muitos poços clandestinos retirando água para irrigar culturas de cana de açúcar, para botar em viveiros de camarão e barreiros. E ,hoje os condomínios de luxo que estão sendo licenciados, estão usando essa água de abastecimento humano para fazer paisagismo”, denunciou.

Também participaram da mesa de debates o vereador Juscyer Correia, de Nísia Floresta, o coordenador de meio ambiente da Semarh, Robson Henrique Pinto da Silva, o representante do Idema, Aluízio Anderson Nunes e Molga Freire, representando a Setur.

Multas de trânsito: quais os três direitos que você tem e não sabe

É garantido pela Constituição Federal a todo cidadão a ampla defesa. Isso inclui seu direito de recorrer de multas de trânsito. Ao exercê-lo, há chance de cancelar uma penalidade que pode ter sido aplicada de forma injusta.

Os condutores brasileiros, ao cometerem infrações em relação às leis dispostas pelo Código de Trânsito Brasileiro, recebem como punição mais comum a multa.

Antes de realizar o pagamento de uma multa, o motorista possui um prazo para envio de recurso. E caso haja o pagamento da multa, ainda assim é possível enviar recurso. Desde que sejam respeitados os prazos concedidos pelos órgãos de trânsito responsáveis.

Mas existem três direitos que nem todo mundo conhece e são fundamentais na hora de recorrer a uma multa de trânsito. Vamos listar a seguir:

Fornecer cópia do auto de infração

O Auto de Infração é um documento que tem caráter de punição e que pode ser questionado na esfera administrativa e judicial. A obrigação do Auto de Infração está presente no Artigo 280 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

Você levou uma multa na rua? Quando um agente de trânsito visualiza uma infração, o profissional tem a obrigação de lavrar um Auto de Infração. Este é o documento gerador do processo recursal e das penalidades dela decorrentes.

No momento em que o condutor é autuado, ele pode ou não assinar um documento de ciência do processo. E a multa cabe recurso.

O agente deve anotar a placa, a marca e a espécie do veículo. Também não é obrigatória a anotação do CPF ou RG do condutor. Porque o fiscal deve anotar apenas o nome do condutor, o número do registro da CNH e o estado onde tal documento foi expedido. Contudo, você tem direito a ter acesso a uma cópia desse auto.

Ter acesso à decisão que indeferiu a sua defesa

O cidadão tem que tomar conhecimento sobre quais os argumentos que indeferiram o seu recurso.  Para isso, ele deve se dirigir  ao órgão que indeferiu a sua defesa e solicitar vistas no processo, para saber o(s) motivo(s) do indeferimento.

A partir daí, entrar com recurso junto à JARI do mesmo órgão, obedecendo ao prazo estipulado na Notificação de Penalidade, que é o mesmo do vencimento para pagamento da multa.

Se o recurso for também indeferido, o cidadão ainda pode entrar com um recurso ao CETRAN (para multas de órgãos estaduais ou municipais) ou CONTRAN (para multas da PRF), em até trinta dias após o recebimento do resultado do seu recurso à JARI.

Pedir diligências

O que isso significa? Solicitar que o órgão de trânsito junte ao processo algum documento que o cidadão não tem acesso, mas que está de posse do órgão de trânsito. Um exemplo pode ser o laudo do Inmetro para saber se o equipamento está aferido.

O Detran é obrigado por lei a fornecer e providenciar esses documentos, inclusive de outro órgão de trânsito que tenha a ver com o processo.

Ana Luzia Rodrigues – Jornal Contábil

Roteiro não oficial e o encontro com alguns artistas mipibuenses

          

Gutenberg Costa – Escritor, pesquisador e folclorista.

Quem me conhece sabe que não gosto dos ditos roteiros oficiais. Esses, geralmente, esquecem o lado cultural popular, acredito até que propositalmente excluem os lugares simples, como as feiras e os mercados. Acham que todo turista é besta e não gosta de cultura popular. Ver o povo com nossa cara e sua história de vida é o que gosto. Nada arrumado antes para inglês ver como bonito e maquiado. Hoje vou relatar resumidamente um passeio que fiz ao lado de amigos. O escritor e arquiteto Nilo Emerenciano, como assim resume o seu enorme currículo, o qual ainda abrange: contista, cronista, pesquisador e escritor. A contista, escritora e jornalista Rosália Figueiredo e o jornalista e meu editor Dedé do Alerta, como gosta de ser chamado. Foi com esse ‘trio ternura’ que formei o ‘Quarteto em Cy’ e fomos, no sábado passado, as terras do barão de Mipibu.

‘Quarteto em Cy’ – Dedé do Alerta, Gutenberg Costa, Rosália Figueiredo e Nilo Emerenciano, no City Tour por São José de Mipibu

Histórias para mil e umas noites. Dessa vez, peço licença ao meu bom barquinho para contar as visitas aos três artistas de São José de Mipibu. Chão dos ancestrais do meu saudoso amigo, artista plástico e irrequieto humorista Arruda Sales. Já dizia o genial escritor carioca Antonio Callado: “… me controlo para não espichar a história”. Quando converso, aviso logo aos sofridos ouvintes que bebi água de chocalho quando criança em Pendências/RN. Ao escrever, peço a minha revisora, Elaynne Camilla, que corte a metade da história, se não ninguém aguenta chegar ao fim. Mas, juro que hoje, vou ser curto, como rabo de porco.

O primeiro artista que visitamos foi o senhor Alberto Job, popularmente chamado de ‘Beto’, com 59 anos de idade (inclusive, seu aniversário é hoje!). Filho da artesã do barro que ficou conhecidíssima como dona Marta Job. Conheci sua mãe no início dos anos 90, levado pelo saudoso mestre Deífilo Gurgel e acompanhado do amigo folclorista Severino Vicente. Na ocasião, ainda trabalhava em suas peças, criações inspiradas na cultura popular. Tempo no qual não havia a famigerada interferência artística chamada de ‘visual de marketing comercial’. A peça vinha da cabeça da artista com criatividade, sendo parte de sua vida e de seu mundo. Ainda adquiri algumas peças da mestra, como quartinhas, jarras e máscaras. Aos trancos e barrancos, o mestre Beto Job resiste a venda comercial e podemos ver em sua oficina/atelier de vendas casais de cangaceiros, santos e bois.

Máscara em cerâmica. Arte da saudosa artesã Marta Job, de São José de Mipibu Acervo: Gutenberg Costa

Seu ponto fica bem próximo a feira e a igreja católica. Quase não recebe turistas vindos dos ditos pacotes. Sobrevive de sua arte, gosta de conversar e fazer novas amizades. Ficou emocionado quando lhe falei de sua mãe e seu respeito pelo mestre folclorista Deífilo, quando esse apresentou a dois novos folcloristas. É uma pena que não disponha de um catálogo bem feito e colorido retratando um pouco da história e das obras em barro de ambos.

Prefeitura Municipal deveria elaborar um catálogo com os trabalhos dos artistas de São José de Mipibu

As histórias das cidades são, inegavelmente, as histórias de seus aguerridos e sofridos artistas. Muitos mais conhecidos fora dos que os que detém o poder transitório local. Aprendi com os meus mestres, (Veríssimo de Melo e Deífilo Gurgel) a visitá-los antes de qualquer outra autoridade municipal: “Vá logo nas casas dos artistas, dos mestres, das mestras e brincantes do folclore!”. Assim, segundo eles, era a regra dada através dos sábios ensinamentos do velho mestre folclorista Câmara Cascudo.

Ainda na conversa/visita ao referido Alberto Job, fomos apresentados ao artesão conhecido como seu Manuel. Todos os dias está ali trabalhando nas suas belíssimas peças em madeira. Esse faz de tudo que a imaginação e suas ferramentas permitem tomar forma para nossos olhos. Nenhum abalizado e estudado crítico arranja palavras para definir a arte e esses artistas autodidatas, inspirados talvez por seres divinos. Geralmente, morrem pobres e esquecidos. Pouquíssimos assinam suas criações, como Alberto Job e seu Manuel. Ou como gosta de ser chamado: ‘Manel’. Eles nem sonham que os espertalhões compram suas artes a preço de banana e, depois de uma pintura ou retoque, são revendidos a peso de ouro em lojas chiques de shoppings modernos das grandes cidades. Sempre reconheço a diferença dos compradores honestos dos ditos atravessadores da arte popular. Os últimos são agiotas, tipos inescrupulosos que ganham e vivem muito ricos com o repasse da bela arte dos pobres e sofridos artesãos nordestinos.

Gutenberg Costa e o artesão Beto Job

A terceira visita foi a casa do artista plástico autodidata Estelo. Famoso pelo nome, apontado pelo casal de amigos jornalistas e escritores Vicente Serejo e Rejane Cardoso. Essa, enquanto presidente da Fundação Capitania das Artes de Natal, proporcionara uma exposição ao citado artista. Sua fama ultrapassou as fronteiras do RN, mas, como quase todo artista primitivo e sem condições financeiras, continuou pobre e esquecido em um conjunto habitacional de São José de Mipibu, região agreste potiguar. Casado, com filhos e netos. 68 anos de idade, aparentando até menos, apesar das doenças que lhe atormentam há anos, principalmente a coluna. Aposentado, com um salário mínimo, que mal dá para sua medicação diária e constante.

Gutenberg Costa atento as narrativas do artista primitivista Estelo

Mostrou-nos dezenas de quadros espalhados em suas paredes, retratando igrejas, casarões, engenhos e fazendas da região Agreste. Muitos foram cenários de suas lembranças de infância e adolescência. Foi o que se pode denominar um menino que viveu como pobre e brincando feliz nas cercanias dos engenhos e fazendas. Não como filho de proprietário, mas como criança de trabalhadores dessas. Na saída, em sua calçada, me confidenciou o seu grande sonho de velhice: “Eu só queria mesmo era ter condições de, antes de morrer, comprar um sitiozinho para poder plantar uma roça. Colher minhas verduras e as fruteiras todos os dias. Nada mais!”.

E o referidos quadros do Estelo estão, segundo o próprio, nas paredes há anos sem que apareçam compradores. Que situação, meu Deus! Devido a precariedade da sua saúde, quase não vem pintando seus casarões vistos na infância. Embora, de um modo ou outro, o artista ainda sonha e quer se isolar do agito dos dias atuais para viver em paz e quem sabe produzir mais em sombras frutíferas de um pequeno sítio…

Capa do livro Estelo de Mipibu, de autoria do brasiliense José Carlos Gentili

O mesmo confidenciou-me ainda que é meu leitor e admirador antigo e sua mãe também se chamava ‘Maria Estela’, como a minha. Apontou o retrato em preto e branco emoldurado em sua parede com orgulho nos olhos marejados de lágrimas: “Ali, meu amigo Gutenberg, está a maior riqueza que eu tinha na minha vida, a minha mãe, dona Maria Estela!”. E em nossa despedida, a qual espero que seja breve, prometi sempre voltar para tomar a sua água e café, como também para conversar mais e saber de outras histórias de sua vida. Seu passado alegre, rico e sofrido ao mesmo tempo. Histórias que tão bem encheriam um grandioso livro de memórias.

Trabalhos de Estelo e foto de sua mãe Maria Estela (em detalhe)

Seria bom que as prefeituras agraciassem os seus artistas populares com pensões vitalícias. E como eles me dizem em suas simplicidades: “O pouco com Deus é muito!”. Não são muitos e representam a história cultural e artística das cidades. Nada que possa falir as administrações. E para terminar hoje, confesso aos leitores desse domingo, que saí da casa do grande artista Estelo, um tanto abalado emocionalmente, sabendo que tivemos duas riquezas no passado e hoje somos dois homens de cabelos grisalhos sem as amadas ‘Marias Estelas’ a embalar nosso sono, com seus relaxantes cafunés e suas sonoras e divinas cantigas de ninar…

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Gutenberg Costa, Estelo, Nilo Emerenciano e Rosália Figueiredo

                             Morada São Saruê, Nísia Floresta/RN.

BANDIDO BOM

Nilo Emerenciano – Arquiteto e escritor

A crítica está se derramando em elogios a um filme chamado Vingança & Castigo, um oeste lançado pela netflix como se fosse uma renovação do gênero. Sei não. Um velho fã de oestes como eu, que lamenta não haver novos cowboys ocupando as telas, olha atravessado para essas tentativas de renovação que descaracterizam completamente a fórmula mocinho x bandido x índios. Sou do tempo em que os mocinhos não matavam ninguém. Rocky Lane, Roy Rogers, Cavaleiro Negro, ou mesmo o Fantasma e Batman, apenas desarmavam e amarravam os bandidos. Tanto que o Coringa até hoje vive em algum lugar de Gotham.  Os cowboys tipo Zorro atiravam nas mãos ou laçavam os malfeitores em pleno galope. Na maioria das vezes liquidavam a fatura com um bom soco.

Os tempos mudaram. Batman se tornou um morcego sombrio e impiedoso. Superman virou um bom moço torturado por dúvidas. Django liquidou bandidos aos magotes usando, não uma Colt 45, mas uma metralhadora que tirou do caixão. Em Os Imperdoáveis (1992), Clint Eastwood, no papel de um pistoleiro aposentado, liquida quase a cidade inteira.

E ainda nem falei dos índios.

A cena é típica: John Wayne conduz uma caravana pela planície e ao longe surge a linha de cavaleiros portando lanças e velhas espingardas, gritando como loucos e morrendo feito moscas. Não me perguntem por que, mas sempre torci pelos índios nessa batalha desigual. Touro Sentado, Jerônimo, Nuvem Vermelha. E não me envergonha dizer que a derrota de Custer e do Sétimo de Cavalaria lavava a minha alma.

Afinal li Dee Brown, que contou o outro lado da história dando voz aos derrotados no livro Enterrem meu Coração na Curva do Rio. Depois veio um filme chamado Dança com Lobos que adota essa perspectiva “do lado de lá”. Tentativas de resgatar um pouco dessa história de perseguições e massacres. E a gente toma conhecimento da frase do General Sheridan, “índio bom é índio morto”.

Filme Dança com Lobos

Falo nisso tudo porque há no momento uma lei não escrita no Brasil que parece ecoar esse pensamento. Na política de segurança vigente, bandido bom é bandido morto. E uma prática de extermínio se estabelece, contabilizando em poucos dias mais de sessenta mortos, sendo que a última ação, no Complexo do Salgueiro, teve características de vingança, sendo oito executados, oito corpos abandonados em meio à lama como se lixo fossem. Esse abandono forçou mães, filhos, avós e vizinhos a entrar na lama do mangue para encontrar e resgatar os parentes mortos. Desumanidade. Desrespeito à dignidade daquela comunidade pobre, formada por maioria preta, e desrespeito a todos nós, cidadãos. Somem-se a isso os vinte e nove mortos em Jacarezinho, em maio desse ano e os vinte e seis “presuntos” em Varginha, e temos os altos números da “eficiência” policial no combate ao crime. São todos agora “bandidos bons”. Impossível não lembrar, sem querer forçar associações, o gesto do então candidato a presidente, simulando armas com as mãos.

Sessenta mortos, numa ação no Complexo do Salgueiro, teve características de vingança Foto: Jornal O Dia

Claro que não me engano achando que os bandidos são anjos de candura. Tenho consciência que, como diz Guimarães Rosa em Grande Sertão, “sol procura é ponta do aço” e que para combatê-los, são necessários leis e homens duros. E nesse embate as almas e corações se endurecem. Não esqueço o jornalista Tim Lopes, torturado e assassinado por bandidos quando exercia o seu ofício. Mas há uma diferença fundamental. Lucio Flávio, bandido famoso dos anos setenta, já a identificava ao dizer que bandido é bandido e polícia é polícia. Quer dizer, a polícia não pode adotar métodos da bandidagem sob pena de se tornarem, os policiais, bandidos também. Foras-da-lei devem ser investigados, caçados, presos, julgados e condenados dentro das normas legais. Com direito a defesa e tudo o mais.

Jornalista Tim Lopes, torturado e assassinado por bandidos quando exercia o seu ofício. Depois dos intermináveis socos e pontapés, o bandido Elias Maluco finalizou o crime decepando as mãos, braços e pernas do jornalista, usando uma espada ninja, tudo isso com o jornalista ainda vivo. O corpo foi carbonizado dentro de vários pneus, que os traficantes chamavam de micro-ondas.

Ah, mas as leis os protegem? Sim, protegem a todos nós. Vocês não gostam? Aperfeiçoemos nossas leis e nosso sistema jurídico. Já vimos um juiz atuando acima das instituições, ainda que, quero crer, bem intencionado no seu modo de ver as coisas.  Deu no que deu.

Não vamos permitir que a nossa visão seja distorcida pelo medo e concordar com esses absurdos. Corremos o risco de, como na música de Chico, um dia ter de correr dos homens lá fora e gritar “chama o ladrão”, por não sabermos mais distinguir uns dos outros. As famílias das crianças atingidas por balas “perdidas” devem saber muito bem do que estou falando. Quem viveu os anos de chumbo também.  Gilberto Gil, incomodado pelo massacre de 111 presos em Carandiru compôs uma canção que dizia que o Haiti era aqui. Com certeza, não vamos aceitar isso. Sabemos, sim, o que deve ser correto. O Haiti não é ou não deveria ser aqui. Afinal, como no Rap da Felicidade de Cidinho & Doca: Eu só quero é ser feliz / Andar tranquilamente na favela onde eu nasci. Será que é pedir muito?

NATAL/RN

MEU MESTRE, MINHA VIDA Um retrato cruel da Educação Pública

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

Uma escola suja, completamente depredada, cujo espaço serve para o consumo e tráfico de drogas e sendo considerada como a pior da região devido aos altos índices de violência motivada pelas guerras promovidas pelas gangues, dentro do espaço onde a Educação deveria ser a palavra de ordem. De outro lado, um grupo de professores amedrontados, desmotivados e sem a menor esperança de modificar este quadro. É este o cenário mostrado pelo filme Meu mestre, minha vida, que apresenta o ator Morgan Freeman, como personagem central da história.

O filme é datado de 1989, mas os dramas apresentados são completamente atuais. Ele aborda temas como a falta de limites dos alunos, a desmotivação dos professores e ainda as discussões entre os profissionais da Educação, por causa das divergências de opinião acerca do papel do sindicato da categoria.

Morgan Freeman vive o papel do professor Clark, figura querida entre o alunado, mas que se afasta da escola por discordar de algumas normas adotadas pela instituição. Anos mais tarde, ele é convidado a retornar à instituição, para atuar como diretor. O caos impera no lugar e para colocar a escola no caminho correto, ele precisa atuar com pulso firme, adotando medidas demasiadamente antipáticas, mas que ao final rendem o resultado esperado.

Um filme americano, produzido em 1989 e que contra a história real de Joe Louis Clark e seus esforços para mudar um Colégio.
O consagrado ator Morgan Freeman, foi escalado para representar o papel de Clark no filme.

Ao assumir o posto de diretor da escola, ele expulsa muito alunos envolvidos com o tráfico de drogas e vadiagem. Paralelamente tem atritos com os professores e servidores do estabelecimento, chegando ao ponto de demitir professores, por considera-los culpados pelo caos vigente no lugar. Mas, reconhece que se excedeu e conclui que precisa contar com a colaboração da equipe, a fim de atingir os objetivos que almeja: a aprovação dos alunos em um importante exame e escola como espaço de ordem e aprendizagem.

A forma adotada pelo diretor para colocar ordem na escola, nos parece exagerada, extrema e algumas vezes até equivocada. Porém, para acabar com o caos instalado naquele lugar, não restava alternativa. Porém, não podemos deixar de levar em consideração, que os filmes, mesmo aqueles que se baseiam em fatos reais, envolvem muita fantasia. Nas escolas de Natal, por exemplo, um diretor jamais poderia se valer dos mesmos métodos para colocar ordem em uma escola.

Percebe-se que o filme, em muitas passagens, mostra cenas nas quais o linguajar do diretor ensejaria um processo contra ele. O limiar entre a fantasia e a realidade em relação ao filme é muito tênue. Embora a história do filme tenha um final feliz, não acredito que na vida real a situação teria o mesmo fim. O Brasil tem leis demais para proteger infratores… mas cabe a nós, cidadãos e educadores, buscar meios para mudar a realidade e formar as crianças para o futuro. A grande dúvida é como ensinar a quem não quer aprender?

Apesar de antigo, o filme trata de um tema bastante atual no tocante aos problemas enfrentados por professores da Rede Pública de Ensino e deveria ser visto e analisado por todos os que trabalham com a Educação.

Prefácio e natalício

Woden Madruga – Da Academia Norte-Riograndense de Letras

Valério Mesquita era ainda menino quando o seu pai, Alfredo Mesquita Filho, já se afirmara como um dos mais importantes líderes de sua terra, chefe político curtido na oposição e no governo. Foi naquela campanha eleitoral de 1945, que eu ouvi falar no seu nome pela primeira vez. No ano seguinte, se elegeria deputado estadual, Deputado da Constituinte. Tempos adiante – veja como são as veredas da vida – o menino de ontem, agora repórter noviço, iria vê-lo e ouvi-lo entre as escaramuças da Assembleia Legislativa, dividida entre pessedistas (ele era do PSD), udenistas, getulistas e cafeístas. Foi deputado estadual em três mandatos, prefeito de Macaíba, outros tantos.

Por trinta anos seguidos manteve-se no poder e sua liderança transpunha as divisas do município para alcançar toda a ribeira do Potengi e se alongar até os sertões do Trairi. Sua casa, na Rua da Cruz, era o plenário de todas as decisões. Para lá convergiam os poderosos – governadores, senadores, deputados, prefeitos, os fazendeiros, os comerciantes, o vigário, o delegado, o juiz e o promotor – e os mais humildes filhos de sua terra. Decidia-se de tudo, da briga de vizinhos às altas demandas da política, os projetos em favor do progresso do município e do bem-estar do seu povo. Foi um líder, um governante, um benfeitor.

Valério Mesquita seguiu, na política, os passos do pai. Adolescente, já subia nos palanques fazendo discursos. Bacharel em Direito, já era político de carteirinha. Prefeito e deputado, sucedendo na medida exata o velho Alfredo Mesquita, passou a ser o novo líder de sua gente. Entre um mandato e outro – e foram vários – exerce a vida pública, ocupando cargos importantes como o de presidente da Fundação José Augusto.

Aí um homem já identificado com a vida cultural do Estado, revelando o seu gosto pelas artes, trabalhando pela preservação do patrimônio histórico e artístico, um apaixonado pela cultura popular e pelas letras. Surge o editor e o escritor, o cronista de estilo elegante, o analista dos fatos políticos, o observador atento e sensível do cotidiano de sua terra e do seu povo. Em seguida, como consequência, natural, foram surgindo seus livros. Neles, o talento e a argúcia do escritor, o hábil contador de histórias e estórias, o cronista do seu tempo, fiel ao seu povo e aos seus costumes, sua cultura.

Foto: Tecnologia do Blogguer

Gosto de lê-lo nos retratos que sabe traçar dos tipos populares de Macaíba, das pessoas simples, anônimos, donas de casa, do feirante, do vendedor ambulante, do boêmio, do modesto funcionário público, do poeta inédito, do professor primário, da parteira, do locutor da amplificadora, do pescador de siri, do palhaço do pastoril, do tocador de saxofone, do jogador de baralho, da cartomante, do marceneiro-inventor, do xeleléu de vereador, peça importante e imprescindível no emaranhado humano de qualquer lugar. Câmara Cascudo fez isso com maestria em suas Actas Diurnas depois transformadas no “O livro das velhas figuras”.

Valério Mesquita com Câmara Cascudo _ Foto: Tribuna do Norte

Nas figuras cascudianas que povoaram – e povoam Natal – há esse cheiro do povo simples, abelhas operárias da grande colméia. Nomes que certamente seriam varridos da memória da História da terra que ajudaram a construir, não fosse o registro amoroso do cronista.

Assim tem feito Valério, cronista de sua terra e de sua gente, montando, peça por peça, a história do seu povo e do seu lugar. Neste livro que ele reedita agora, Macaíba de Seu Mesquita, que é um canto de amor e de admiração ao seu pai, mesmo que tenha sido facetado pelo lado do pitoresco e até do “folclore político”, é, sim, uma crônica que segura a história de um certo tempo de Macaíba e do Rio Grande do Norte.(*)

ESTA ERA A NOSSA VIDA!

Texto enviado por uma leitora (autor desconhecido)

Nasci e cresci no Brasil! Ia para a escola a pé, e às vezes com um monte de amigos.  E íamos rindo e papeando. Não tínhamos “bolsa família” e nem “vale gás”. Não tinha “google” nem “celular”… As pesquisas da escola eram feitas em bibliotecas. Usávamos varias Enciclopédias, a Barsa, Tesouro da Juventude, Delta Larousse… Era o Google da nossa época, escritas a mão e se estivesse igual como no livro, estávamos ferrados!


Na escola tinha o gordo, o leitão, 4 olho, a branquela, o neguinho da canela fina, anão, o narigudo, a Olivia Palito, o cabeção,  a sukita, porco da índia, chiclete e por aí vai…Todo mundo era zoado, às vezes até brigávamos, mas, logo estava tudo resolvido, e seguia a amizade… Era brincadeira e ninguém se queixava de Bullying. 


Existia o valentão, mas, também existia quem defendesse.


Tinha o dia do flúor, o dia da vacina… Nossas férias começavam 1° de dezembro e retornávamos em 1° de Março! PASMEM… Tinhamos férias de 1° a 31 de julho! PASMEM DE NOVO…


Toda semana, antes de iniciar as aulas, cantávamos o Hino Nacional com a mão no peito e com orgulho, e ai de quem cantasse errado, cruzasse os braços ou aplaudisse após cantar o Hino. Cantávamos também o Hino da Independência e o Hino da bandeira. Tinha o desfile de 7 de Setembro e a gente sempre querendo ser destaque…


O famoso “ki suko” que com $0,10 centavos nós comprávamos, e era o único “pó” que conhecíamos. Fazíamos 2 litros com um pacotinho e a língua ficava colorida por uns dois dias kkkkk… Ahhh … tinha também o chiclete “Ping Pong”!!!


Época em que ser gordinho(a) era sinal de saúde, e se fosse magro, tínhamos que tomar o Biotônico Fontoura.A frase “peraí mãe” era para ficar mais tempo brincando na rua e não no celular ou computador…


Colecionávamos figurinhas, papel de carta, boneca de papel. As brincadeiras eram saudáveis, brincávamos de bater em figurinhas, e não nos nossos professores, Jogávamos vôlei na rua, nossa aventura era tocar campainha e sair correndo… kkkk… Na rua jogar bola, esconde-esconde, queimada, namoricos, pega-pega, andar de bicicleta, pular corda, elástico, bolinha de gude, finca… Todo mundo brincava juntos, e como era bom…Bom não, era maravilhoso!


Que saudades dessa época em que a chuva tinha cheiro de terra molhada! Época em que nossa única dor era quando usávamos merthiolate nos machucados .


Éramos felizes em comparação com esse mundo de hoje onde tudo se torna bullying ou preconceito. Cheios de mimimis…


Nossos pais eram presentes, educação era em casa. Nada de chegar em casa com algo que não era nosso. Desrespeitar alguém mais velho, ou se meter em alguma encrenca, somente um olhar bastava… e lá vinha o famoso e terrível EM CASA A GENTE CONVERSA. E tínhamos hora pra chegar em casa: entre às18 e 19 horas para tomar banho com tolerância … e NEM UM MINUTO A MAIS!


Tínhamos que levantar para os mais velhos sentarem.Almoçávamos e jantávamos à mesa,  com todo respeito e educação. 


Fico me perguntando, quando foi que tudo isso mudou, e esses “valores” se perderam e se inverteram da forma que está hoje?

Uma pensão especial para José Estelo

João Maria Freire – É professor, jornalista e escritor.

O artista plástico José Estelo é um dos nomes mais conhecidos das artes no RN. Seus quadros enfeitam salas e salões de residências, galerias e repartições públicas pelo Brasil afora. Até livros já se escreveu sobre Estelo. 

Aposentado pela prefeitura de São José de Mipibu com salário mínimo, depois de anos de serviços prestados diariamente na sede da prefeitura, Estelo já há algum tempo goza o descanso merecido. Também há anos o artista precisa de apoio para continuar seu trabalho e até mesmo para o sustento seu e da sua família, afinal viver neste país com salário mínimo não é fácil para ninguém – imagine milhares de brasileiros que nem isso tem.

 O artista plástico mipibuense, com tempo para se dedicar ao trabalho, também enfrenta problemas de saúde, precisando de remédios caros, que lhe consomem boa parte dos rendimentos. 

Quem admira seu trabalho e tem lhe visitado, sai defendendo que a prefeitura de São José, ou mesmo o governo do Estado, concedam uma pensão especial, nos moldes do que foi feito, com justiça, esta semana, após uma via crucis quase sem fim, para o compositor natalense Mirabô Dantas, que a partir de agora irá receber uma pensão especial, proposta, em 2018 pelo Conselho Estadual de Cultura e que finalmente saiu do papel pela ação direta da governadora Fátima Bezerra.

Governo do Estado reconhece legado cultural do compositor Mirabô e concede pensão especial

A pensão especial (à nível estadual) para quem dedicou a vida à cultura foi criada pela Lei 7 de 23 outubro de 1974, idealizada pelo então governador Cortez Pereira. Para ser aplicada, ela só precisa da decisão isolada do gestor. Para Mirabô, excelente artista, a pensão foi aprovada à unanimidade no Conselho de Cultura em fevereiro de 2018, a proposta perambulou em gavetas de burocratas por todos estes anos até que agora se efetivou.

Voltando a Estelo, com sua assessoria jurídica, a prefeitura poderia estudar uma forma de fazer isso, vez que ele já recebe remuneração previdenciária, (insuficiente, como já se disse, para sua manutenção e da família). A Câmara Municipal da cidade, que tantas homenagens fez a Estelo e tem quadro seu em suas dependências, também poderia ver uma forma de implementar isso.

Que rendamos as homenagens necessárias em vida a este grande artista, garantindo dignidade ao seu sustento e dando condições para que continue a desenvolver sua arte (afinal o material para pintar seus quadros custa caro e não pode ser custeado apenas com a renda amealhada com as poucas vendas do seu trabalho, num país que valoriza tão pouco a cultura). 

EM TEMPO – No final de semana passada, o amigo José Alves (Dedé do Alerta), acompanhado do escritor e folclorista Gutenberg Costa, do escritor e arquiteto , Nilo Emerenciano e da escritora e jornalista da TV Universitária, Rosália Figueiredo, fez uma visita a Estelo e saiu com a mesma impressão desta necessidade. 

NOTA DO EDITOR DO BLOG O ALERTA: O professor João Maria Freire é um defensor dos artistas e da cultura mipibuense. É o autor do processo de Tombamento da Escola Estadual Barão de Mipibu

De volta ao passado… (80)

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Rua Barão de Mipibu, datada do ano 1968. Percebe-se que a pavimentação à paralelepípedo ia somente até a rua Dr. Pedro Velho, onde se localizava o Armarinho ‘Nova Aurora’, de propriedade do senhor Dedé Gurgel, casado com dona Chiquinha (ambos falecidos) que, posteriormente, passou para o filho, Firmino Gurgel, onde se comercializava de tudo: tecidos, panelas, perfumes, botões, etc. Vizinho ao armarinho era a residência da saudosa professora Lourdinha Ferreira e Gilberta – ‘Betinha’ (filha do comerciante Luiz Gonzaga e foi Tesoureira da Prefeitura Municipal, por vários anos).

A seguir, a residência da professora Terezinha Alves Ferreira e Francisco de Assis (‘Assis sapateiro’) que, atualmente, residem em Natal. A casa vizinha, pertencia ao casal Severino Matias de Barros e Irene Alves de Barros (falecidos), pais da odontóloga Ilma Emerenciano.

Vemos, também a residência onde morou Raimundo Isaías (conhecido por ‘Raimundo Totó’ – já falecido), irmão de Afrânio Isaías. Vizinho, funcionava a única pensão da cidade: Pensão de dona Maria Benvinda (falecida) e a residência de Maxwell, antigo servidor da Sucam e, atualmente, foi reformada e é loja de colchões.

Ao fundo, se vê um imóvel de pé direito alto. Lá funcionava a residência e a loja de móveis de Luiz Ferreira, conhecido por ‘Luís pau na gata’, pai de Rejane Ferreira. Atualmente funciona a Loja Floresta Móveis.

A foto é do americano Ronald Skrabut