​ARTIGO: Invasão da Ucrânia pela Rússia ´bugou` as militâncias de Esquerda e de Direita

  • Cefas Carvalho – É Jornalista potiguar (Agência Saiba Mais)

Vamos por partes e de maneira didática.

A Rússia​, com histórico de oprimir as nações vizinhas,​ é comandada por um líder (Vladimir Putin) autoritário, truculento, com sede de poder que oprime adversários e minorias, além da população LGBTQIA+.

Já a Ucrânia é comandada por um ex-comediante que faz vista grossa para os movimentos neonazistas que proliferam no país

Enquanto isso os EUA, comandados por Joe Biden, presidente indeciso e considerado fraco, tem histórico de ​invadir países sob pretextos ridículos (lutar pela “Democracia”​) e sabotar a seu favor a política de tantos outros.

Na semana passada, a Rússia declarou guerra à Ucrânia com um pretexto também ridículo (combater os neonazistas do país) e invadiu o país vizinho. Geopoliticamente é de conhecimento público que a Ucrânia quer entrar na OTAN, o que na prática possibilitaria que os EUA instalassem armas (misseis nucleares, inclusive) na fronteira com a Rússia.

É de conhecimento público que os EUA jamais aceitariam que a Rússia ou qualquer outro país considerado adversário instalasse mísseis nas fronteiras norte-americanas. A então URSS tentou fazer isso em Cuba em plena Guerra Fria e quase estourou a terceira Guerra Mundial.

Portanto, a Rússia está geopoliticamente certa em evitar que a Ucrânia seja manipulada pela OTAN (leia-se EUA). Mas, moralmente errada em invadir um país independente que não a atacou.

​Parece tudo confuso e complexo demais? Para as militâncias políticas brasileiras e os “especialistas” em geopolítica internacional, também parece confuso.

Afinal, Bolsonaro foi eleito com pauta de amor eterno pelos EUA, fazendo continência à bandeira americana, inclusive. Nas movimentações bolsonaristas bandeiras ianques são vistas às centenas.

O bolsonarismo também atacava a Rússia e a China por serem, na ótica do movimento, comunistas.

Contudo, Bolsonaro vem rejeitando o presidente nos EUA, Joe Biden, desde que este foi eleito. Agora Bolsonaro visita Putin em plena possibilidade de guerra (o que se concretizou) ​e tenta estreitar laços, “abandonando” os ianques.

Na verdade a paixão de Bolsonaro não eram os EUA e sim Donald Trump, ex-presidente que perdeu a reeleição em 2020. Jair não faz política externa, ele se apaixona (para usar termo comparativo que ele mesmo usa) pelos líderes. E o russo Putin, é o homem, digo, a bola da vez.

Mas Putin não era comunista? Com a palavra o militante bolsonarista. Que até ano passado também celebrava a Ucrânia, pelo nacionalismo exacerbado, mesma Ucrânia hoje invadida pelo novo herói de Bolsonaro.

Mas a confusão também está do outro lado. A mesma militância de Esquerda que condena as invasões norte-americana ao Vietnam, Camboja, Afeganistão, Iraque etc etc agora celebra Putin porque o russo é… comunista. Não obstante tenha favorecido os amigos capitalistas bilionários conhecidos como “oligarcas”.

Outra parte da Esquerda está comovida com a Ucrânia por ser o país agredido. A comoção pela população civil, principalmente mulheres, crianças e idosos, é bem louvável. Mas, essa mesma militância esquece que 1) Apesar de não ser motivo para invasão, o país realmente tem alto número de neonazistas e o governo “passa pano” para isso. 2) Com a entrada na OTAN, haveria grandes chances da Ucrânia receber armas dos EUA, como já foi dito, e essa mesma militância comovida também condena o imperialismo americano.

Portanto, as militâncias de Esquerda e Direita devem “torcer” para Rússia ou Ucrânia? O conflito ´bugou` a cabeça de todos, para usar um termo jovem.

O curioso é que nenhum dos dois lados torce para os EUA. A Esquerda porque os norte-americanos são imperialistas. A Direita por que Biden e o Partido Democrata são – segundo eles – comunistas.

Neste diapasão, as militâncias vem brigando entre si mesmas sem saber se devem ficar do lado de Rússia ou da Ucrânia (com ou sem EUA). Argumentos não faltam. Explicações também. Algumas bem esdrúxulas e outras baseadas em premissas erradas ou em mentiras de guerra mesmo. Como o tal tanque russo que propositalmente passou por cima de um carro e matou o motorista ucraniano. Na verdade, era um tanque ucraniano que derrapou numa poça de óleo e realmente passou por cima do carro, mas, o motorista também ucraniano que escapou sem nenhum arranhão.

Numa guerra a primeira vítima é a verdade, diz o ditado. Na militância de internet, a verdade já está na UTI há muito tempo.

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3 Comentários

  • José Olavo Ribeiro disse:

    Excelente texto! Pena que a grande mídia não mostra os dois lados da história.

  • Tenente+Mauro+Cesar disse:

    Existem os dois lados da história e cada um tem seus motivos. Nas países não tem amigos, tem interesses. E o mais importante é defender os nossos interesses sem abrir mão da política externa. E nesse caso, temos relações comerciais com ambos os Países além do apoio Russo a não internacionalização da Amazônia em reunião na ONU. Mas como fazer isso? Mantendo a neutralidade, alegando o princípio constitucional da não intervenção dos povos e prestando todo apoio humanitario possível, seja recebendo refugiados ou enviando remédios, roupas e alimentos. Assim sendo, cito um versículo bíblico de Provérbios 26:17 – O que, passando, se põe em questão alheia, é como aquele que pega um cão pelas orelhas.
    Portanto, o Governo Brasileiro faz muito bem em se manter neutro.

  • Didi Avelino disse:

    Parabéns ao Cefas Carvalho pela abordagem lúcida e suscinta do conflito Rússia X Ucrânia.
    O supra artigo me faz lembrar de um tempo em que o pilar maior do jornalismo político era a análise isenta e imparcial.
    Considerando que as guerras são, acima de tudo, uma bestialidade, uma insanidade humana, torço para que um “cessar-fogo” seja em breve acordado e que o bom senso e a sensatez prevaleça.

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