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maio 26, 2024

Ancestralidades

Fonte: Blogger.

Na foto, uma noiva e seus pais posam para a fotógrafo tendo ao fundo o enxoval que, muitas vezes, podia ser apreciado pelos convidados.

Fonte: Blogger.com

Até aos inícios do século XX em todas as localidades portugueses namorava-se para casar e casava-se para consolidar patrimônio, ter filhos e amparar a família. A relação iniciava-se no dia do consentimento do pedido.

O casamento poderia ser antecedido por um período de namoro consentido e autorizado pelo pai da noiva.

Seguia-se a formalização do pedido que podia ser deferido ou indeferido. Sentando-se em torno da mesa, o candidato expunha as suas intenções e formulava o pedido: “Senhor fulano, eu sou um homem honesto, trabalhador, poupado, gosto da sua filha e vinha pedir autorização para a gente se casar”. Consentindo, o futuro sogro, abria uma garrafa de licor caseiro, brindava e a partir desse momento podia decorrer o namoro de janela.

O pedido urbano é mais formal e frequentemente completado com um segundo momento, o pedido de noivado, que implica a oferta à noiva de um anel de ouro com brilhante (anel de noivado, solitário). O anel de noivado masculino só começou a generalizar-se nos meios rurais pela década de 1970.

O casamento católico passou a ser considerado sacramento no século XVI por determinação do Concílio de Trento. A função religiosa em templo era obrigatoriamente. Antecedida de banhos, pregões, proclamas ou denúncias.

Durante os três domingos que precediam o casamento, o padre lia em voz alta na missa o proclama do tipo “Com o favor de Deus e da Santa Madre Igreja querem contrair o santo sacramento do matrimônio X e Y (nome, idade, estado, ocupação, naturalidade, filiação, residência). Quem souber de algum impedimento que faça com que este casamento não possa realizar-se, debaixo de pena de excomunhão maior o declare e na mesma excomunhão incorre aquele que por malícia, o pretender impedir”.

Tradicionalmente os convites de casamento eram orais, indicando-se o dia, hora e local e o percurso do cortejo (a pé, em carroças). Pelo mesmo modo se convidavam os padrinhos do noivo e da noiva.

Foi nos casamentos urbanos da aristocracia e da alta burguesia que se começou a utilizar o convite escrito, popularizado no primeiro terço do século XX.

Por influência dos casamentos urbanos, quase todos os noivos organizam listas de presentes em lojas comerciais, outros pedem dinheiro ou eletrodomésticos. Esses presentes costumam ser entregues antes do casamento.

Em alguns antigos casamentos rurais, as vizinhas e amigas visitavam a noiva no dia seguinte ao casamento, ofertando-lhe panos de linho, feijão seco, carne de porco, azeite, vinho... A noiva deveria agradecer a visita e os presentes, distribuindo licores e fatias de bolo dos noivos.

Tradicionalmente os noivos pobres não tinham dote e optava por morar em casa dos pais. Dizia-se que a noiva "não levava tijela nem penico". O noivo também não tinha patrimônio que não fosse de alfaias agrícolas.

Nos meses que antecediam o casamento, a noiva, a madrinha de batismo e a mãe bordavam abundantemente lençóis, travesseiros, toalhas, e confeccionavam peças de vestuário que constituíam o enxoval da noiva.

O bolo dos noivos não era costume generalizado em Portugal. Era confeccionado, fatiado e distribuído em algumas terras. O “bolo da noiva”, recamado de branco é um costume urbano.

Foi tradição em muitas terras realizar-se um baile em honra dos noivos na noite do dia do casamento: bailarico, bailho, balho, feito na casa de baile, isto é, na sala principal da moradia.

A bênção e troca de alianças no ato do casamento (algumas com nomes e datas gravadas no interior) é uma tradição aristocrática que só se popularizou no século XX.

O vestido branco de noiva com véu é um costume aristocrático do século XIX lançado em 1840 pela Rainha Vitória da Inglaterra.

Nos meios rurais a noiva vestia traje domingueiro ou de festa, sempre com saia pregueada comprida, como confirmam todas as recolhas de trajes de noivos efetuadas por grupos folclóricos. O traje de noivo era a indumentária domingueira e não o fraque com cartola.

Na tradição portuguesa o ramo da noiva era de flores naturais de laranjeira.

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