Analise critica sobre a obra “A tecelã do seu destino”

Fernando Douglas Pereira

Oscar Wilde escreveu certa vez que “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. No entanto, em outra perspectiva, Aristóteles aborda essa premissa de forma diferente e diz que “a arte imita a vida”, mas o que seria arte?

De uma forma bem clara e até popular, uma obra de arte é a seleção de vários elementos da vida os quais são transpostos e trabalhados, no caso dos livros pelos escritores ou escritoras que se utilizam das subjetividades e dos aspectos da vida.

Portanto ao escrever um livro, o autor ou a autora reflete a sociedade de uma forma complexa, clara e expressa um universo à parte, recortando da realidade aquilo que melhor mostra a mazela ou glória da humanidade e a partir disso dialoga com o mundo.

Introduzindo o leitor em novas dimensões da vida que antes não eram vistas nem sentidas por ele, fazendo ele viajar por várias camadas sociais, e é nesse ponto que acontece o nascimento de novas formas de enxergar a cultura humana.

Isso acontece porque muitas vezes o escritor ou escritora aborda a realidade fazendo críticas, provocando discussões, emocionando e entretendo, e é dessa maneira que a escritora Vanda Franco Pedrosa, mostra em seu livro, “A Tecelã do seu destino”, não uma imitação da realidade que através da arte imita a vida ou uma busca de criar arte por intermédio da existência.

Vanda vai além em seu livro, ela busca mostrar um mundo muitas vezes esquecido pela sociedade, carente de atenção e cuidados, sua obra literária tem sua história formada em um cenário árido, cheio de dificuldades, preconceitos e dor. Mas que mesmo em meio a todos esses fatores contrários a uma vida de prazer, ainda tem seu charme, alegrias e sonhos.

O romance tem como sua personagem principal Bastinha, uma moça do  interior do Nordeste brasileiro de ímpeto forte, corajosa e com uma personalidade a frente do seu tempo, apesar de todas as dificuldades passadas por ela, não se permitiu ser comum em sua mente e, em meio a esse cenário, procura alternativas para não seguir o ciclo cultural em que a comunidade está inserida.

A mente de Bastinha é um universo separado de toda aquela realidade. Ela prova que há ações e sentimentos que vão além da coercitividade e da coletividade da massa, mostra que existem fontes individuais que são independentes do meio que estão. Na verdade, só se manifestam na solidão daqueles que tem coragem de se encontrar consigo mesmo em suas agruras.

O desenrolar da história vivida pelas personagens do livro é uma lição para todos que lerem, pois ajuda a cada um enxergar que o indivíduo é, enquanto ele está com sua consciência “livre”, sua essência inexorável, seu eu inevitável dentro da sua mente, lugar único seu.

O seu espelho pessoal que não mostra uma imagem inventada ou construída para caber no entendimento do grupo, mas que demonstra muito mais do que uma faceta que todos percebem, vai além disso. É o ser em si, aquilo que todos nós somos para nós mesmos, sem está imerso em rótulos sociais sem movimento ou vida.

Então com isso a história desse livro, tem uma forte busca por transformar paradigmas em um círculo de quebra de estereótipos. Através da visão crítica, apurada, questionadora da autora, que gera empoderamento, e provoca mudança e transformação, tanto na massa como de forma individual.

Para encerrar, se o livro “A tecelã do seu destino”, fosse resumido em algumas poucas palavras, diria que os versos que mais se encaixariam, seriam os do poema “Passagem das Horas” – Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), nos versos que diz:

“Sentir tudo de todas as maneiras,
 Viver tudo de todos os lados,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.”

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