Amigos não se contam, mas se sentem, se tocam e se amam

Mariana Rodrigues –

Sempre me alertaram que os amigos se contam nos dedos de uma mão. Eu cresci e percebi que os amigos não se contam, mas se sentem, se tocam e se amam.

Era a tarde de uma sexta-feira e eu brincava de ser advogada e resolver problemas; quando recebi uma mensagem: “Carinho, estou perto da sua casa e lembrei de você!” Era ele, meu amigo mais antigo. Aquele menino que arengava comigo no maternal. Já dizia ambivalência que nos habita que as arengas podem esconder um afeto sincero. A gente cresceu, mas a rotina nunca foi um decreto de nunca mais se ver. E com ele eu provei inúmeras vezes o gosto de ser especial.

Ele estava comigo quando a vida ficou confusa e minha boca amargava a angústia de crescer. Ele quebrou ovos na minha cabeça quando eu completei 15 anos e bebeu vinho comigo no chão do banheiro da minha casa quando eu virei adulta.

Ele é o padrinho de um dos meus afilhados e sempre que nos encontramos ele tira um retrato. Ele tem o riso fácil e sabe aproveitar a vida como poucos. Hoje ele me levou pra almoçar num lugar charmoso que tem a comida com gosto de saúde e falou das coisas da vida que acontece quando não estou presente.

Chopin tocou enquanto a gente comia e um mosquito entrou no meu nariz. Tivemos risos de sobremesa e a certeza que não importa quanto tempo passe até o próximo encontro, nós sempre teremos a sorte de existir, um na vida do outro.

Quando eu estou com ele lembro de um tempo em que a vida parecia passar devagar. Penso nos erros e no que aprendemos com eles e sinto a certeza de que amigos não se contam, mas se sentem, se tocam e se amam.

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