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janeiro 28, 2024

A dama das noites

Alex Medeiros (@alexmedeiros1959] – Texto publicado na Tribuna do Norte A dramaturgia televisiva brasileira tem que ser dividida entre antes e depois de Janete Clair, a escritora mineira que desde os 19 anos, em 1944, até morrer, em 1983, não ficou um só ano sem criar e roteirizar radionovelas e telenovelas, impondo uma marca que […].

Alex Medeiros (@alexmedeiros1959] - Texto publicado na Tribuna do Norte

A dramaturgia televisiva brasileira tem que ser dividida entre antes e depois de Janete Clair, a escritora mineira que desde os 19 anos, em 1944, até morrer, em 1983, não ficou um só ano sem criar e roteirizar radionovelas e telenovelas, impondo uma marca que até hoje é copiada.

Depois de grande experiência nas décadas de 1940 e 1950 no rádio, ela começou a década seguinte entrando na seara dominada pelas tramas da escritora cubana Glória Magadan, 5 anos mais velha e maior referência na feitura das novelas de TV. Janete estreou em 1963, na TV Rio.

Até ser convidada pra levantar a audiência da então jovem TV Globo, ela emplacou novelas seguidas na TV Tupi, TV Itacolomi e na própria TV Rio, onde chegou a adaptar texto de ninguém menos que Oduvaldo Vianna, o teatrólogo que abrilhantou ainda mais a carreira do ator Procópio Ferreira.

Foi em 1967 que Clair estreou na Globo com a novela Anastácia, a Mulher sem Destino, que tinha de protagonista a estrela Leila Diniz, aos 22 anos, que naquele mesmo ano brilhava no cinema com, Todas as Mulheres do Mundo e Mineirinho, Vivo ou Morto, além das rebeldias de tons feministas.

A chegada de Janete Clair na Globo foi um terremoto, no sentido ilustrativo e no sentido cenográfico. Ocorre que a trama, adaptada de um folhetim francês, não empolgava e foi preciso o improviso da escritora para minorar o desastre, após convite de Glória Magadan, a supervisora de novelas.

“Tenho um abacaxi para você”, dissera a argentina, preocupada com o enredo confuso e a profusão de atores que o autor Emiliano Queiroz contratava como política empregatícia. Clair passou uma noite em claro, discutindo com o marido Dias Gomes, e meteu um terremoto no roteiro, matando mais da metade do elenco.

Antecipando o fim da trama, já fracassada, ela escreveu em tempo hábil Sangue e Areia, a primeira novela de um casal que se misturaria aos móveis e utensílios dos lares brasileiros: Tarcísio Meira e Glória Menezes. A atriz Arlete Salles também estreava na Globo, oriunda da TV Tupi.

Em 1968, Janete conseguiu trabalhar para duas televisões ao mesmo tempo. Fez Passos dos Ventos, na Globo, e Acorrentados, na Record. Para completar a ousadia, fez um lance arriscado com dois pares românticos e tão queridos quanto Francisco Cuoco e Regina Duarte, na TV Excelsior.

Tarcísio e Glória e Carlos Alberto e Yoná Magalhães encantavam os telespectadores, aí Janete Clair arrisca um suingue proposto por Magadan, juntando Yoná com Tarcísio na novela Gata de Vison e Glória com Carlos Alberto em Passos dos Ventos. O diretor Daniel Filho perdeu o emprego.

Nas décadas de 1970 e 1980, as tramas da autora ocuparam as salas e mentes dos brasileiros. Foram dezenas de novelas clássicas que ainda dão audiência em reprises da Globo e atrai muita gente saudosa para a Globoplay. E quanto mais cai o ibope na TV aberta, mais temos a certeza que nunca mais apareceu ninguém na teledramaturgia como Janete Clair.

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