Dia: 18 de julho de 2021

O pianista Oriano de Almeida em seu centenário de nascimento

Gutenberg Costa – Escritor, pesquisador e folclorista.

Sempre que chego em aeroportos, rodoviárias ou espaços públicos em cidades do nosso país, me deparo com homenagens retratadas em fotografias imensas de seus filhos ilustres ou daqueles que escolheram aquele chão para suas moradas. Fatos que me alegram, como mero turista cultural curioso. Lembro de duas exposições que vi com meus próprios olhos, em Recife, com Gilberto Freyre e, em Salvador, com Jorge Amado.

Painel com figuras ilustres, na cidade de Macaíba/RN,  feito pelo artista plástico Wellington Potiguar, das principais personalidades da cidade como: Fabrício Gomes Pedrosa, Augusto Severo, Alberto Maranhão,  Auta de Souza, Henrique Castriciano, Tavares de Lira, Otacílio Alecrim e Alfredo Mesquita. (Foto: Wedson Nunes, o Poeta)

Por aqui no nosso RN ainda não vi, mas espero um dia ver em conjunto com meus netos, grandes painéis retratando nossos artistas e intelectuais. Suas fotos e obras em aeroportos, rodoviárias, mercados e praças. Nada me orgulha mais ser sempre lembrado em todos os lugares em que chego dessa maneira: “O senhor é do Estado de Câmara Cascudo e Nísia Floresta”. Não sabem eles que, no chão nascedouro do nosso casal ilustre e famoso, nem uma placa indicativa sequer existe em suas entradas com seus nomes. Nem uma faixa sequer…

Um Eterno Sonho (1981), no Aeroporto Internacional de Curitiba

Um turista chato cultural, como eu, sempre irá reclamar aonde quer que chegue com esses e outros descuidos, principalmente com a história de seus nomes ilustres: Aonde está a placa na casa em que nasceu o escritor ou artista? Seu nome em rua ou praça? O museu ou memorial com suas obras e pertences? Quando nada vejo, não levo recordações e faço como os antiguíssimos cristãos faziam ao saírem das cidades nas quais não encontravam respeito: batiam as sandálias para retirarem a poeira do chão amaldiçoado!  

Vamos ao assunto de hoje. Eu digo que tive a felicidade de conhecer três pianistas famosos em Natal do meu tempo. No finado Café São Luiz, do Grande Ponto da Cidade Alta, vi em muitas oportunidades, conversei e tomei café com o velho Paulo Lira (1903-1979). Magrinho, branco e calvo totalmente. Saía de lá já com seus passinhos curtos devido a idade. Famoso pianista e boêmio.

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Anos depois, quando tinha a minha coluna semanal no saudoso jornal Dois Pontos, fui ao antigo hotel e restaurante Casa Grande, na rua Princesa Isabel, entrevistar um dos últimos pianistas em restaurantes da cidade do Natal, o famoso Leonardo Dantas (1924-1999). Foi um furo jornalístico em 08 de maio de 1993. Esse não havia concedido entrevista a ninguém antes de mim. O fotógrafo acompanhante do referido jornal foi o amigo Canindé Soares, o qual registrou tocando a sua paixão, o piano. Em 1999, fez parte do meu livro ‘Natal Personagens Populares’, porém partiu antes do lançamento.

Este ano temos vários nomes com centenários de nascimentos. Por justiça e gratidão, vou falar de quem conheci e os tive por amizade. O pianista com centenário de nascimento é o saudoso amigo Oriano de Almeida. Nascido em 15 de julho de 1921 e encantado em 11 de maio de 2004. Era meu confrade no Instituto Histórico e Geográfico do RN. Fui a dois lançamentos de seus livros e sempre o via nos eventos do nosso Instituto, o qual inclusive, com justiça e gratidão, reservou um espaço para o seu memorial. Sabe-se que toda a imortalidade fica nas lembranças e homenagens, principalmente em vida. E os esquecidos, esses sim, realmente, morrem de vez!

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Além de dois de seus livros com gentis dedicatórias, em nosso acervo temos um vinil, CD e fotografias. Por vários sábados, eu era convidado pelo saudoso amigo e presidente do IHGRN, Enélio Petrovich, a acompanhá-lo nos inesquecíveis cafés da manhã, no Hotel Sol, da Cidade Alta, residência do músico Oriano de Almeida. Encontros, sempre regado a boas conversas, com presenças de vários amigos na mesa agapeana dos inesquecíveis sábados. Como era bom reunir em uma mesa café e conversas com verdadeiras amizades. Coisas tão rara, nesses tempos de distanciamento e indiferença social. Sou de um tempo no qual os amigos se encontravam em feiras, mercados, padarias ou restaurantes para compartilhamento de nossos projetos e nosso cotidiano.

Gutenberg Costa, Enélio Petrovic e Oriano de Almeida, no Hotel Sol
Arquivo: Gutenberg Costa

Oriano de Almeida é verbete no ‘Dicionário da Música Potiguar’ da amiga escritora e pesquisadora Leide Câmara. Teve seu devido e merecido reconhecimento histórico registrado na biografia escrita pelo amigo escritor e historiador Claudio Galvão, lançada em 20 de julho de 2010, intitulada ‘O Céu era o Limite’.

Isadora Rezende e o escritor Cláudio Galvão Foto: Carito

E quando se fez um ano de seu encantamento, em 2005, foi também lançado um CD in memoriam ao ilustre músico. Agora, em seu centenário de nascimento, esperamos e se faz necessário e justo, todas as homenagens por parte de nossas instituições culturais do RN. Vamos ter esperanças e esperar…

O pianista Oriano era nascido em Belém do Pará, mas de família no RN, entre Macau e Natal. Seu tio era o grande maestro Waldemar de Almeida (1904-1975). O mesmo além de exímio músico, era pesquisador musical, escritor e memorialista. Profundo conhecedor da música clássica mundial, conversava com muita propriedade sobre as vidas e as obras dos geniais Chopin e Debussy.

Ainda assumiu a vaga de Câmara Cascudo na Academia de Letras do RN, Cadeira 13. Na ocasião, foi saudado pelo grande amigo Enélio Lima Petrovich (1934-2012). Eu estava na referida solenidade e posso testemunhar que a noite de 12 de setembro de 1996, foi uma linda festa homenagem com inúmeros escritores e público em geral que ali estavam.

Em vida, Oriano recebeu diversas homenagens no Rio de Janeiro e São Paulo. E, merecidamente, recebeu comendas culturais e o título de cidadania natalense.

Aqui fica o meu singelo registro no livro das boas e ilustres amizades. Espero ter feito, embora reconheça que foi demasiadamente pouco, a minha parte nas homenagens que, com certeza, se seguirão ao meu saudoso confrade, amigo e grande pianista Oriano de Almeida.

O genial poeta e também músico, Vinicius de Morais (1913-1980) amante da liberdade, disse-nos que poucas coisas deveriam ser proibidas na vida, entre elas: “É proibido ter medo de suas lembranças!”.

E o povo está certíssimo, quando afirma nas feiras em que ando corriqueiramente que a ‘ingratidão’ é a mãe do miserável ‘esquecimento’. Para aqueles ou aquelas que ficam omissos, dizem que na história do tempo, não haverá perdão algum…

O acervo sobre Oriano Almeida está sendo está sendo guardado na Escola de Música da UFRN, onde está sendo organizado e catalogado Foto: Adriano Abreu

Amizades são amizades, que tenham sido por poucos anos ou por décadas. O tempo pouco importa. O que nos fica realmente, são as lembranças e as gratidões, destas.

Que seja sempre lembrado e louvado, o amigo pianista e escritor Oriano de Almeida!

                     15/07/2021 – Morada São Saruê, Nísia Floresta/RN.

EM NOME DE JESUS

NILO EMERENCIANO – Arquiteto e escritor.

Tenho saudades da religiosidade simples de antigamente. Missa aos domingos. O anjinho de louça que balançava a cabeça agradecendo as moedas do óbolo.  O aroma de incenso. As belas expressões em latim. Dominus vobiscum. Et cum spiritu tuo. Os hinos. Os bancos da Igreja do Bom Jesus das Dores e as placas com os nomes das famílias. A mochila da coleta. O mistério da semana santa, os santos cobertos de roxo dando um ar fantasmagórico ao templo. O jejum rigoroso seguido pela ceia de páscoa. As mulheres de mantilhas e terços nas mãos. As beatas. Os homens na calçada conversando política e futebol. Minha mãe orando, contrita, lembrando os versos que havia na parede da casa do meu avô: eu vi minha mãe rezando/aos pés da Virgem Maria/era uma santa escutando/o que a outra santa dizia. E ao fundo, acima do altar mor, a imagem de Jesus de braços abertos na cruz e olhos voltados para o céu.

Em nossos dias é comum a existência de várias formas de expressões religiosas (não confundir com os movimentos de renovação surgidos dentro das religiões tradicionais). A maioria dessas práticas, mesmo as que carregam conotações orientais, teve a sua origem nos EUA ou ali se fortaleceram, cresceram e passaram a ser exportadas. Tudo começou na agitação sociocultural dos anos 1960, quando os jovens da contracultura buscaram inspiração nas religiões orientais de perfil místico-contemplativas, como o budismo ou o taoísmo. Os mais velhos lembram os Beatles em torno do guru indiano Maharishi ou o som maravilhoso da cítara de Ravi Shankar no Festival de Rock de Monterey (1967) frente uma multidão de jovens encantados. Aliás, registre-se, os artistas se apresentaram de graça para mais de duzentos mil pessoas, destinando a renda a instituições filantrópicas. Era o verão do amor.

Em nosso tempo de incertezas e desencanto, violência em todos os níveis, desemprego, corrupção, criminalidade e tráfico de drogas, chama a atenção esse crescimento paradoxal das ofertas de caráter religioso. Há, por exemplo, uma forma pasteurizada de Cabala, que tem como seguidoras mais ilustres a cantora Madonna e a atriz Demi Moore. Tom Cruise e John Travolta, por sua vez, são adeptos de uma estranha seita chamada Cientologia, que cultua o deus Xenu. Esses movimentos, menos que religiões, são na verdade formas sincréticas, reunião de velhas doutrinas e práticas religiosas. Mas há também a proliferação de líderes espirituais com acesso à TV e redes sociais, com crescente envolvimento na política. Em comum o foco mantido nos rituais e técnicas de autoajuda, nos milagres e curas, mais do que no desenvolvimento de uma ética de moralidade e de espírito fraterno.

Esses “gurus” em sua maioria oferecem uma práxis utilitária: a busca do sucesso, da saúde física, do poder aquisitivo, da felicidade a todo preço. O discurso é parecido: “Você é o mais importante. Você tem a força. Você tem que ser feliz. Você pode. Você faz. Seja um vencedor. Siga em frente e vença na vida”. E vamos acenar com as nossas carteiras profissionais abertas rogando as graças do Deus Altíssimo.

Ora, se o foco é a individualidade e o sucesso pessoal, dá pra concluir que esse tipo de pregação pode aumentar o amor próprio e a autoestima, mas enfraquece de forma poderosa o possível chamado à prática de uma ética fraterna e regras morais altruístas e de caráter universal.  O resto é consequência: omissão, apatia, passividade, irresponsabilidade moral. “Nada disso aí é comigo”. Sem uma ética de solidariedade o mal se instala no vácuo deixado pela ausência do bem.

As consequências são evidentes. Chacinas são chamadas de faxinas. As agressões violentas às mulheres, gays, pobres e até crianças, o desrespeito às diferenças. Tudo se tornou uma triste rotina. Em junho passado, um adolescente queimou uma mulher transexual em Recife. Crianças são torturadas e mortas às vezes pelos próprios pais.

Alguns, apesar do discurso religioso, estimulam a disseminação do uso de armas e demonstram criminosa indiferença frente ao genocídio praticado em nosso país. “Serei coveiro”? “Todos vão morrer um dia”. Sem falar dos que, como vampiros, tentam fazer da pandemia um evento lucrativo como tem mostrado a CPI. Um lucro sangrento. Lucro no luto. Lucro na morte e na dor. Lucro sobre mais de meio milhão de covas.

Essa ação quando processada recai finalmente, num efeito dominó, sobre nós próprios e sobre toda a sociedade. O resultado final é impossível de adivinhar, mas podemos, pelo menos, ter certa noção ao ouvir no ar o barulho das asas dos abutres que se precipitam, sedentos, sobre nós.

NATAL/RN

A ARROGÂNCIA DOS BANCOS

Nadja Lira – Jornalista • Pedagoga • Filósofa

Na Internet circula uma história, que retrata muito bem o que cada cidadão brasileiro enfrenta, quando necessita de um serviço bancário. De acordo com a história, uma senhorinha chega ao caixa do banco e pede para fazer uma retirada no valor de cinquenta reais. O caixa diz que, por se tratar de um valor muito baixo, ela deve se dirigir aos caixas eletrônicos. Ela insiste e logo o caixa começa a se enervar e diz que “não pode violar as normas do banco”. A mulher, então, pede para retirar todo o dinheiro que possui em sua conta.

Ao verificar que se trata de mais de um milhão de reais, o caixa muda seu comportamento e delicadamente avisa a mulher: “Para retirar esse valor, a Senhora precisa fazer um agendamento com o gerente. O banco não dispõe de tanto dinheiro”, informa.

A mulher pergunta qual seria o maior valor que ela poderia retirar de sua conta, naquele momento. “Três mil reais”, é a resposta. Então, quero retirar três mil reais, em notas de 50 – diz a Senhora, no que é prontamente atendida, por um sorridente caixa. Ela, então, pega 50 reais e coloca na carteira e pede que o caixa deposite o restante em sua conta.

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Não sei se esta história é verdadeira, mas é bastante criativa e para mim trouxe dois ensinamentos: O primeiro é a sabedoria dos idosos, que não se deixam vencer diante das dificuldades impostas pela vida, seja qual for a circunstância. A segunda, é a arrogância com que boa parte dos funcionários de bancos tratam os clientes. Tudo depende da quantia que o cidadão tiver depositado na sua conta bancária, ou seja: Você é visto e tratado de acordo com aquilo que mantém em sua conta corrente.

Os bancos brasileiros são, na minha visão, as piores instituições com as quais precisamos lidar neste mundo de meu Deus. Afinal, o banco trabalha com nosso dinheiro, ganha dinheiro às nossas custas, têm rendimentos astronômicos anuais, mas nos tratam mal. Tratam-nos como se estivéssemos lhes pedindo um favor a cada vez que precisamos de seus trabalhos, que nos custam “os olhos da cara”.

A odisseia de um cliente começa no momento em que ele precisa entrar no Banco. A porta giratória colocada na entrada dificulta tal ato o quanto pode. Basta um simples grampo de cabelo dentro da bolsa de uma mulher, e pronto: O circo está armado. A porta trava e a pessoa não entra de jeito nenhum. A Internet mostra casos em que clientes foram obrigados a se despir, e nem assim conseguiram entrar na instituição bancária.

Verdade ou não, a situação é constrangedora e humilhante para um cidadão que apenas deseja simplesmente, retirar seu salário depositado na conta. Enquanto isso, a porta não é empecilho para os bandidos, que chegam armados até os dentes e para os quais a tal porta não oferece qualquer dificuldade de acesso.

Em Natal existe uma lei, cuja determinação é a de que nenhum cliente pode esperar mais de 15 minutos para ser atendido em uma instituição bancária. Para os bancos da cidade, tal lei não passa de uma piada. Um atendimento nas agências do Banco do Brasil, por exemplo, leva em torno de três ou quatro horas.

Tudo bem que estamos vivendo tempos nefastos, em virtude da Pandemia provocada pelo Vírus Chinês e que as instituições reduziram o número de funcionários para atender ao público. Mas, esta demora nos atendimentos, também pode ser notada em tempos normais. Uma boa parte dos bancários atende aos clientes iguais a alguns médicos do SUS, que sequer olham a cara do cliente/paciente.

Tenho quase certeza de que, não fosse a obrigatoriedade de se receber salários através da rede bancária, muita gente iria optar por colocar seu dinheiro debaixo do colchão da cama, conforme acontecia no tempo dos nossos avós.

E tem mais uma coisinha: Além de trabalhar com nosso dinheiro e ganhar horrores à nossas custas, nenhum serviço bancário prestado ao cliente é feito gratuitamente. O Banco cobra e cobra caro.

Também não consigo entender as razões pelas quais a rede bancária cobra juros tão altos para as pessoas que fazem empréstimos em suas agências. Se por acaso eu, ou qualquer cidadão brasileiro emprestar dinheiro a alguém e cobrar juros, seremos acusados de praticar agiotagem, crime que pode levar alguém a ser preso. Só quem pode praticar agiotagem nesse País são os bancos. É uma agiotagem institucionalizada e permitida.

Alma de artista

Por Chagas Lopes – Fotos: Marinaldo Lima

Transitando entre diversos campos, como pintura, gravura, ilustração e desenho, ele expôs em diversos lugares. Sempre experimentando o novo e o inusitado, o estilo desse artista é marcado pela diversificação.

Ele é Marinaldo Lima, um jovem ARTISTA PLÁSTICO, natural da cidade de Monte Alegre/RN, que está encantando as pessoas por suas expressões artísticas voltado ao universo da arte, com olhar criativo e sensibilidade em criar e capturar informações através de suas percepções singulares.

Impossível pensar em artes na cidade de Monte Alegre e não citar o artista plástico Marinaldo Lima, (@marinawdo) com suas técnicas, talento, visão e criatividade e coragem. Misturando a vida rural com religiosidade, cotidiano e paisagens brasileiras, Marinaldo Lima exerce um papel fundamental na história da arte em Monte Alegre.

Desde cedo o jovem tem suas habilidades artística em pinturas e em desenhos ilustrativos já recebeu elogios por admiradores, até prestar serviços em seu município, onde através do “Poder da Arte”, como diz, já contribuiu com trabalhos sociais e educativos.

O pintor Vincent Van Gogh disse: “Eu quero tocar as pessoas com a minha arte. Quero que eles digam: ‘Ele tem sentimentos, ele tem ternura’.” Amadureceu dentro de sua própria realidade, opiniões e conceito sobre o que enxerga, e principalmente pelo o que transmite através de seus feitos.  Ilimitado pelas possibilidades da arte MARINALDO LIMA que atende pelo telefone (84-99233.8547), não se limita a um estilo só, o que possibilita a transitar na fotografia, pinturas, grafites e desenhos, altamente expressivos. De suas mãos saem personagens diversas, o seu caráter transformador é inegável,

“Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.” Pablo Picasso

Texto: Chagas Lopes – Fotos: Marinaldo Lima

ECOS DOS IDOS 60

Valério Mesquita (mesquita.valerio@gmail.com)

Uma testemunha ocular e auricular daquele tempo foi o coronel Queiroz (Benedito Florêncio de Queiroz), da reserva remunerada da Polícia Militar. Foi ajudante de ordens do monsenhor Walfredo Gurgel durante o período que governou o Rio Grande do Norte, de 1966 a março de 1971. o conheci desde essa época. Os nossos contatos, apesar de escassos, se tornaram amiudados graças ao cafezinho do Natal Shopping. Fiel amigo do padre governador, relatou fatos importantes dos bastidores políticos com excelente memória. Um deles, dentro do carro oficial com destino a Caicó, ouviu de Aluízio Alves que estava deixando o governo, solicitar ao governador eleito: “Monsenhor, gostaria de lhe fazer um pedido. É a indicação de Manoel de Brito para a Secretaria de Finanças”. “Aluízio”, responde o padre, “Para essa secretaria já escolhi um nome: é o Dr. José Daniel Diniz, meu sobrinho afim”. Aluízio não tocou mais no assunto e nem se aborreceu com Walfredo. Tempo depois, Brito foi para a Casa Civil.

No início do governo, Walfredo Gurgel enfrentou problemas com a nomeação do novo presidente da Fundação José Augusto. O Dr. Hélio Galvão, amigo de Aluízio e que viera de sua gestão, iria ser substituído. Falanges da “Cruzada da Esperança” pediam a sua permanência. Mas, o monsenhor assumira compromisso com outro nome. Houve crise. Em meio as escaramuças, certa noite, o governador foi esperar no aeroporto o líder Aluízio Alves procedente de Brasília. Naquela fase, partida e chegada de Aluízio sempre juntava correligionários. E no momento em que os dois se cumprimentavam, uma voz passional e anônima saiu da multidão: “Aluízio, ele demitiu o Dr. Hélio!!”. Aluízio virou-se dirigindo-se a aglomeração: “O governador agora é o monsenhor Walfredo Gurgel”. Assunto encerrado. Fez-se silêncio.

De outra feita, Natal recebeu a visita do então presidente Castelo Branco. Alojado na Base Aérea de Parnamirim, de lá, o marechal veio primeiramente à Reitoria da UFRN para receber o título de “Doutor Honoris Causa” das mãos do reitor Onofre Lopes. No gabinete do reitor, onde funcionou o Comando do III Distrito Naval, Castelo comenta para os circunstantes, na maior simplicidade: “Eu não sei porque o professor Onofre me confere esse título porque nem formado eu sou”. Risos. Convenhamos que era um tempo propício a essas coisas.

Mas, odisséia mesmo foi a construção da ponte de Igapó. Falo da primeira ponte, pois, a segunda, foi erguida no governo de Geraldo Melo. O padre governador enfrentou toda a sorte de problemas políticos e administrativos para concluir a obra tocada pela empresa Norberto Odebretch. O então Ministro dos Transportes Mário Andreazza sofreu todo tipo de pressão das lideranças políticas do Rio Grande do Norte que se digladiavam com a “Cruzada Esperança”. Algumas vezes, a empreiteira ficava de dois a três meses sem receber os pagamentos. Finalmente, o governador concluiu e inaugurou a obra. Mas, o radicalismo havia atingido o clímax. Para a inauguração não deixaram que comparecesse nenhum ministro da área civil. Todavia, apenas dois da cota da amizade pessoal do governador estiveram presentes: o da Aeronáutica e o da Marinha. O Rio Grande do Norte ainda se dividia entre os pastoris: verde e vermelho.

De volta ao passado… (61)

Posando para a posteridade, por ocasião do casamento de Cilene Régis e Firmino Gurgel, celebrada pelo então padre Canindé Palhano. Vemos na foto, Hozana Barbalho, Selma, Safira, Fátima Barbalho (‘Nem da Cooperativa’), Goretti Nerino. Na segunda fila: Dora Honório, Lucilda Ferreira (in memórian), Fátima Estevão, Solange Gurgel, Celi Régis, Vilminha, Fátima Nerino e na fila da frente, Jaqueline, Cláudia (de seu Lulu) e Zuca Palhano. A foto foi batida na Irmandade São José, onde ocorreu a recepção dos convidados, no dia 4 de janeiro de 1975.

Lá se vão 46 anos…