Dia: 4 de julho de 2021

Pequeno Tributo ao Café São Luiz

Café São Luiz, tradicional ponto da Cidade Alta, em Natal – Foto: Brechando

                       

Gutenberg Costa – Escritor, pesquisador e folclorista

Hoje, venho lembrar de um finado que não teve o direito a uma missa de corpo presente. De sétimo dia e nem de mês ou ano. Em sua calçada, nem uma vela acesa, bilhetes ou flores de despedidas e lamentos. O sino da catedral nem dobrou. Literalmente, nem choro, nem velas ou fitas amarelas, apenas lamentações dos seus antigos frequentadores. Natal não rima com tradicional. O que eu vi no meu tempo de criança e adolescência, só em raras fotografias em preto e branco. Digo sempre aos mais chegados que na terra em que nasci, só estou vendo escapar fedendo o seu Forte dos Reis Magos, isso porque não é de ferro, como aquela velha ponte ‘rapinada’ que servia de minha saída para Macau e Pendências.

Fico demasiadamente envergonhado quando sou indagado pelos amigos e amigas ligadas a cultura, que vêm a também cidade de Câmara Cascudo: “Gutenberg, aonde fica o tradicional Café da cidade do Natal?”. Assim faço quando chego em uma cidade e procuro pelos seus tradicionais mercados, feiras e Cafés. O que dizer-lhes, sobre tantos monumentos demolidos? Eram particulares? E o nosso velho estádio de futebol ou o Hotel dos Reis Magos? Não tenho motivos sérios para desculpas sobre meu passado quase todo destruído! O que justificar aos meus netos disse tudo? Como ficarei ao mostrar-lhes as fotografias que guardo como velhas recordações do que já existiu da ‘Natal do já teve’…

Demolição do Estádio Machadão, em Natal/RN

Recentemente, o amigo pesquisador César Barbosa, um dos assíduos degustadores do cafezinho fraterno do saudoso Café São Luiz (o finado de quem hoje estou lamentando o desaparecimento nesse meu pequeno relato), me mandou uma foto histórica de 2005, na qual estávamos em uma mesa para um bate papo e cafezinhos, incluindo o professor Normando Bezerra e o folclorista Severino Vicente. Todos ficamos indignados com o descaso aos prédios particulares e públicos, os quais desapareceram nas caladas das noites, sob o silêncio oficial dos que ganham em nome da cultura do município e do Estado. O machado e a picareta não andam sozinhos. Todo crime tem executor, mandante ou indiretamente os omissos. Pilatos preferiu lavar as mãos e por pouco não foi canonizado.

César Barbosa, Gutenberg Costa, Severino Vicente e Normando Bezerra
Arquivo: César Barbosa

Juro que não acreditei em seu assassinato e fui correndo ainda ao Grande Ponto da Cidade Alta, na rua Princesa Isabel, em 2017. Infelizmente encontrei a sua derrocada aos pedaços. Até lembrei na ocasião daquela canção tão triste e realista, cantada pelo grupo Demônios da Garoa, chorando a debandada da saudosa maloca:” …cada tábua que caia, doía no coração…”. Mas, em Natal, parece que não adianta reclamar a mãe do bispo, nem antes ou depois das ferramentas pararem as demolições. Vou sugerir aos meus amigos fotógrafos, um museu da fotografia do que já desapareceu nos últimos tempos. E diga-se que lei no Brasil tem pra tudo. O que talvez não se tenha é uma lei para se criar ‘museus de memórias’ de nossos santuários arquitetônicos e tradicionais de uma cidade beirando seus 500 anos, que existiram há poucos anos.

Demolição do Hotel dos Reis Magos, em Natal/RN

Em cada bairro nosso, centenas de lugares históricos já foram demolidos. Em cada rua, dezenas. Crimes sem ‘BO’, sem processos e, o pior, sem culpados. Eu tenho até medo de ir para a cadeia ao ficar do lado dos tradicionalistas e saudosistas ainda de plantão. Hoje é crime, nessa desgraceira da modernidade até perguntar: O que funcionava nesse terreno de estacionamento? Um edifício? Um Casarão de fulano de tal? Aqui era o Bar do seu sicrano? Era a casa em que nasceu ou morou aquele escritor Beltrano?

Mas o nosso querido finado ‘Café São Luiz’, que em vida, cujo pai em seu registro foi o empresário Luiz Veiga, teve sua história biografada pelo padre e escritor José Luiz Silva (1928-1991). Este religioso irreverente, contou sua história do nascimento até os anos 80, do século passado, em livro intitulado ‘Na Calçada do Café São Luiz’, edição de 1982.

Café São Luiz – Foto: Brechando

Nos anos 70, o amigo padre referido me apresentou a muita gente naquela famosa calçada, entre elas: Chisquito e Chico Traíra. Chico, ex tocador de viola e vendendo seus folhetos em cordel. Chisquito, mesmo com sol forte, óculos de grau bem forte e todo empalitozado, sempre baforando seu inseparável cachimbo.

Várias autoridades foram fotografadas tomando o seu cafezinho, como o governador Monsenhor Walfredo Gurgel. Diz ainda o primeiro historiador que esse já teria nascido no rastro do acirramento político entre Dinarte Mariz e Aluízio Alves: “A Calçada do Café São Luiz é o território livre dos potiguares… é doce escutar os passos da vida. E onde reside a vida? Não é nas calçadas?”.

Governador Monsenhor Wanfredo Gurgel, no Café São Luiz
Reprodução do livro de Zé Luiz (1982)

Não posso esquecer o meu tempo e os amigos que lá me faziam companhia e conversas. Existia o grupo da ‘porrinha’, mas eu como nunca gostei de jogos, ficava na roda das conversas culturais com o intuito de ouvir e aprender. Sei que não dá para enumerar tanta gente boa e, em parte, já saudosa. Ali, naquela universidade realmente democrática, nunca paguei sequer um cafezinho quando o jornalista Eugênio Neto estava presente. Esse distribuía amizade e fichinhas aos amigos.

Fui um dos privilegiados desse e de outros afetos gestos amigos. Ouvi aulas sobre música popular brasileira quando chegava perto do doutor Grácio Barbalho, inclusive depois passando a ser o seu mais novo confrade no centenário Instituto Histórico e Geográfico do RN, em 1997. Ouvi verdadeiras palestras e conferências sobre literatura do RN e mundial.

Marcos Maranhão e Gutenberg Costa, no lançamento do livro
‘Personagens Populares em Natal (1999)
Marcos Maranhão, Gutenberg Costa e Leide Câmara, no lançamento do livro,
na calçada do Café São Luiz (1999)

Aprendi muito com Pedro Grilo, Edmilson de Andrade, Palocha, Osório Almeida, Meroveu Pacheco, Chico Macedo, Francisco Bezerra, Franklin Jorge, Jarbas Martins, Severino Vicente, César Barbosa, Normando Bezerra, Vital Oliveira, Severino Galvão, Catolé, Mery Medeiros, Luiz Rabelo e o guerreiro Miranda Sá, outro pagador contumaz de meus cafezinhos.

Ali perto, comprei alguns poemas feitos na hora do poeta Milton Siqueira. Escutei a rabeca do Zé André, em sua esquina. Quando precisei de um advogado, chamei o Sebastião Soares, que lá vivia falando sobre poetas e suas memórias vividas no Rio de Janeiro. Presenciei desafetos discutirem e quase que se atracando. Ouvi discursos de direitistas e esquerdistas. Tudo depois se transformando em abraços e cafés. O milagre da amizade e respeito visto no passado. Lia os jornais independentes de Osório Almeida, Marcus Otonni, César Barbosa e Astral, entre outros.

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Calçada do Café São Luiz – Arquivo: César Barbosa


A calçada do Café São Luiz era minha espécie de concentração. De lá ia lanchar no pontinho de Zé Treco, fazer compras no comércio e ver as novidades literárias chegadas na livraria dos irmãos Cortez, na rua Felipe Camarão. Foi ponto para marcar encontros e também comprar as bugigangas importadas de Carrapicho: “Esse relógio é suíço legítimo, juro de pés juntos. Essa caneta veio dos Estados Unidos, pode conferir”. Tudo verdade, mas sem nota fiscal alguma. E o diabo era quem duvidava do maior vendedor do mundo, vindo de Pedro Avelino e ainda está vivinho da silva, beirando os 90 anos e, acreditem, em plena atividade comercial.

Naquele finado Café vi Miranda Sá quase chegar ao senado. Zé Luiz quase ser deputado Federal. Osório Almeida e Deodato Dantas quase tomarem assento em nossa Câmara Municipal. Em Natal quem não tem dinheiro ou família ilustre, vira quase. Ali ouvi piadas engraçadas da boca do amigo de infância, humorista conhecido nacionalmente como ‘Espanta’. Recebi aulas de folclore com os mestres Gumercindo Saraiva e Veríssimo de Melo. Tinha sempre de plantão um doido calmo e os contadores de histórias mirabolantes, os quais tinham visto coisas de cem anos passados.

Os escritores Franklin Jorge e Gutenberg Costa, no Café São Luiz (1999)

Muitos amigos vindos de Mossoró, lá eram encontrados, como o fotógrafo José Rodrigues e o historiador Raimundo Soares de Brito, entre outros. E não tenho como esquecer os cordiais atendimentos de duas mulheres que me serviam os cafezinhos e guardavam minhas encomendas que ali iam deixa-las em minhas ausências: Francisca e Ritinha. Duas santas da paciência com tanta gente, com tantos gostos.

Lá, vi inúmeras tardes chegar à prostituta ambulante e desdentada dona Maria Edite, a famosa apelidada Rocas Quintas. A única com esse apelido que toda Natal conheceu até a era de 2000. Esta chegava com um rótulo de um antibiótico e pedindo ajuda financeira, podendo terminar até em sexo, se aparecesse um pretendente. Desde 1959, que nunca ouvi falar em outra pobre Rocas Quintas. E a sua famosa calçada era também apelidada pelos que lá não iam, como a ‘calçada da maledicência’. Papai, que frequentara na Ribeira outro finado Café, o ‘Café Cova da Onça’, dizia-me rindo, que esses ambientes só serviam para aposentados fofocarem…

Eugênio Neto – Foto: blogchicolima

E esse Café do Grande Ponto da Cidade Alta, foi tema de trabalho acadêmico na UFRN, do jovem Augusto Bernardino de Medeiros, que foi além das xícaras, entre 1950 e 1980, o qual me entrevistou, como também vários frequentadores, entre eles, Eugênio Neto e Mery Medeiros. Ali, como o padre Zé Luiz também lancei o meu livro ‘Natal, Personagens Populares’, de 1999, em um sábado, com festa e carnaval comandado pelo saudoso Mainha, me restando dezenas de fotos com muita gente ilustre que ali compareceram.

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Gutenberg Costa e o saudoso músico ‘Mainha’, na calçada do Café São Luiz (1999)

Vou encerrar essa pequena homenagem com um trecho do poema do velho Chisquito do Assu: “… Se acaso o São Luiz fechar-se um dia;/ A boa prosa, cordial, sadia, / Eternizar-se-á numa saudade”. E como dizia minha mãe, que descanse em paz o já esquecido finado Café São Luiz, em nossas memórias! Amém!

                          Morada São Saruê, Nísia Floresta/RN

NOVILÍNGUA

Nilo Emerenciano – Arquiteto e escritor

No livro 1984, de George Orwel, o regime implanta uma língua nova, a novilíngua, com a finalidade de manipular fatos e controlar o pensamento dos cidadãos. Guimarães Rosa, em Grande Sertão, cria belos neologismos, como por exemplo, Riobaldo, ao ver o corpo nu de Diadorim, se perguntando: Será que amereci pouco?

A verdade é que a língua é um elemento vivo e me compraz acompanhar essas transformações, esses elementos novos que são rapidamente incorporados ao linguajar coloquial e muito depois chegam aos dicionários. Uma frase que há anos diríamos assim:

Neguinha, precisamos conversar sobre nosso rolo, pois acho que já deu e é hora de um de nós dar um fim a tudo isso, sacou?

Hoje, atualizada, seria, talvez:

– Minha afrodescendentezinha, vamos fazer uma DR, pois vejo que já deu e o lance é vazar. Entendeu, ou quer que desenhe?

E não vamos lutar contra isso. Lembremos que nós falamos – e os mais velhos faziam cara feia – brasa mora, garota papo firme, carango, barra limpa, é isso aí, falou e disse. Nunca me passou pela cabeça chamar o velho ônibus número 1, da empresa Sena, de busão. Sucata, lata velha, talvez. Mas confesso que estou desatualizado. O que me chega é através de meus filhos, mas até eles já passaram da fase de usar gírias novas.

Recebi a solicitação de um texto assim: letras Time, tamanho 12, espaço simples, justificado. Ri comigo mesmo, pois sou do tempo de uma lauda ou lauda e meia.

Sinto muita falta da velha e boa correspondência. Nada como receber cartas, saber das novidades, matar saudades. Inimaginável, hoje. A não ser notificações de algum tipo. Minha caixa de correio está criando teias de aranha. Nem cobranças chegam, pois são todas feitas por e-mails. Acho que nem os entregadores as levam a sério, pois jogam pelas brechas do portão os folders dos supermercados. Meu pai era telegrafista da Western, e uma das funções das atendentes era orientar os clientes a redigirem as mensagens economizando nas palavras. Aquilo fazia dos telegramas um modelo de concisão. Mas francamente, acho que estão exagerando.

Modelo de um telegrama

Não consegui entender ainda o que danado é crush, porque o ótimo refrigerante de laranjada em garrafa escura há muito saiu de circulação. Mas quando uma amiga me diz que o seu crush é bolsominion, desconfio que seja um paquera (ainda se fala paquera?) eleitor do nosso atual presidente. Crush será mais que flerte e menos que ficante? Dancei ao som de Renato e Seus Blue Caps em “assustados”, bebendo inocentes doses de “leite de onça”. Nem passava pela minha cabeça baladas e red bull.

As gatinhas quando não estavam interessadas no rapaz diziam: “passando, abacaxi, que tomei leite”. E quando o guapo jovem agradava exclamavam, “ai, da base”! Frente a uma aglomeração logo se perguntava “morreu galego”? Em Mossoró, em uma boate dos anos setenta, uma moça de longe exclamou ao me ver: – Bichinho! E ainda em Mossoró se alguém “quebrava a cara” se dizia “rasgou a boca”, e para algo triste, “é de cortar coração”. O que hoje se fala “tiração de onda” era curtir com a cara, zonar, por aí. Bulling era encarnar, zoeirar. E havia o machismo sempre presente.

“Assustados”, nas casas dos amigos (as), bebendo inocentes doses de “leite de onça” e ouvindo as “paradas musicais”, do momento

Um amigo, a caminho da casa da namorada (pois é, havia namoros na casa da moça, sentados no sofá da sala), sempre parava na esquina onde estava a “patota”. E dizia  – Estou indo pra casa da carniça. Algum espírito de porco, que sempre há, achou de dedurar. E na noite seguinte o amigo chegou triste, se juntou ao grupo e lamentou: – Cheguei e ela gritou na lata: vá embora, negro urubu.

Repararam? Favela agora é comunidade. Quadrilhas são chamadas facções. Otário virou mané;  larápios, descuidistas e golpistas se tornaram 171 ou simplesmente ladrões. Se mortos, CPFs cancelados. Por falar nisso, políticos continuam… políticos.

Pois é. O tempo passou. Entramos em uma fria, pegamos um rabo de foguete, rasgamos a boca e estamos em uma muvuca de cortar o coração. Mas vamos usar as velhas interjeições, eia, sus,  upa, e sair chispando dessa sinuca de bico em que nos metemos. Preciso desenhar?

E como dizia meu pai usando uma gíria dos tempos de doze: michou e ai e pof!

NATAL/RN

CINE COMETA

José Olavo Ribeiro (aposentado do Banco do Brasil) – Bacharel em Administração/MBA USP e autor do livro “Portas Vermelhas” (contos)

Nos idos de 1970 fui morar na agradável cidade de São José de Mipibu, onde residi até meados de 1977. Adolescente, eu e amigos nos divertíamos de segunda a sexta-feira, nas peladas, onde houvesse um terreno propício para correr atrás da bola. Os fins de semana eram mais concorridos: banhos na lagoa do Bonfim, jogos dos times locais nos campos do Arsenal e do Olho D’água e, à noite, cinema.

Naquela época, início da década, existia o cinema de seu Décio, localizado vizinho a um sobrado de esquina, nos fundos da praça do “coreto”. Lembro-me que nas noites das películas girarem nos grandes carretéis para projeção na telona, um potente alto-falante preso na parede do prédio tocava músicas durante a tarde, dando a “deixa” de que era dia de filme

 Poucos anos depois um empresário da cidade de Macaíba adquiriu as instalações e inaugurou o CINE COMETA, utilizando equipamentos modernos e de maior capacidade, o que significou uma melhoria significativa das projeções.

 As noites de sábado e domingo, nos reservavam um encontro com grandes estrelas de Hollywood. Musas deslumbrantes como Raquel Welch, Vanessa Redgrave, a italiana Sophia Loren, dentre outras, nos transportavam para um universo que influenciou jovens de várias gerações. Sentados no  grande salão antes da sessão, éramos brindados com a exibição do “canal 100”, que mostrava os melhores momentos dos jogos do campeonato carioca, com desfile de craques como Gérson, Rivelino, Paulo César Caju.

No final, tínhamos ainda os “seriados”, a exemplo de “Flash Gordon”, que exibidos em capítulos, nos deixavam ansiosos pelo próximo final de semana.

Flash Gordon no Planeta Mongo

Vinte e duas horas. Fim do espetáculo. Os bancos da praça ainda ouviriam nossas discussões sobre a história, os artistas, os detalhes da produção cinematográfica.  

O cinema divertiu e proporcionou bons momentos a todos.

 Hoje as telonas estão restritas e as opções migraram para as plataformas de streaming, como netflix, globoplay e outras. Sem saudosismo, acho que ganhamos em opções e comodidades, no entanto, perdemos um pouco da magia.

          

O DIA EM QUE EU QUASE MORRI

Nadja Lira – Jornalista • pedagoga • Filósofa

Morrer é, segundo o dicionário, perder a vida; finar-se; fenecer; expirar; desencarnar. De acordo com a sabedoria popular, morrer é esticar as canelas; vestir o pijama de madeira; abotoar o paletó; ir morar na cidade de pés juntos; entregar a alma a Deus ou ao Diabo. Para mim, a morte é apenas a libertação da vida.

Para o filósofo alemão Martin Heidegger, todos os seres vivos nascem e morrem, mas o homem é único ser vivente a ter consciência da sua finitude. Para Michel de Montaigne, “meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade”. Para Epicuro, “Aquele que é plenamente feliz é imortal não tem preocupações, nem perturba os outros”.

Morre-se de muitas maneiras: de acidentes, doenças prolongadas, ou de forma súbita, quando a pessoa nem mesmo tem tempo para tomar algumas providências imediatas como quitar as contas, por exemplo, ou mesmo despedir-se das pessoas queridas. Também se morre de amor e esta é, sem sombra de dúvidas, a pior de todas as formas de morrer, porque embora morta, a pessoa continua a respirar.

Com minha experiência de quase morte, percebi o quanto a morte é cruel. Ela chega de forma sorrateira, silenciosa sem ser convidada e sem qualquer cerimônia se acomoda e não vai embora jamais, sem levar a pessoa a qual veio buscar.

Seja qual for a causa, a morte é algo certo e traumático para todos os seres vivos. Especialmente para os que ficam e sofrem com saudade do ser morto. Minha primeira experiência com a morte deu-se quando perdi o meu avô, após uma doença que o fez sofrer por um longo período. Eu tinha pouco mais de sete anos quando ele partiu, mas lembro-me perfeitamente de que me recusei a ver seu corpo adormecido dentro daquele caixão. Preferi guardar dele, a lembrança viva que me acompanha até hoje.

Percebi, com o passar do tempo, que a morte também é algo assustador e traiçoeiro. Desse modo habituei-me a não olhar o rosto das pessoas mortas. Foi esse o comportamento que adotei quando a minha avó, meu pai e outras pessoas queridas morreram. Não olhei seus mortos. Prefiro conservar das pessoas, a lembrança de seus rostos sorridentes, felizes, cheios de vida.

Foto Ilustrativa

Faz algum tempo que passei por uma experiência bastante traumática, porque sempre acreditei que estava pronta para enfrentar a morte sem medo dela. Imaginava que chegando a minha hora, eu iria com ela sem me fazer de difícil. Contudo, asseguro que não foi nada agradável ver-me frente à frente com a dita cuja.

Tudo aconteceu de maneira muito rápida e apavorante. Eu, que me imaginava morrendo em grande estilo, embora não tenha ideia do que seja morrer em grande estilo, quase perco a vida da forma mais estúpida possível: graças a um insignificante engasgo provocado por um refluxo.

O engasgo fechou minha garganta impedindo-me de respirar por um tempo que me pareceu interminável. Enquanto eu me debatia na vã tentativa de restabelecer minha respiração, vi toda a minha vida passando diante dos meus olhos. Enquanto as cenas da minha vida passavam diante de mim, eu pensava no que havia feito de bom, o que deveria ter feito melhor e, principalmente no que planejava fazer e que não teria mais tempo. Muitos dos meus projetos para o futuro ficariam inacabados e eu sequer podia negociar com a morte um pouco mais de tempo.

Foi então que a minha mãe teve a feliz ideia de soprar o meu nariz. E assim o fez. Soprou nas minhas narinas, um sopro tão fraquinho, mas foi o suficiente. Tal iniciativa foi determinante para que eu voltasse a respirar, quando já estava prestes a desfalecer. Minha mãe deu-me a vida uma segunda vez.

A morte, sem alternativa, também decidiu me dar uma nova chance e eu decidi mudar meu estilo de vida: a primeira providência foi a de tentar viver livre de estresse, mais relaxada. Vou tentar sorrir mais, brincar mais, amar mais, tentar ser uma pessoa melhor, enfim, vou procurar viver com mais intensidade porque no dia que a morte voltar, não sei se terei como escapar outra vez e fatalmente serei obrigada a mudar-me de mala e cuia para fixar residência na cidade de pés juntos.

Escravo, chuva e feira

Bodega de antigamente – Foto: Curiozzo.com

Rosemilton Silva – Jornalista e escrito. Natural de Santa Cruz/RN

Bom dia, meus povo. Tava eu escorado no balcão da bodega de Jeová com minha cumade Maria Gorda esperando que ele medisse meia cuia de farinha quando chega a professora Zeneide Rocha e, logo, engatamos uma conversa animada sobre Fabião das Queimadas que vinha a ser escravo do bisavô dela e que, como se sabe, tinha liberdade para escrever seus poemas e ainda vendê-los para, assim, comprar a sua alforria como de fato aconteceu.

A conversa animada enveredou pelas festas de padroeira quando chega o aluno dela, Jaime Vieira, perguntando por dona Carmén já que ele precisava da chave da igreja para limpar uns castiçais que, de quando em vez, o serviço era feito por ele, como informa a tia de Zeneide.

Logo a conversa ganhou outros rumos porque Zeneide saiu a tiracolo com Jaime que, de acordo ela, monsenhor Emerson garantira ser bispo com pouco tempo de ordenado e cumprida as necessidades escolares para tanto. Na bodega, a conversa corria solta sobre candidatura a prefeito e vereador quando chega Zezé Profeta com seu ar misterioso.

Perguntado sobre chuva, Zezé Profeta faz cara de desentendido e questiona se é chuva de voto e que tanto Jeová como Geraldo de Tico teriam uma cadeira na Câmara e Cícero Pinto também seria eleito. Minha cumade, que de besta só tem a cara, estica o olho no rumo da casa de Maria Anjo, ali de frente pra esquina do mercado, porque o sábado estava agitado por lá e me diz baixinho que não sabe porque Rosa de Mané da Viúva não gosta de Maria Anjo. Eu não respondo. Mas, com um tempinho, digo que nós, os meninos e meninas de ambas, não damos trela pra isso e temos uma excelente relação de amizade.

Tempos depois, quando Fernando veio morar ali na casa dos Germanos, parede e meia com a casa de Mané da Viúva que foi de Arnaldo Moreira, ela tinha o maior carinho por Fernando e a mulher dele. Dudu três orelhas também era outro que entrava e saia da casa na hora que quisesse. Mas minha cumade não está preocupada com isso e diz que terminado os festejos de São João e se livrado das tais quadrilhas estilizadas vai ter que continuar aguentando as quadrilhas organizadas que batem ponto nos cabarés de Gonzaga, no dela, no de Chicó de Maria Anjo e, dizem, mas ninguém ainda confirmou, no de Michael também. Nisso chega Fogão já com umas “leruadas” no cachaço – sem trocadilho, por favor – batendo no balcão e pedindo mais uma pra dizer que Jácio Fiuza será o candidato a prefeito e que ninguém toma.

Dia de feira em Santa Cruz/RN

Dia de feira especial. Tanto é assim que seo Meireles passa conversando com suas jumentas e eu pergunto por Lúcia no que sou corrigido por Fernando Bocão que vinha passando na hora e confirma que é Helena aquela que, segundo minha cumade, deve ter sido a primeira mulher negra da cidade a ter um diploma de nível superior da UFRN fazendo, portanto, parelha com a branca de olhos verdes, Paulina Rocha. E ai minha cumade desfila um rosário inteiro de professores que ajudaram a ensinar na cidade começando por Iaiá de Casumbéu, Amaro Barreto, seo Horácio, Maria Júlia, José Bezerra Dantas, Isabel Oscarlina e emenda com Palmira Barboza, Iná Ribeiro, Maria Lindalice, Maria Augusta, Leopoldina, Carmelita, Auristela e, meu cumpade se  for pra listar, vai longe.

Recebe a farinha e se despede enquanto vai chegando Cuíca que já vinha com raiva e por isso fez finca pé no rumo da parede de Joca Moreira que estava arrumando uns couros pra mandar pro curtume em Natal. Cuíca quando tinha raiva era assim: metia a cabeça na parede que o som podia ser ouvido a uns bons metros de distância sem que saísse um pingo de sangue.

Foto ilustrativa

Me despeço de Jeová e vou no rumo do mercado, na banca de Zé Amaro comprar um vidro de brilhantina Glostora, um rouge Royal Briar, mas antes entro em Zé Abdias para comprar um maço de cigarro Astória. Aproveito, pra arrematar, vou perto da Matriz, ali na sombra do coreto, comprar uma mala de uma espécie de papelão ou de compensado, coberta com papel florido da lavra de Alexandre Maleiro.

FIGURAS MIPIBUENSE José Estelo

José Alves – Jornalista e editor do jornal e do blog O ALERTA

José Estelo da Silva, ou simplesmente, Estelo, o pintor, nasceu na fazenda Caeira (atualmente povoado de São José de Mipibu), no dia 30 de novembro de 1953. Sua mãe, Maria Estela da Silva (não conheceu o pai, Manoel Paulino) mudou-se, posteriormente, para a fazenda Saruê, próximo à comunidade de Laranjeiras dos Cosmes, quando ainda tinha cinco anos de idade.

Em sua infância, aproveitava para brincar, tomar banho no rio Trairí e correr sob a chuva, nas estradas de terra. Em noite de lua cheia (como não havia energia elétrica), brincava com amigos (as) de passa anel, coelho passo, bandeirinha, cobra cega…

Já adolescente, trabalhava na agricultura, junto com seu irmão, Roque da Silva. Nos finais de semana, iam vender os produtos colhidos, nas feiras livres de São José de Mipibu e Parnamirim, para sustentar a família.

Ficou internado no Instituto Pio XII, do “Padre Antonio”, onde fez o primeiro ano do antigo curo Primário. Em seguida, cursou a 2ª e 3ª série, na Escola Estadual Terceira Rocha, em Laranjeiras dos Cosmes.

Era o ano de 1967, quando adoeceu de uma febre reumática, não podendo mais andar. Foi levado ao Hospital das Clínicas “Onofre Lopes”, em Natal, onde passou três anos, fazendo tratamento de saúde.

Estelo e sua esposa Margarida

Em 1973, montou uma mercearia, juntamente com seu irmão, na margem da atual rodovia RN-002. Foi lá que conheceu uma jovem que conquistou seu coração. Era Margarida Fernandes da Silva, com quem casou-se, no dia 24 de janeiro de 1976, com quem tiveram os filhos: Flávio, Valéria e Estelo Júnior. Atualmente, veio aumentar a família, com cinco netos e uma bisneta.

Foi em Laranjeiras dos Cosmes, um arruado de casas simples da zona rural, tendo como principal identificação do lugar a capela que tem como padroeiro São Sebastião e um coqueiral nos quintais das casas. Segundo publicou o jornalista Vicente Serejo, na época, repórter do Diário de Natal, numa reportagem sobre Estelo: “Seu universo nada tem de excepcional, mas é bastante para o pintor exercitar a sua incrível capacidade de retratar seu povo e as coisas de sua gente”

Foi nesse arruado que José Estelo reproduziu suas primeiras imagens.

Através de uma amiga sua, que trabalhava do Serviço de Assistência Rural (SAR), conseguiu que seu caderno de desenhos , coloridos à lápis, passasse de mão em mão e finalmente chegasse até o professor Antônio Marques, que à época trabalhava na Secretaria de Trabalho e Bem Estar Social, que lhe apresentou ao professor Cláudio Galvão, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e ambos encamparam a ideia de que os trabalhos de Estelo deveriam ser vistos como arte e, somente uma exposição de seus quadros seriam o meio correto para divulgar o seu nome.

E assim, com o apoio que precisava para adquirir o material de pintura (telas, pincéis e tintas…), o jovem desconhecido, pintou aquelas casas simples e sentiu vontade de pintá-las, como quem mostra seu mundo lá fora.

Cândinha Bezerra, Estelo e Margarida, numa de suas exposições

E como um astronauta que busca o infinito, Estelo apresentou seus primeiros trabalhos numa exposição na Biblioteca Câmara Cascudo, em Natal, com o apoio do Centro de Arte, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Mas, a falta de apoio e o reconhecimento, em sua terra natal São José de Mipibu, que não tinha um emprego fixo, levou, como muitos jovens fazem, procurar melhores condições econômicas, migrando para o Sul do país. Isso fez com que a luta pela sobrevivência afastasse o pintor de suas telas. Viajou no dia 5 de junho de 1978, para São Paulo/SP, em busca de dias melhores, deixando sua esposa, Margarida, com um filhinho de colo (Flávio), de apenas sete meses, para dar melhor condição de vida à família. No Sul, exerceu a profissão de cobrador de ônibus, onde trabalhava até 16 horas por dia, sem tempo para desenvolver sua grande paixão – a pintura.

Estelo não se adaptou a capital paulista e retornou a sua terra, em 1982, onde conseguiu um emprego na Prefeitura Municipal de São José de Mipibu. Logo que retornou, manteve contato com os professores Antônio Marques e Cláudio Galvão, que se ofereceram para promover uma nova exposição, dando assim mais uma oportunidade ao artista mipibuense.

Eu ouvi falar em José Estelo, pela primeira vez, quando fazia o curso de História, na UFRN, durante uma aula do professor Cláudio Galvão, da disciplina História da Arte, quando comparava as características que identificam os seguidores do pintor francês Henri Rosseau e a aceitação da corrente “Ingênua”, da pintura.

Professor Cláudio Galvão

E o professor Cláudio citou a descoberta de José Estelo, em Laranjeiras dos Cosmes, como uma aparição de mais um autêntico pintor “Ingênuo”, portador das mesmas características que identificam os seguidores de Rousseau. Para o professor,

Trabalhos de Estelo, do acervo de Elza Freire

 “o ingênuo é, pois, um artista que pinta tão naturalmente como fala, que transforma o simples no mais valioso, que vive num mundo onde a tecnologia e o intelectualismo ainda não penetraram nem poluíram”.

Sobre Estelo, o jornalista Franklin Jorge escreveu: “na sua primeira exibição, não podemos considera-lo por isso um estreante. Pois ele se apresenta com um domínio formal já muito acentuado e não parece ter sofrido influência de quem quer que seja”.

Estelo, por ocasião de uma de suas exposições

E Estelo foi descoberto pelos críticos de arte. Em agosto de 1983, na edição nº 76, o jornal O Alerta publicou, com o título: “Dois mipibuenses expõem na I Mostra de Arte do Rio Grande do Norte”. E no texto traz a informação: “Ao lado de artistas famosos que participaram de exposições individuais e coletivas no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife e até nos Estados Unidos, os jovens artistas mipibuenses Júlio César Revorêdo e José Estelo estão expondo alguns de seus quadros, na I Mostra de Arte Norte-rio-grandense, patrocinada pela Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa”, tendo como organizador Elmano Marques.

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 Depois disso, Estelo participou de diversas exposições individual e coletivas. Segundo ele, “foram umas 12 exposições individuais e outras tantas , coletivas”

Em dezembro de 2010 (edição nº 400), O Alerta publicou: “O presidente da Câmara Municipal de São José de Mipibu, Kériclis Alves, implantou o projeto “Câmara Cultural”. Na ocasião ocorreu o lançamento dos livros de autoria da professora e escritora Lúcia Amaral, “Orgulho Mipibuense” e, “Estelo de Mipibu”, de autoria do escritor e presidente da Academia de Letras de Brasília/DF, José Carlos Gentili.

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Recebendo homenagem na Câmara Municipal de São José de Mipibu

Livro sobre a vida e obra de Estelo

Livro sobre Estelo, escrito por Carlos Gentili

O pintor José Estelo foi agraciado com a comenda de Mérito Legislativo “Pedro Freire’ pelos relevantes serviços prestados na área cultural do município. O evento ocorreu dia 10 de dezembro na Câmara Municipal de São José de Mipibu.

Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Kériclis Alves. Faziam parte da mesa dos trabalhos, além do artista José Estelo, a prefeita Norma Ferreira, o presidente da Academia de Letras de Brasília, Carlos Gentili, o advogado Romildo Teixeira de Azevedo e o jornalista José Maria Gonçalves.

No lançamento do livro “Estelo de Mipibu”, com a então prefeita Norma Ferreira
e o presidente da Câmara Municipal, Kériclis Alves, idealizador do
Projeto “Câmara Cultural”

Prestaram homenagens a Estelo, além da prefeita Norma Ferreira, Tássio Cruz e todos os vereadores presentes à solenidade. Na ocasião, o escritor e presidente da Academia de Letras de Brasília/DF, José Carlos Gentilli fez o lançamento do livro de sua autoria, “Estelo de Mipibu”.

Carlos Gentili discorrendo sobre o livro “Estelo de Mipibu”, de sua autoria

Num discurso que prendeu a atenção dos presentes que lotaram a galeria, Gentilli disse que “esta é uma noite de encantamento para a cultura, onde os deuses do Olimpo homenageavam a figura de José Estelo”. Dizendo-se cidadão do mundo, por conhecer as mais diversas pinacotecas e museus do mundo, o presidente da Academia de Letras de Brasília frisou que “a pintura de Estelo é diferente – é única, que só ele sabe fazer, ele transforma um casarão numa pintura singular”.

Estelo, o presidente da Câmara Municipal, Kériclis Alves e Carlos Gentili

Bastante emocionado o pintor primitivista José Estelo disse que “estava muito feliz naquela noite. Nunca esperei esta homenagem que São José de Mipibu, através de seus vereadores prestava a mim”. Em seu discurso, Estelo fez uma trajetória de sua vida, desde menino pobre e doente até quando foi reconhecido pelo professor Cláudio, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde passou a ser conhecido e participar de várias exposições, até o seu encontro como o escritor José Carlos Gentilli.

O pintor José Estelo

Aposentado pela Previdência Social, Estelo diz o que faz: “vez por outra faço uma pintura ou restauro algumas telas que estão em casa ou que me trazem”, diz Estelo com saudosismo de atuar no que mais gosta – pintar. E acrescenta: “Recentemente, fui procurador pelo promotor Manoel Onofre Lopes, que quer colocar uns quadros meus, num Museu de Martins/RN”.

“Leio, tudo que me chega às mãos. Até pouco tempo estava escrevendo, num caderno, uma autobiografia”, diz.

José Estelo reside na Rua Lírio do Vale, nº 25 – bairro de Tancredo Neves, em São José de Mipibu e pode ser contatado pelo telefone (zap) 99151-4054

De volta ao passado…(59)

Período junino, o tradicional educandário de São José de Mipibu, o Instituto Pio XII, sempre promovia eventos alusivos aos festejos. Na foto um desse eventos, onde vemos: Wellington, Zé Ramires, Manoel Barbalho, ‘Sabugo’, (pessoa que não identificamos), Sherer Guerra, Didi ( de seu padre) e Daltro Emerenciano. Era o ano de 1971. Lá se vão 50 anos… ( foto do facebook de Manoel Barbalho)